Capítulo 39

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Dilara estava sentada no chão, com as costas encostadas na cama de Aslan, um quarto que antes vibrava com risadas e brincadeiras, agora parecia um santuário silencioso. As paredes estavam adornadas com desenhos coloridos de super-heróis e animais, mas tudo ali parecia desbotado, como se a luz tivesse sido drenada do espaço. A luz suave da tarde filtrava-se pelas cortinas, lançando sombras longas e tristes ao redor.

Ela segurava uma camisa azul, a favorita de Aslan, que ainda exalava um leve perfume de sabonete infantil. Ao levar a peça ao nariz, Dilara fechou os olhos por um momento, tentando capturar a essência do filho que parecia tão distante. O cheiro a envolvia como um abraço caloroso, mas também a lembrava da ausência avassaladora que agora preenchia o quarto.

As lágrimas já não escorriam mais; seu rosto estava marcado pela dor silenciosa. O tempo parecia ter parado ali, e cada segundo se arrastava como um peso insuportável. Ela sentia uma angústia profunda, como se o coração estivesse preso em um labirinto sem saída. A saudade era um eco ensurdecedor que ressoava em sua mente, lembrando-a das risadas e dos momentos simples que agora estavam perdidos.

Reis observou Dilara da porta por um tempo que pareceu interminável. Ele queria confortá-la, mas as palavras pareciam inadequadas e vazias diante da dor que ela carregava. Aproximou-se lentamente, seus passos abafados pelo tapete macio do quarto. Ao ficar ao lado dela, sentiu a tensão no ar - uma mistura de tristeza palpável e uma angústia que o envolvia como uma névoa densa.

Ele se agachou para ficar ao nível dela, mas não disse nada. Em vez disso, ofereceu sua presença como um porto seguro em meio à tempestade emocional que Dilara enfrentava. Ela olhou para ele com olhos cansados e profundos, refletindo a dor que compartilhavam em silêncio.

O quarto estava imerso em um luto silencioso; cada brinquedo esquecido e cada parede decorada contava uma história de felicidade agora ofuscada pela tristeza. Dilara respirou fundo, tentando encontrar alguma força dentro de si, enquanto Reis estendia a mão para tocar suavemente seu ombro —um gesto simples que falava mais do que mil palavras poderiam expressar.

—Dilara, precisamos conversar— ele disse, a voz trêmula.

Ela olhou para ele, a dor refletida em seu olhar.

—Conversar? Sobre o que, Reis ? O que mais você pode dizer que vai mudar o que aconteceu?

Reis respirou fundo, tentando encontrar as palavras certas.

— Eu sei que te machuquei de uma maneira irreparável. Mas eu não consigo parar de pensar no que aconteceu com o nosso filho...

Dilara interrompeu, a voz embargada.

—Não fale dele! Você não tem o direito! Eu... eu não consegui aceitar essa gravidez. Quando soube, meu coração despedaçou. Como eu poderia amar uma vida que veio de tanta dor?

Reis se aproximou, desesperado.

—Dilara, você não pode se culpar por isso! A culpa não é sua!

Ela balançou a cabeça, as lágrimas escorrendo.

—Mas eu me sinto culpada! Eu rejeitei essa vida porque me senti tão suja e perdida. Eu não queria que ele nascesse... E agora ele se foi!

Reis ficou em silêncio por um momento, sentindo o peso das palavras dela.

—Eu entendo o que você está dizendo. Mas você não poderia saber como isso ia acabar. Ninguém poderia prever...

—Mas eu deveria ter tentado!—Dilara gritou.—Eu deveria ter lutado por ele! Agora sinto como se tivesse matado meu próprio filho ao rejeitá-lo antes mesmo de nascer!

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