Horas depois Liu Mei e Mia haviam chegado em casa, a mãe delas ainda não parecia ter chegado, a casa estava silenciosa. Mia rapidamente se lembrou de que sua mãe tinha uma consulta médica então ela chegaria tarde hoje. As duas sentaram no sofá de casa e se encararam em silêncio.
— Me desculpa por lá fora, eu não sei o que aconteceu... Na verdade eu tenho uma hipótese. — Liu Mei pegou seu bloco de notas e escreveu mais algumas coisas.
— Como você se machucou?! E o que você tá escrevendo aí?! — Mia não estava conseguindo entender como estava se sentindo, tudo aconteceu tão rapido que sua mente não conseguiu processar.
— Eu consigo interagir com as criaturas, eu toquei nela, no entanto ela não era muito amigável, aí acabei levando uma mordida. — Liu Mei estava de cabeça baixa escrevendo no bloco.
— Isso foi imprudente, só você consegue ver essas coisas. Antes eu pensava que poderia ser de alguma forma sua imaginação ou que só era uma visão... Mas com esse machucado... você não pode mais interagir com essas coisas é perigoso demais.— Mia estava muito confusa com tudo que estava acontecendo, isso tudo era perceptível em sua feição.
Liu Mei olhou para sua irmã e percebeu que aquela criatura que ficava com sua irmã estava deformada, sem nenhuma forma. Não como as que estavam no parque, era diferente.
— Mia, acho que o que está acontecendo comigo é como um arco-íris...— Liu Mei ajustava seu óculos enquanto olhava para Mia.
— O que você quer dizer com isso? — Mia estava ficando cada vez mais confusa.
— Para se fazer um arco-íris é necessário sol e chuva, certo? No entanto isso está errado, é necessário um terceiro elemento, um observador. O arco-íris só existe por conta dos olhos do observador, se não houver ninguém lá, o arco-íris não existe.— Liu Mei fazia pequenos desenhos para ajudar o entendimento de Mia.
— Como você sabe tudo isso? Acho que você é algum prodígio ou algum gênio, não, pera isso é um teoria que já existe... Você só mudou as palavras. — Mia havia entendido o que Liu Mei estava dizendo.
— Eu pensei que isso fosse uma conclusão clara, eu li... Mas o meu e aquele são duas coisas bem diferentes! — Liu Mei coçava um pouco a cabeça ainda envergonhada.
— Mas pelo o que você disse, essas coisas não existiam, só que agora há você para observar esses fenômenos. — Mia coçava a cabeça enquanto tentava entender a situação.
Ela entregou o bloco de notas para Mia e explicou suas conclusões sobre o acontecimento. No entanto, parecia que Liu Mei queria fazer mais um teste.
Liu Mei deu um tentativa de soco na direção do ombro de Mia. Que acertou a criatura que parecia ter sentido o golpe mas não havia sido forte o bastante para expressar dor ou coisa do tipo. Mia olhou com cara de confusa sem entender nada.
— O que você está tentando fazer? — Mia olhava Liu Mei esperando uma explicação.
Liu Mei estava pronta para seu último teste, ela respirou fundo, seus lábios se afastaram lentamente, seus olhos piscavam sincronizados com sua respiração.
Ela sentiu uma vontade esquisita, um desejo gritando em sua alma, talvez fosse uma curiosidade ou coisa do tipo, aquele desejo gritou mais alto do que qualquer tipo de senso ou autocontrole de Liu Mei. Seus dentes rapidamente foram parar no braço da criatura de sua irmã.
Por um momento ela sentiu a sensação de pele em sua boca, logo em seguida um gosto bom, como o de uma bala macia de morango e que de alguma forma incentivou Liu Mei a continuar mordendo ao ponto de mastigar, era se a noção de Liu Mei tivesse desligada, na visão dela era como se ela estivesse comendo uma deliciosa bala.
Já para Mia era como se sua irmã estivesse mastigando o ar, no entanto, aos poucos Mia conseguia ver algo surgindo, parecia que a cada mordida de Liu Mei a criatura aparecia mais. Mia por um reflexo acabou se jogando para trás e caindo do sofá.
A criatura começou a ser sugada para dentro da boca de Liu Mei, ela parecia estar fora de controle como se ela estivesse se movendo por instinto.
Conforme ela sugava a criatura parecia estar tudo bem, era como engolir um espaguete de bala, todavia ao decorrer do processo aquele "espaguete" parecia ter ficado áspero garganta de Liu Mei como se estivesse tentando resistir, um gosto de fruta podre que havia sido pega de um valão.
Aquilo parecia rasgar a garganta dela, os olhos de Liu Mei se mexiam rápido como se fosse um pedido de ajuda, o resto de seu corpo não parecia responder.
No fim do processo Liu Mei sentiu como se sua barriga estivesse cheia, parecia que ela havia acabado de almoçar, espontaneamente ela começou a ter enjoo, acompanhado de ânsia de vômito, Mia após ver todo aquela cena rapidamente começou a dar tapas nas costas de Liu Mei na esperança daquilo que entrou sair, assim que ela segurou o cabelo de Liu Mei um lodo preto saiu da boca de sua irmã, acompanhado de um vômito de mesmo aspecto.
Mia pegou um pano e caminhou sem preocupações em direção a Liu Mei.
— o que foi isso? Você tá bem? — com um tom calmo disse Mia enquanto limpava o chão.
— eu não sei o que deu em mim, quando eu percebi eu já tinha comido aquela coisa — Liu Mei estava desesperada, ela segurou sua barriga por conta da sensação estranha no seu estômago.
Mia limpou o vômito e olhou para Liu Mei, parecia que Mia não estava se importando muito com a situação, era como se não existisse motivo para se preocupar!
— Você deveria parar com esses experimentos, por que não vai dormir um pouco? — Mia olhava para Liu Mei enquanto esperava a mesma ir para o quarto.
— Mas, você viu o que aconteceu aqui? Você tá brava comigo? Ou chateada? Triste ou algo do tipo? Eu fiz algo de errado?! — Perguntou Liu Mei enquanto se aproximava de sua irmã e abraçava suas pernas.
— Apenas vá para o seu quarto, eu vou limpar as coisas e arrumar a sala, descanse! — Mia estava muito fria sobre toda a situação.
Liu Mei foi para seu quarto com um silêncio, ela sentiu medo em insistir e Mia acabar se afastando dela ou coisa do tipo, ela apenas entrou em seu armário onde ficava parte das suas coleções de fotos.
— Quando eu estou muito mal o quarto do Pânico me ajuda a me livrar dos sentimentos ruins, eu só preciso ficar aqui um pouco e tudo vai passar. — Liu Mei encostou sua cabeça contra a parede como se estivesse viajando em um carro.
Liu Mei olhava para fotos que tinham na parede do armário, fotos de família, momentos bobos, e fotos de coisas que Liu Mei achou fofa ou interessante, aquilo fazia ela lembrar a essência dela, algo dentro dela dizia que aquilo seria complicado, aquelas memórias seriam diferentes, agora ela tem que conviver nesse novo mundo, enquanto ela estivesse ali ela estaria segura dos males que assombram ela.
Vários pensamentos vinham em sua mente, talvez Mia estivesse odiando ela ou só não estivesse se importando mais, o sentimento de solidão estava ali ao lado dela. Apesar de tudo Liu Mei sabia que enquanto estivesse ali estaria tudo bem. Era como se aquelas coisas estivessem batendo na porta no armário para pegar Liu Mei, mas está tudo bem, ali é um local seguro, Liu Mei fechou seus olhos e descansou um pouco.
Enquanto isso na sala Mia estava sentada após limpar toda a sujeira, por algum motivo ela não estava sentindo medo, ou preocupação em relação ao que acabou de acontecer. Na verdade era como se aquilo tivesse acontecido com alguém com que ela nem se importasse, algo estava impedindo Mia de se preocupar com sua irmã.
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Rastro dos Antigos Terror imensurável
ParanormalA pequena Liu Mei Huang, uma estudante comum do ensino fundamental, vê sua vida transformada em caos ao começar a enxergar monstros que só ela pode ver. Com suas visões perturbadoras, Liu Mei busca respostas desesperadamente, tentando entender por q...