Pov - Gabriela Guimarães
Sinto um grande desconforto. Estava de volta ao Brasil; faltavam apenas dois anos para as Olimpíadas de Paris, e isso estava me deixando cada vez mais ansiosa. Era a última Olimpíada da Thaisa, e quero que ela leve o ouro para casa, ainda mais depois do acidente dela. Ela é um modelo de superação. Então sei que ela merece, mas também as meninas novas que foram convocadas para o time; elas precisavam dessa alegria, ainda mais depois da última Olimpíada em Tóquio. E sei que também mereço isso. Estou dando tudo de mim para estar na minha melhor versão para os Jogos Olímpicos.
Dentro de algumas semanas começaria o treino para iniciarmos a VNL (Liga das Nações de Vôlei). Estávamos nos preparando mais do que nunca. Perdemos o campeonato há alguns anos, sempre indo, sempre chegando à final, sempre batendo na trave, mas nunca chegando lá, nunca conseguindo essa maldita medalha de ouro. Não queria perder novamente. Não posso fazer isso. Sou capitã desse time e não posso decepcionar minhas meninas novamente. Não de novo.
Estava no apartamento que tenho em São Paulo, mas fazia tanto tempo que não vinha aqui que esse colchão, com toda certeza, iria machucar minhas costas - Tenho que jogar isso fora - digo ao me virar na cama, procurando uma posição confortável. Meus olhos passam pelo porta-retrato na escrivaninha: uma foto com uma pessoa que não merece ser nomeada, me abraçando. Tomo coragem e me levanto, faço minhas higienes e preparo meu café da manhã, que consiste em tapioca e ovos - Preciso fazer compras - digo ao olhar a situação em que se encontra a minha geladeira. Hoje tinha uma reunião com uma marca de roupas esportivas chamada Deabs. Era uma marca que tinha peças boas, pensadas no conforto feminino. Antes de aceitar qualquer campanha, sempre faço minha lição de casa; tenho que pensar em todas as possibilidades.
Após tomar meu café da manhã, vou me trocar e coloco uma roupa um pouco mais social para a ocasião. Depois de me perfumar, desço até o térreo, onde encontro Sophia, minha amiga de longa data, que também me ajuda com as minhas redes sociais e publicidade. Assim que entro no carro, escuto a música tocando no rádio. Ela estava cantando alguma música de uma artista pop que nem sei quem é - Não tem um MPB? Ou até mesmo um samba? - pergunto curiosa. Não sou muito do tipo pop - Vai ter que aguentar até chegarmos lá - diz ela, e voltando a cantar - Da próxima eu vou de Uber - digo, vendo ela rir. Depois de alguns minutos, chegamos ao prédio. Ele era enorme; fazia tempo que não voltava para São Paulo.
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Entre Redes
Ficțiune adolescențiDuas vidas podem se cruzar de maneira tão inesperada assim? Victória é apenas uma analista de marketing dedicada que está começando a estrelar em sua carreira, vive em correria de lançamentos e campanhas publicitárias em São Paulo. A rotina bem plan...
