Palazzo della Cancellaria, Via dei Banchi
No Palácio da Chancelaria, Alessandro Farnese estava sentado sobre a sua cadeira, fazendo o trabalho de contador. O palácio também servia como Chancelaria, servindo como residência ao cardeal Ascanio Sforza, que passaria ali a sua última noite, antes de partir para Milão. A fim de descobrir a posição de Alessandro, o cardeal Sforza foi até o seu escritório, que era decorado com alguns afrescos da Mitologia Romana, onde Pluto e Dionísio se destacavam. O Vice-Chanceler adentrou o lugar, sem bater à porta. Alessandro assustou-se, tremendo o traço da escrita do seu relatório.
— Perdoe-me o incômodo, Eminência.
— Poderia ao menos ter batido à porta, Vice-Chanceler. O que deseja?
— Pensei que estaria ocupado demais para me receber.
— A sua cordialidade é espantosa para um homem que fala de mim pelas costas. Diga o que quer. Tenho muito o que fazer aqui.
— Tem razão, cardeal Farnese.
— Então, lembra-se do meu nome? Poderia jurar que ainda achava que meu nome era "Fregnese".
— Sempre soube o seu nome. Sabe, Alessandro, Sua Santidade está um pouco enérgica ultimamente, desde que Lucrezia e a sua querida irmã, "La Bella" Farnese, deixou a cidade.
— E o que eu tenho com isso?
— Pensei que poderia saber a razão. Sua irmã é a amante preferida do Papa e poderia ter lhe contado algo que o Colégio de Cardeais não saiba. O vi muito próximo de Cesare Borgia hoje. Talvez, ele tenha lhe dito algo que possa nos ajudar a entender as atitudes de Sua Santidade.
— Eu não sei de absolutamente nada. Cesare apenas me disse que iria para Nápoles para casar o irmão com a neta de Ferrante.
— Eu acredito que, talvez, ele esteja em abstinência. Desde janeiro, nenhuma mulher veio ao Vaticano, exceto uma freira, mas ela se distanciou e desapareceu.
— Acha que o Papa dormiu com a freira?
— Eu não sei. Soube de muitas peripécias de Sua Santidade quando ainda era cardeal. Doze filhos foram identificados, todos bastardos de, pelo menos, quatro mulheres diferentes. Podem haver muitas mais. Uma dessas mulheres, pelo que soube, era uma freira valenciana, a qual cometeu suicídio quando descobriram que havia quebrado os seus votos de castidade.
— São boatos, cardeal Sforza.
— Em todo boato há um pouco de verdade. O que pensa sobre os muitos boatos da família Borgia: assassinatos, luxúria, simonia, nepotismo, ganância...?
— Eu prefiro não me posicionar contra Sua Santidade.
— A quem ama mais, cardeal Farnese, a Santa Madre Igreja ou à Sua Santidade o Papa Alexandre, o sexto com este nome?
— Está tentando me colocar contra o Papa, cardeal Sforza. Eu sou contra as imoralidades humanas, amo ao Papa e a Santa Madre Igreja. Morreria pela Igreja, se for necessário.
— Abstendo-se da sinceridade, duvido que tenha tais intenções.
— Eu nunca vi Sua Santidade cometer erro algum, apenas cair no pecado da luxúria e no pecado da ira.
— O pecado que lhe fez cardeal. Muito conveniente.
— Escolhendo-me pela minha irmã ou pelas minhas contribuições à Igreja, não me incomodam os seus comentários.
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Os Borgias - Parte I - Ego Sum Papa
Historical Fiction💢💢Atualizações suspensas (ler avisos) Em 11 de agosto de 1492, subiu ao Trono de São Pedro Rodrigo Borgia, conhecido como "Il Valenciano", assumindo o nome Alexandre VI. Com o seu poder, fez da família Borgia uma das mais poderosas da Itália, ame...
