Capítulo 14 - Companheiro inesperado

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Respirei fundo, tentando acalmar a inquietação que se formava dentro de mim. Virei-me e falei em voz baixa, quase para mim mesma.

— Certo, vamos ver o que posso fazer.

Estendi a mão para tocar nela, mas antes que meus dedos pudessem alcançá-la, ela recuou suavemente, como se meu toque fosse um aviso. Sem dizer uma palavra, começou a caminhar em direção a uma bifurcação à frente. A cada passo, o som suave de seus sapatos ressoava pela rua vazia, e eu me peguei hesitando.

Ela parou brevemente, virando levemente a cabeça, como se esperasse que eu a acompanhasse.

Suspirei e, por algum motivo, decidi segui-la. Caminhei atrás dela, meus passos ecoando junto aos dela na noite silenciosa. Quando chegamos a um pequeno banco de madeira à beira de uma praça mal iluminada, ela se sentou sem pressa, como se aquilo fosse parte de uma rotina.

Eu me sentei ao seu lado, e por um momento, o silêncio pairou pesado entre nós. Senti uma leve pressão em minha mão, e quando olhei, ela me oferecia a sua. Algo em seu olhar vazio me fez hesitar, mas, mesmo receosa, acabei segurando sua mão, fria e estranhamente sólida.

Ali estava eu, sentada no meio da noite, de mãos dadas com uma mulher que eu mal conhecia. O vento soprava levemente, trazendo o cheiro das árvores e da umidade no ar, e o silêncio parecia se estender indefinidamente.

— Então — falei, tentando quebrar aquele silêncio incômodo — vai me dizer o que tá pegando?

Ela permaneceu imóvel, seus olhos fixos no horizonte, como se estivesse observando algo que eu não podia ver. Não disse uma única palavra. Apenas ficou ali, perdida em algum pensamento distante. Eu estava prestes a dizer algo novamente quando um homem se aproximou da praça.

— Boa noite — ele disse, de maneira casual — você tem horas?

Olhei para ele, um tanto surpresa pela abordagem repentina, e balancei a cabeça.

— Foi mal, não tenho relógio.

O homem deu de ombros, mas ao invés de seguir em frente, ele fez algo que congelou o sangue nas minhas veias. Ele se sentou. Mas não ao meu lado — ele se sentou em cima da mulher ao meu lado, como se ela não estivesse ali, atravessando-a completamente.

Minha mente demorou a processar aquilo. Eu não queria acreditar, mas a verdade era inevitável: a mulher ao meu lado... não era real. Uma criatura, uma visão, algo além da compreensão.

— Não é meio tarde pra você estar sozinha aqui? — O homem disse, olhando para mim agora com um sorriso estranho.

Levantei-me abruptamente, a mão fria da mulher deslizando das minhas, mas seu toque ainda parecia queimar em minha pele.

— É — respondi, tentando parecer calma. — Talvez seja.

O homem me encarou por um instante antes de levantar também, mas algo no jeito como ele olhava me fez sentir que ele sabia mais do que estava deixando transparecer. Eu me afastei, sentindo meus nervos à flor da pele, enquanto a mulher continuava sentada porém com um expressão de medo com um postura complementa defensiva.

Então, sem dizer mais uma palavra, comecei a andar de volta, meu coração batendo forte no peito.

Assim que comecei a fazer meu caminho, senti os passos abafados atrás de mim, comecei a caminhar mais rápido e consecutivamente entrei em disparada, parecia que não importava quanto mais eu corria, mais perto ele estava, parecia que aquela rua não tinha fim, parecia que não havia ninguém ali.

Eu torcia para ser só uma loucura da minha cabeça, que fosse apenas um assalto, eu ignorei tantas vezes o que minha mãe e Mia me disseram.

Vi aquele mulher novamente no meio do caminho, acabei desviando dela, aquela vez que a imagem dela aparecia, ela estava mudado, machucada, ferida e sangrando.

Rastro dos Antigos Terror imensurávelOnde histórias criam vida. Descubra agora