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Palazzo Colonna, Piazza Sancti Apostoli

No palácio do cardeal Della Rovere, que pertenceu à família Colonna até a morte do Papa Martinho V, em 1431, Cesare e Micheletto investigavam a antiga residência do cardeal. O palácio estava vazio, contendo apenas sentinelas para manterem os pertences intactos.

Passaram pelos corredores, os quais eram decorados com iluminuras de putti em afrescos e, sobre as portas, eram feitos em relevo sobre mármore. O teto era decorado com a insígnia dos Della Rovere. Em outros corredores, haviam estátuas de corpos nus de Hércules, Órion, Jesus Cristo com sua cruz, Arquimedes, Teseu arrancando a cabeça de Medusa e outras figuras mitológicas. As esculturas foram feitas pelo grande Lucca della Robbia. Os afrescos foram feitos por outros artistas. Marcello Figolino foi responsável pelo teto do lugar, o qual também contou com a ajuda de Lucca; Vicino da Ferrara foi responsável pela representação dos 12 apóstolos enquanto vivos e as suas mortes, demonstrando a sua fé e cristandade; Ippolito e Pietro del Donzello foram responsáveis pelo preenchimento das salas do Palazzo del Vaso, o qual é a primeira parte que passou à posse dos Della Rovere, fazendo artes sacras focadas na Virgem Maria e os 33 milagres de Jesus Cristo; Antonia di Paolo di Dono, enquanto era freira carmelita, trabalhou numa obra que ficou inacabada, a qual representava a crucificação, porém concluiu a Anunciação, sem chegar a começar a Coroação da Virgem Maria no refeitório do palácio; uma pequena saleta foi dedicada aos santos Francisco, Agostinho, Tomás de Aquino, São Gregório Magno e São Leão Magno, sob o pincel de Carlo Crivelli; O jovem Lorenzo Costa embelezou o quarto do cardeal com afresco da Sagrada Família e iluminuras dos 12 Santos Apóstolos; Sandro Botticelli, quando esteve em Roma, trouxe uma encomenda feita pelo cardeal: uma estátua de Jesus Cristo em tamanho real feita de mármore e pintada pelo próprio Pinturicchio, que contribuiu com alguns afrescos menores. A fachada foi embelezada levemente por Ippolito del Donzello. Tudo isso só foi possível graças à sua renda de 90 mil ducados anuais e ao seu falecido tio, o Papa Sisto IV, que habitou o palácio e o reformou junto ao cardeal Della Rovere.

Cesare e Micheletto adentraram o quarto do cardeal, onde havia nada mais que uma cama, uma estante, uma vela derretida sobre um prato, um armário com alguns livros, uma escrivaninha, uma cadeira, uma sapateira e um armário para roupas.

— Della Rovere gosta do estilo antigo. Uma mistura do arcaico com os novos estilos.

— Sim, Eminência.

— Seu gosto pela nudez é peculiar. Pensei que encontraria Vênus entre as estátuas, mas encontro apenas Cristo carregando uma cruz, cujas vergonhas são escondidas com um simples tecido.

Cesare foi diretamente para a escrivaninha enquanto Micheletto apanhava os livros e os deixava sobre a cama. Todas as gavetas e portas foram abertas e seus pertences deixados foram revirados. Roupas foram espalhadas; cartas inacabadas para as suas igrejas que estavam armazenadas foram lidas pelo Borgia; o enchimento da cama e dos travesseiros foram retirados para saber se algo estava ali, porém nada encontraram; todos os livros foram folheados, não contendo nada que fosse do interesse do cardeal.

— Se pelo menos a bastarda de Della Rovere ainda estivesse em Roma, poderíamos conseguir alguma coisa. Ele deve tê-la levado para Gênova. Maldito seja!

— Ela deve ter ido para Savona com a sua mãe.

— Ao que parece, você foi mais útil do que imaginei. O cardeal tem um palácio em Savona, então? Vá atrás de Felice. Traga-a como refém. Conhece algum grupo de mercenários na cidade?

— Não. Mas conheço alguns homens na Úmbria e na Marca que podem ser úteis. Mas precisarei de dois mil ducados de ouro.

— Esse é o preço deles?

Os Borgias - Parte I - Ego Sum PapaOnde histórias criam vida. Descubra agora