28 de agosto, Palazzo della Cancelleria, Roma
No Palácio da Chancelaria, onde também encontrava-se a Tesouraria da Santa Madre Igreja, Alessandro Farnese preparava-se para o jantar daquela noite. Havia convidado Cesare Borgia para estar com ele. Embora o Borgia tivesse desconfiado das reais intenções do cardeal, acreditava poder descobrir alguma coisa de Farnese.
Quando anoiteceu, Cesare chegou ao palácio, sendo recepcionado pelos mordomos de Farnese, que serviram ao seu pai antes de tornar-se Papa. Cesare foi conduzido à sala de jantar, onde Alessandro Farnese o aguardava.
— Saudações, Vossa Eminência Cesare Borgia. — Disse Alessandro, sorrindo para o filho de Il Valenciano.
— Vejo surpresa em seu rosto, Farnese.
— Eu apenas não esperava que fosse vir com roupas tão inadequadas para um cardeal. Vestes negras e couro não é nem um pouco religioso.
— Assim como eu.
— Religioso ou não, sempre será um cardeal. Nunca houve um cardeal destituído de seu cargo na história de Nossa Santa Madre Igreja.
— Sempre tem uma primeira vez. Talvez, nesta era de descobertas, um cardeal possa ser destituído de seu cargo pela primeira vez na História.
— Sente-se, Cesare. Temos muito o que conversar.
O cardeal sentou-se coçando a cabeça.
— Piolhos? — Indagou Farnese, servindo-se com vinho.
— Apenas coceira, cardeal.
— A coceira não é repentina. Algo deve provocá-la, Eminência. Preocupações, sujeira, poeira, piolhos, caspa. Infortúnios comuns, Cesare.
— Minha única preocupação é com o exército francês. Aquelas bestas já começaram a marchar. O filho do Rei de Nápoles acaba de passar pela cidade para procurar apoio na Romanha.
— E a sua irmã encontra-se na Romanha, por onde deverá caminhar o Rei Carlos VIII. Ele chegará na cidade de Rimini pela Via Emilia e descerá pela Via Flamínia , que passa por Pesaro.
— Teme mais os franceses ou perder a sua irmã?
— Que a Itália queime no mármore do Inferno, mas que minha Lucrezia seja poupada dos bárbaros.
— Palavras fortes. Vinho?
Cesare estendeu a taça para Alessandro, que a enchia com delicadeza.
— Pensei que um cardeal tivesse muitos empregados.
— Não preciso de empregados agora. Não quero que nada nem ninguém nos interrompa.
— E por que tanto interesse por mim, Alessandro?
— Roma o ama tanto quanto o Papa Alexandre VI quando foi eleito. O Sumo Pontífice fez um excelente trabalho acabando com a criminalidade e as guerras entre Orsini e Colonna. Porém, acabou magoando os Savelli e os Conti, acabando com os seus privilégios na cidade, e enfurece os Orsini e Colonna fazendo o mesmo. Fez todos os cardeais pagarem as suas dívidas, cobrou a manutenção dos Exércitos Papais de Nápoles e ainda tenta unir a Igreja e a Contra-igreja...
— Contra-igreja? É assim que chamam um Antipapa e seus cardeais?
— Della Rovere não é um Antipapa, pois não reclama o Trono de São Pedro para si.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Os Borgias - Parte I - Ego Sum Papa
Ficção Histórica💢💢Atualizações suspensas (ler avisos) Em 11 de agosto de 1492, subiu ao Trono de São Pedro Rodrigo Borgia, conhecido como "Il Valenciano", assumindo o nome Alexandre VI. Com o seu poder, fez da família Borgia uma das mais poderosas da Itália, ame...
