03 de fevereiro, Roma, Città del Vaticano
Num dos quartos do Palazzo Apostolico, o cardeal Ardicino della Porta estava em sua cama, deitado. Ao seu lado, estava um médico, que possuía uma maleta repleta de frascos e soluções. O homem media o pulso do clérigo, tentando saber como estava o seu coração. O sangue estava bombeando muito rapidamente para alguém que acabara de acordar. O cardeal estava febril e dormente. Parecia não ter forças nem mesmo para falar. Sua pele estava pálida.
— Parece-me anemia, Reverendíssimo. Vossa Eminência tem tomado cuidado com a sua situação cardíaca? Tem se alimentado bem?
— Bem... Eu... Sim, eu tenho tentado.
— Me parece estar sofrendo de ressaca. Bebeu muito na noite passada?
— Um pouco.
— Tem evitado o estresse, cardeal?
— Não. O meu trabalho é muito estressante. Eu tentei pedir uma licença há um ano, mas os cardeais recusaram o meu pedido.
— Talvez, deva se retirar de Roma, por um tempo. Vou dar o meu diagnóstico ao Santo Padre e ele certamente irá considerar a sua retirada.
— Eu não posso. Preciso permanecer aqui.
— Por qual razão?
— É um pouco complicado de se explicar. Ainda tenho riscos de infartar?
— Se não acalmar os seus ânimos e não aliviar o estresse, talvez possa infartar muito em breve. Todos os extremos fazem mal. Tente procurar um equilíbrio.
— O que o senhor sugere?
— Alimente-se melhor e regularmente, evite o excesso de açúcares e sais, encontre uma atividade que lhe traga calma e paz, medite, durma cedo e acorde um pouco mais tarde. Vai sentir-se muito melhor.
— E quanto à anemia?
— Vou preparar uma solução para que a tome por duas semanas. Caso persistam os sintomas, terei que dobrar a quantidade de vitaminas. Por ora, deixarei um frasco de chá de ervas medicinais. Deve tomá-lo a cada doze horas. Sugiro que se retire para o seu palácio, na Via Sant'Angelo.
— Grazie, signore.
O médico apanhou uma xícara e despejou o líquido verde no recipiente. O cardeal se esforçou para sentar-se na cama. A xícara foi servida e entregue nas mãos trêmulas do cardeal, que bebeu o seu líquido amargo, fazendo uma careta logo em seguida. O médico segurou-se para não rir do rosto do cardeal.
Quando recebeu o pagamento, foi-se embora dali. O cardeal deitou-se novamente na cama, com a cabeça envolvida em panos úmidos, com um balde d'água ao lado do leito.
Enquanto isso, os dois irmãos, Lucrezia e Cesare Borgia, foram visitar a mãe. Ao chegarem no Palazzo Borgia, foram recebidos por seus leais serviçais.
— Onde está a nossa mãe? — Indagou Lucrezia ao servo.
— Deitada em seu quarto, minha senhora.
— E o meu irmãozinho, Gioffre?
— Dormindo, minha senhora. Ele teve um dia cheio no dia anterior.
— Obrigada. — Agradeceu ela, sorrindo.
Os irmãos subiram as escadas, calmamente. Diante da porta do quarto da mãe, Cesare bateu à porta. Esperaram.
Não obtendo respostas, Cesare tornou a bater.
— Mãe, somos nós, Cesare e Lucrezia. Viemos vê-la.
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Os Borgias - Parte I - Ego Sum Papa
Historical Fiction💢💢Atualizações suspensas (ler avisos) Em 11 de agosto de 1492, subiu ao Trono de São Pedro Rodrigo Borgia, conhecido como "Il Valenciano", assumindo o nome Alexandre VI. Com o seu poder, fez da família Borgia uma das mais poderosas da Itália, ame...
