Eduarda Hippler
Me encontrava ao lado de Sofia no banheiro, ajudando-a a fechar o zíper do vestido. Seus dedos tremiam ligeiramente enquanto segurava o tecido. Minha cabeça pesava, lembrando da mesma cena do meu sonho. Não vou negar que queria que, justamente essa parte, fosse real. Meu coração acelerou ao perceber a proximidade entre nós e o quanto o nosso silêncio estava com uma energia indecifrável.
— Você pode levantar um pouco o cabelo, por favor? Não quero acabar prendendo ele sem querer.— perguntei, tentando controlar meu nervosismo, quase sem respirar.
— Sim, me desculpe. — respondeu, erguendo o olhar para mim.
O mesmo arrepio. O mesmo desejo. Resisti ao impulso de me aproximar, lembrando-me do calor dos seus lábios sobre os meus naquele maldito sonho.
— Duda? Está com a respiração descompassada. Está bem? — ela chamou, notando meu silêncio.
— Desculpe, estou aqui. — respondi rapidamente, focando no zíper.
— Sabe uma coisa que eu queria perguntar? — a encaro de relance. — Se arrepende da minha amizade?
— Eu não acredito que ouvi isso. — sorrio ironicamente, processando seu pensamento nada previsível.
— Às vezes parece que eu sou o problema. Só queria poder te acessar da mesma forma como os meninos te acessam. — abaixa o olhar e supira fundo, molhando os lábios com a língua logo em seguida.
Enquanto eu evitava falar o mínimo ela criava suposições. Agora me sinto pior do que antes.
— O problema não é você, Sofi. Nunca foi. O problema é como eu não sei lidar com as situações. Você é importante para mim da mesma maneira que eles são. — coloco a cabeça em seu ombro antes de continuar. — Me desculpa por te fazer ter essa sensação. Você não precisa achar que se algo muda negativamente foi ou é por sua causa. Te amar é a parte favorita de tudo o que temos e eu jamais me arrependeria de ter me aproximado de você.
Continuei com a cabeça em seu ombro, encarando seu rosto no espelho. Ela suspirou fundo me fitando com suas íris castanhas. Eu queria tanto aproveitar da nossa proximidade para beijá-la.
Eu não esperava nenhuma resposta vindo dela, e embora o seus olhos falassem mais do que o necessário o silêncio entre nós era confortável.
— Você se declarou para mim uma vez. Quando começou a falar, foi inevitável não lembrar da minha cara confusa ao ouvir cada palavra dita por você. — ela disse, me deixando supresa e esperando que ela continuasse.
— Foi no dia em que bebi não foi? Que vergonha de não lembrar do que eu fiz, me desculpa. — solto o ar dos meus pulmões, colocando o rosto em suas costas.
— Você não fez nada demais, eu apenas não esqueci do que você falou. — Sofia respirou fundo, rindo de leve logo em seguida.
— Eu também não esqueci. E queira você saber ou não, eu queria viver o que estava vivendo em um sonho enquanto eu parecia estar em um coma alcoólatra.
Nosso silêncio foi preenchido apenas pelo som da nossa respiração. Eu ainda estava com o rosto em suas costas, sentido meu peito quase rasgar pela maneira em que libertei parte do que eu gostaria.
— Eu queria dizer sim.
— Sim? — repeti, retirando meu rosto de suas costas e me afastando um pouco do seu corpo.
— Eu tenho medo de perder você, Duda. — respondeu, olhos me fitando intensamente e capturando o meu rosto.
Nossos olhares se encontraram novamente. A distância entre nós diminuiu. Nossos lábios quase se tocaram. Eu podia sentir o calor do seu corpo e a maneira como tudo estava acontecendo de forma contingente.
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Entre sonhos e realidades - Soarda
FanfictionEntre risos, confidências e desafios emocionais, as duas exploram o que significa amar e ser livre em um mundo que muitas vezes parece sufocante. Enquanto Doarda se confronta com seus medos e desejos, ela descobre novas facetas de si mesma e do amor...
