Sofia Santino
Estávamos todos juntos como de costume, quer dizer quase todos. Ainda faltava Duda e o Marcos, que não queriam vir. Tudo bem que não tinha tanto sol quanto queríamos e era uma sexta de tarde, mas um momento desses com todos nós é necessário; ainda mais para Duda que está quase enlouquecendo com o curso de teatro. Pelo menos é o que ela me disse da última vez em que nos falamos, que foi o mínimo. Estou a semana inteira sem entender o motivo de ela ter mudado comigo, sem contar que está falando apenas o básico e eu nem sei o porque.
No momento estava sentada com os meninos debaixo do guarda sol com minha bebida que tem um pouco de tudo dentro. Gravei um story e postei, mas logo voltei minha atenção para o assunto deles, que não deixaram de citar a Duda e senti uma sensação elétrica por todo o meu corpo.
-Eu fiquei extremamente feliz quando descobri que a Duda parou de tomar os remédios. Ela está tão feliz e isso me deixa bem. -diz Gab enquanto pega alguma coisa para comer.
-Tenho muito orgulho da minha dudis. -caick fala sorrindo e olha para mim. Sorrio como maneira de concordância.
- Desde aquele dia no apartamento do Lusca, a Duda está estranha comigo - comentei, olhando para as ondas quebrando suavemente na praia enquanto esperávamos Marcos e Doarda chegarem.
O sol brilhava intensamente, refletindo nas águas, mas minha mente estava em outro lugar. Em outra pessoa. Gab me encarou, a expressão dele era de preocupação misturada com uma curiosidade que eu não conseguia ignorar.
- Estranha como? - perguntou Caick, brincando com a areia entre os dedos.
- Tipo... ela parece meio distante, sabe? - continuei, suspirando. - Pensei que tivéssemos bem desde aquele dia, mas agora é como se houvesse um muro entre a gente.
Gab desviou o olhar para o horizonte, como se quisesse me contar alguma coisa. Ou como se estivesse com as respostas. Antes que eu pudesse perguntar mais, ele se levantou rapidamente.
- Vou dar uma olhada no mar - disse, afastando-se antes que eu pudesse insistir.
Fiquei ali, observando as ondas com uma sensação de frustração e confusão. O que estava acontecendo entre mim e Duda? O silêncio de Gab só aumentava minha inquietação.
Meus pensamentos logo mudaram para Matteo. Ele tinha me surpreendido com flores na semana passada. Lindas flores, cheias de cores vibrantes que pareciam refletir sua personalidade extrovertida. Tudo bem que eu não era meu tipo, mas gostava da maneira como ele demonstrava atenção.
- Ele é divertido mas eu não sei.- murmurei para mim mesma, um sorriso involuntário surgindo ao lembrar das conversas que compartilhamos. Mas havia algo mais.
- Mas ele não exala tanta confiança - continuei pensando em voz alta quando Gab voltou, agora com os pés molhados pela água do mar. - Às vezes parece inseguro em relação a si mesmo. Não quero levar isso muito a sério, sabe? Tentei conversar sobre isso essa semana, mas tudo foi tão cansativo.
Gab me olhou com um olhar compreensivo enquanto secava os pés na areia.
- É bom ter cautela - ele disse suavemente. - As coisas podem ser complicadas e não do jeito que planejamos.
Eu assenti, mas minha mente estava longe. A Duda e suas mudanças de comportamento me deixavam inquieta, enquanto Matteo ocupava outro canto dos meus pensamentos. Por que eu tinha que ficar pensando tanto? O coração parecia querer seguir um caminho diferente da minha razão.
Enquanto o som das ondas preenchia o ar ao nosso redor e o calor do sol aquecia nossas peles, eu sabia que precisava entender melhor o que estava acontecendo ao meu redor. E ali entre as expectativas de Marcos e Doarda chegarem, eu esperava encontrar algumas respostas.
E nem demorou tanto tempo, logo me vi perdida naqueles olhos verdes e sorriso sincero.
Duda estava linda. Antes de vir ela retocou as mechas vermelhas, então o cabelo estava impecável. Ela parecia tranquila e sorria levemente enquanto conversava com Gab que saiu correndo assim que á avistou.
-Boa tarde, meus amores. -ela se aproxima e coloca sua ecobag próxima de mim. Os nossos olhos nem se cruzam e é como se ela me ignorasse.
Ela logo começa a conversar com os meninos e algumas vezes o seu olhar quase se encontra com o meu, mas ela desvia rapidamente.
-Vou buscar algumas cervejas no quiosque da frente, alguém precisa de alguma coisa? -me levanto e ajeito meu cabelo.
-Não Sofi, obrigado. Mas a Duda vai com você. -diz Gab enquanto Duda o fuzila com o olhar.
-Não precisa Duda, não quero te atrapalhar.
-Eu vou? Não é... desculpa Sofi. Eu vou com você. -e pela primeira vez ela me encara com alguns segundos, e só desvia do meu olhar para falar algo com Gab. Ele sabe de alguma coisa e eu vou descobrir.
Começamos a andar em silêncio enquanto o vento batia em nosso rosto. A praia não estava cheia e isso contribuía para a tensão que estava entre nós duas. Era como se duas estranhas estivessem sendo obrigadas a socializar. O silêncio permaneceu até chegarmos no quiosque e eu pedir uma grade de cerveja.
Duda se senta em uma banqueta e bate seus dedos freneticamente no balcão olhando para o lado oposto ao que eu estava. Sinceramente eu não poderia perder a oportunidade de falar com ela, então sento do seu lado.
-Até quando vai fingir que não existo? -ela me encara e vejo o seu corpo se arrepiar.
-Eu não estou te ignorando. -diz baixo como se sua garganta estivesse presa.
-Será? Porque nem olhou para mim em todo o momento em que estávamos com os meninos. Tanto que o Gab te obrigou a vir até aqui. -ela não me responde e olha para baixo.
-É tão difícil olhar para mim Duda? O que diabos eu fiz para você?
-Só achei que não precisava da sua segunda opção, já que está tão próxima do Matteo. -diz me olhando como se esperasse justificativas.
-Está com ciúmes dele, Duda? -sorrio de leve e ela desvia o olhar.
-As cervejas Sofia. Muito obrigada moço. -diz enquanto pega o celular para fazer a transferência.
-Eu vou pagar, Eduarda. Não se preocupe. Pegue as cervejas e só me espera.
Ela permanece em silêncio e apenas faz o que pedi. Faço a transferência e saímos indo em direção aos meninos novamente.
-De onde tirou que é minha segunda opção?
-Às vezes parece que sou apenas isso. Você precisa conversar eu chego, te escuto e ficamos próximas o suficiente para nos beijarmos. No outro dia saí com seu namoradinho e adeus Eduarda. -fala tudo isso em um tom irônico enquanto caminha devagar.
Agora quem não sabe o que responder sou eu. Porra, estou provando do meu próprio veneno.
-Me desculpe Duda. Prometo que você é uma das pessoas mais importantes para mim. -paro de andar por um tempo e encosto em sua mão.
-Tá tudo certo. Não devia ter te ignorado a semana toda. -sorri de leve mas seu olhar era cheio de porquês.
Ficamos em silêncio. Não sabia como ela se sentia e isso me deixou aflita. Eu encarava os seus olhos verdes que me diziam mais do que inúmeras frases juntas. Eu só não sabia o que significava. Antes que o clima pese mais uma vez eu pronuncio:
-Eu amo você Dudis, e ninguém que aparecer na minha vida vai mudar esse fato. -abraço ela de lado e deixo um selar de lábios no canto da sua boca como forma de carinho.
Ela suspira em alívio e não diz nada. Acho que está um pouco nervosa, já que não para de mexer os dedos. Depois disso andamos até os meninos mais leves e sem desentendimentos.
De fato eu não menti em nada o que disse, só não quero perder a Duda por alguém que não sei se quero levar adiante.
E se ela fosse quem eu queria levar adiante?
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Entre sonhos e realidades - Soarda
Fan-FictionEntre risos, confidências e desafios emocionais, as duas exploram o que significa amar e ser livre em um mundo que muitas vezes parece sufocante. Enquanto Doarda se confronta com seus medos e desejos, ela descobre novas facetas de si mesma e do amor...
