Vivendo uma fanfic??

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Pov - Victória 

Moro na zona leste de São Paulo. Estava dentro do metrô, já perto do trabalho, vendo como a vista dessa cidade muda ao passar de cada estação. Já estava há quase duas horas dentro do transporte, e essa era a minha vida desde que decidi entrar nesse ramo do marketing.

A empresa ficava na zona sul da cidade, por isso eu tinha que viajar quase a cidade toda para chegar lá. Assim que desço da estação, vou até a cafeteria mais próxima e compro um café médio e um pão de queijo, que dão um total de quase R$ 30,00. Para alguns colegas meus de trabalho isso é incrivelmente barato, mas para mim isso é praticamente um assalto. Já estou há três anos nessa empresa e ainda não estou acostumada com esse tipo de situação.

Assim que saio da cafeteria, olho para o lado e vejo o prédio cheio de espelhos, tão reluzente que chega a brilhar. A ala onde trabalho é quase no último andar. Assim que chego, vejo que estava quase atrasada — e olha que saí sem tomar café para chegar no horário. Assim que as portas do elevador se abrem, vou correndo até a minha mesa para bater o ponto eletrônico, mas esbarro em alguém, quase derrubando meu café da manhã no chão.

Ei, tome cuidado — diz a pessoa, com uma voz doce e preocupada. Uma voz que eu conhecia, mas não de amigos ou conhecidos. Meu olhar sobe lentamente até a pessoa e vejo seus cabelos cacheados e seu sorriso, que me deixa mais nervosa do que eu já estava. Era a atleta de vôlei Gabriela Guimarães. Praticamente engulo em seco. — Eu... me desculpa... — digo, nervosa, e sinto ela pegando uma das minhas mãos e me ajudando a levantar. Olho até meu café que, por alguma sorte do destino ou do meu anjo da guarda, não tinha sido derrubado; senão, o estrago teria sido bem maior.

Só tome cuidado, pois você poderia ter se machucado — diz ela. Sorrio fraco para ela, que segue até a sala de reunião, onde eu também deveria estar. Vou até a minha mesa, pego o notebook da empresa, deixo meu café da manhã para depois e sigo para a sala de reunião, onde a minha chefe estava com um olhar demoníaco, como se quisesse me matar.

Entro sem fazer um piu e me sento ao lado da Ariel, apenas prestando atenção. Minha chefe falava que a Gabi seria uma das estrelas de uma das nossas mais novas campanhas olímpicas. Ariel me cutuca; ela sabia que eu tinha uma queda pela jogadora desde os meus 15 anos de idade.

Apenas fico em silêncio. Já estava sendo encrencada demais por um dia. Foram muitas emoções em menos de 15 minutos; só tento controlar minhas emoções, se isso é possível para mim.

Assim que estava prestes a sair da sala de reuniões, escuto minha chefe me chamando:
Victoria, pode vir aqui, por favor? — diz ela, com um tom de voz meio ríspido. Vou até ela, suando frio.
Sim, senhora? — digo.
Ariel me contou que você é uma grande fã de esportes, por isso quero que você fique firme nessa campanha. Isso inclui chegar no horário — diz ela. Engulo em seco.
Prometo que isso não vai mais se repetir — respondo, com um sorriso fraco.
Como você é uma grande fã, deve acompanhar a Gabriela nas redes sociais — diz ela, sentando-se em uma das cadeiras.
Sim — respondo, me perguntando o porquê de tantas perguntas.
Quero que você saiba de tudo sobre a Gabriela. Essa campanha não pode dar errado. Você está me entendendo? Ela é uma das maiores jogadoras que temos no momento, então precisamos disso — diz ela. Mal sabe que eu já sei a maioria das coisas que ela quer que eu saiba.
Ok, pode deixar. Vou fazer uma grande pesquisa e mandar um relatório para a senhora até o final do dia — digo, sorrindo fraco.

Volto para a minha mesa e vejo Ariel surtando com a novidade.
Você sabe que esse é o sonho de qualquer pessoa que lê fanfics. Você sabe bem disso: vocês duas vão se apaixonar e vai dar tudo certo! — diz ela, já virando a batatinha.
Só você acredita nisso. Vai ser uma campanha comum, e ela vai embora. No máximo, vou conseguir uma foto com ela — digo, sem expectativa nenhuma.

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