21 de abril, Città del Vaticano

O cardeal Ascanio Sforza havia retornado de Milão com as instruções de persuadir o Papa a permitir a passagem do exército francês, convocando um consistório. Naquele mesmo dia, a reunião foi feita. Ele também havia interceptado a carta enviada ao cardeal Della Rovere, a qual queimou para que jamais pudesse chegar ao destinatário. Com o Consistório reunido, Ascanio Sforza levantou-se, enérgico.

— O exército francês pede passagem pelos Estados Pontifícios. Maximiliano aprova a descida do Rei Carlos VIII. Alfonso, filho de Ferrante, desequilibra a paz com a ocupação de Bari e a tentativa de assassinato de meu irmão. A Serenissima não pretende envolver-se. Todos irão permitir a passagem do Rei Carlos VIII da França. Ferrandino, o herdeiro após Alfonso, irá pelejar sozinho contra os franceses enquanto nós assistiremos. Será uma carnificina. Devemos permitir a passagem real por Roma para evitar que sangue seja derramado. Quantos concordam?

Para a surpresa de Ascanio Sforza, nem mesmo Lonati, que era seu grande bajulador, ergueu a sua mão.

— Como vê, Ascanio Sforza, ninguém compartilha de seus pensamentos. — Respondeu o Papa.

— Santidade, eu recebi a resposta do cardeal Della Rovere ao seu pedido para que voltasse à Roma. A sua resposta foi a de que Carlos VIII iria cercar Roma e forçar um Conclave. Depois de ser eleito Papa, com a ajuda dos franceses, iria exilar Sua Santidade e toda a sua família, exonerando-os de todos os direitos para que morram todos na pobreza, em Valência.

— Esse, por acaso, não seria o plano de seu irmão?

— O Duque de Bari não quer o mal de Sua Santidade. Por favor, Santo Padre, deixe que os franceses passem. São bárbaros. Eles irão devastar a cidade. Acordos foram feitos com o Imperador e o Rei da Inglaterra, além de que a França possui afinidade com Ferrara, Saboia e Florença, embora ela tente uma vã aliança com Nápoles.

— Roma permanecerá firme. Analisaremos todas as preocupações italianas e as propostas minuciosamente para decidirmos o melhor para Roma.

— E quanto ao cardeal Della Rovere?

— O assunto referente ao cardeal Giuliano della Rovere não importa mais do que a estabilidade de Roma.

O cardeal Sforza sentou-se novamente. O Consistório foi dispensado. Assim que todos os cardeais saíram para fora, Ascanio Sforza correu para o Papa, que deixava a sala para ir às suas acomodações.

— Espere, Rodrigo! Por favor, entenda. Os franceses não estão vindo para brincar.

— Vocês chamam os francos para invadir a península, depois temem o que farão os franceses. O que exatamente Lodovico queria com isso?

— A deposição dos Trastâmara.

— Seu irmão é inconsequente, um tolo homem imprudente, um completo imbecil! Mesmo que a França conquiste Nápoles, Milão continuará sendo alvo das conquistas dos franceses. Milão alimentou uma serpente e ela irá envenená-los. A França irá atacar Milão assim que conquistar Nápoles. Você e o seu irmão estão tentando condenar a Itália à servidão à França e às intervenções constantes dos Habsburgo e da Espanha, que sempre virá com exércitos numerosos para guerrear. Nenhum outro lugar em toda a Europa é tão assediado quanto a Itália. Mas, ao que parece, os Sforza estão mais interessados consigo próprios do que com a integridade da Itália. Estão criando um novo Peloponeso a custo de uma satisfação que durará apenas mais alguns anos antes dos bárbaros os destruírem junto conosco.

— Não.

— Sim, Sforza.

— E o que você pensou quando recebeu os venezianos? Acha que Veneza fará alguma coisa? Basta que a França dê uma esmola maior e eles se voltarão contra a Itália!

Os Borgias - Parte I - Ego Sum PapaOnde histórias criam vida. Descubra agora