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 28 de junho, Castello Colonna, Genazzano

Naquele dia, Cesare e Sua Santidade partiram para Genazzano. Antes de deixarem Roma, Cesare instruiu a Micheletto que cuidasse dos demais mercenários enquanto estivesse fora. O Papa iria se reunir com os Colonna sobre a sua recente declaração de apoio ao Rei da França.

Assim que chegaram diante uma ponte com a comitiva papal de soldados fortificados com armaduras de placa e elmos reluzentes, portando as bandeiras dos Estados Pontifícios, os portões foram abertos. Enquanto prosseguiram sobre a passagem, viam apenas as ruas da cidade. A passagem era precedida por uma floresta. Assim que cruzaram a passagem, foram levados para os irmãos Fabrizio e Prospero Colonna, na sala de reuniões.

Assim que adentraram a sala, os Colonna prestaram reverência ao Papa, beijando o seu anel. Assentados sobre suas respectivas cadeiras, começaram a reunião proposta pelo Papa.

— O que Sua Santidade deseja dos Colonna? — Indagou Fabrizio.

— Querem tomar mais propriedades da nossa família, Borgia? — Disse Prospero, irritado.

— Queremos falar sobre o seu posicionamento sobre a ameaça francesa. — Respondeu Cesare Borgia.

— Nós apoiamos as reivindicações de Carlos VIII ao Reino de Nápoles por uma razão: Ferrante nos odiava e seu filho também. Carlos VIII, por outro lado, nos pagou bem para o hospedarmos e trabalhar como condottieri. — Disse Fabrizio. — Portanto, estamos à serviço de Sua Majestade, o Rei da França.

— Ele os pagou? — Indagou Sua Santidade.

— Não, mas Della Rovere nos disse que pagaria bem assim que chegar ao Lácio.

— Creem em Della Rovere, mesmo sendo aliado dos Orsini?

— Nós e os Orsini estamos em quase perfeita harmonia, Santidade. Nossas disputas cessaram, por ora. A guerra nos uniu, Santo Padre.

— Nós fizemos um acordo. Sem hostilidades entre nós, sem disputas. O fizemos um pouco antes da morte do Papa Inocêncio VIII, quando estava doente. Graças a nós, Roma não caiu em anarquia enquanto a Sé estava vacante. — Complementou Prospero.

— Sim, eu me lembro. Vocês dois cuidaram das pequenas rebeliões em Roma e mantiveram a paz nas ruas.

— Desde então mantemos uma relação não conflitante. Ruas sem sangue foi um dos prometidos entre nós. Não atacamos fortalezas nem vilarejos. — Continuou Fabrizio.

— Mas não conseguiram manter a paz. As ruas continuam banhadas de sangue todos os meses.

— Isso foram disputas com os Borgia, não disputas entre nós. — Respondeu Prospero Colonna.

— Estamos aqui para resolvermos as nossas diferenças e nos unirmos contra a separação. — Disse o Pontífice.

— Combater a separação, ou nos submetermos ao seu jugo? São coisas diferentes, Santidade.

— Se se unirem a mim, eu farei de você Gonfaloneiro da Santa Igreja e a Fabrizio, eu darei as chaves de uma fortaleza que foi vendida ilegalmente pelo filho do Papa Inocêncio.

— Agradecemos a sua proposta, Santo Padre, mas já firmamos um acordo menos arriscado com Della Rovere e o Rei da França. Além disso, os Orsini estão caminhando para o nosso lado. Ainda são resistentes apenas porque esperam as ordens do cardeal. No final das contas, vocês, Borgia, estarão sozinhos. Au revoir les catalans. — Disse Prospero Colonna, deixando a sala, rindo.

Os Borgias - Parte I - Ego Sum PapaOnde histórias criam vida. Descubra agora