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No quadragésimo dia do verão, Regulus saiu para pintar.

Ele voltou à faculdade onde havia tendo aulas durante as férias. Naquele dia, o professor sugeriu (mandou) que os alunos continuassem com os projetos que fariam parte do portfólio que o curso estava os ajudando a criar. No caso do Regulus, eram os desenhos e pinturas de homens, os quais ele não fazia muito.

Regulus então voltou ao quadro que começou a fazer de Sirius, semanas antes; sem fotos de referência, já que terminar uma obra apenas guiado pela imaginação e memória era outro dos desafios dessa fase do curso. Com a quadro a frente e todos os materiais que precisava a sua volta, ele se encontra sem saber como continuar.

Focado demais na peça à sua frente, Regulus não percebeu mais uma pessoa entrando na cena. Dorcas entrou no estúdio com passos silenciosos; não que ela precisasse, no estado que se encontrava, Regulus não perceberia sua chegada nem que ela estivesse de saltos.

Ela notou imediatamente que algo estava errado. Ele estava ali, diante do quadro, mas parecia distante.

- Ei, Regulus, tudo bem? - ela perguntou com um sorriso suave, aproximando-se da mesa onde ele estava, mas ele não a olhou imediatamente.

Regulus estava com o olhar fixo no quadro, mas não via nada. A tela de Sirius parecia uma confusão de cores e formas, e ele não conseguia encontrar o ponto de partida. Havia algo em sua mente que o estava travando.

Dorcas inclinou a cabeça para um lado e observou-o por um momento, como se estivesse tentando decifrar aquele silêncio que o envolvia.

- Você está... com dificuldade para encontrar o próximo passo? - ela perguntou com uma calma que parecia preencher o espaço.

- Parece que estou olhando para o quadro, mas não estou vendo nada. Não sei como continuar... - a voz dele estava carregada de frustraçãom

- Tem certeza que não é algo além do quadro? Algo mais, sei lá... na sua cabeça? - ela perguntou, os olhos penetrantes tentando alcançá-lo. ─ Foi... ver a sua mãe ontem? ─ A garota perguntou com cautela, sabendo do território sensível que entrava sempre que a mãe de Regulus era mencionada.

Regulus a olhou finalmente, os olhos verdes profundos com um toque de confusão.

── Não... Não, não fui. Na verdade ontem foi um dia bem legal.

Dorcas sorriu ao sentar-se no chão, se juntando ao amigo. Ela gostava quando Regulus tinha dias bons, sabendo bem como era seus dias ruins.

Regulus conheceu Dorcas em um de seus dias ruins. Ele se lembrava que, naquela dia, olhou pra ela e se perguntou desapontado porquê ele não gostava de mulheres, que deveria tentar e ficar com uma mulher como Dorcas e tudo seria tranquilo. Esse pensamento veio e foi bem rápido; não daria certo de qualquer forma; Dorcas é lésbica e muito orgulhosa.

── Ah é? O que fez ontem? ─ Dorcas perguntou, genuinamente interessada.

Dorcas era talvez uma das únicas pessoas que Regulus conversava de verdade, sem filtros na voz para parecer indiferente ou posturas para parecer mais sério. Contando com Pandora e Sirius, eram três pessoas. Bem, talvez quatro, mas isso Regulus não podia ter certeza, afinal de contas, assim que ele conseguisse a namorada, a amizade já era.

── Fui no cinema! ─ Regulus diz, com um sorriso menos entusiasmado do que pretendia; um pouco graças ao pensamento anterior. ─ Fui com o James, sabe? O amigo do Sirius.

── Aquele que você tava arrumando uma namorada? ─ Regulus acenou para a pergunta da amiga. ─ Legal! O que vocês foram ver?

Regulus hesitou em respondê-la assim que se deu conta da resposta.

92 DAYS. jegulusOnde histórias criam vida. Descubra agora