xv

511 69 30
                                        

No quinquagésimo oitavo (58°) dia do verão, James levou Lily até a faculdade para uma aula aberta.

Fazia quase uma semana desde a pequena festa na casa dos Potters, onde sua pequena chama de esperança havia sido apagada por uma gelada cascata de realidade ruiva e morena cacheada.

Apesar de tudo, James estava bem.

Levaria um tempo até que superasse que nunca, jamais, nunca, nunca ele poderia ter Lily. Afinal, Lily fora seu primeiro e talvez único amor; seria difícil de cortar a raiz de algo que havia sendo cultivado desde os tempo de início da escola. Mas James estava trabalhando nisso.

Não havia sido uma rejeição, pelo menos... Não era como se Lily tivesse ouvido James se declarar e dito "Não, eu não te quero", a garota nem ao menos parecia ter algum conhecimento sobre seus sentimentos; se Lily soubesse, com certeza não teria dito justo à ele sobre sua situação com Mary, não?

Você não conta à uma pessoa que te ama o quanto você ama outra pessoa.
Por consideração... Por pena.

Lily era alguém cheia de consideração, e talvez James quisesse que ela tivesse pena e ficasse por perto. Então, independente de qual fosse a verdade, ela funcionaria pra James hoje, no quinquagésimo oitavo dia do verão.

Vendo, enfim, uma cabeleira ruiva que brilhava ao Sol se aproximar, James se lembrou do porque aquele verão era tão importante, e o porque o quinquagésimo segundo dia daquele verão havia sido tão decepcionante. Ela estava ali, à sua frente, com um sorriso encantador que fazia seu coração bater mais rápido. Lily, com seus cabelos ruivos caindo em ondas suaves sobre os ombros, parecia brilhar sob a luz natural.

── James! ─ Ela chegou e já o agarrou num abraço. Ela estava animada, genuinamente alegre de vista, bem diferente da última vez que o James teve a chance de falar com ela dentro daquele armário. ─ E aí? Preparado? Eu trouxe todos os seus presentinhos... vamos estrear eles hoje. Cadê seu professor particular pra guiar a gente?

James ajustou os óculos, tentando disfarçar a inquietação que o invadia. Ele olha ao redor, mas com a intenção de afastar seus olhos do rosto sardento de Lily, e se encontra no lugar, seguindo com a garota ao prédio que entrou com Regulus na última vez que esteve ali.

A entrada no prédio foi tão cotidiana que deu a sensação que os dois jovens eram realmente estudantes dali.
Pelo o que James conseguiu ver pelo campus, muitos prédios daquela universidade estavam recebendo pessoas de fora, para apresentações, ou aulas também. Provavelmente um método para atrair novos estudantes.

A chegada até a sala de aula e a preparação foram tão natural quanto. Os dois trocavam algumas palavras ali e aqui, mas a cena era mais James sentado observando Lily mexer no cavalete e tela, checando suas tintas como um tique nervoso. James não pegou nada para a aula, simplesmente porque ele não ia fazer ela; mesmo que o plano de conquistar Lily estivesse de pé, ele se recusava a se humilhar diante de tantos artistas quando sua única habilidade na área eram os famosos bonequinhos de palito.

── Não quer tentar pintar também, James? ─ Lily perguntou a ele, sorridente. ─ Eu posso te ensinar umas coisinhas, 'pra você impressionar seu professor.

O tom final de Lily carregava um toque de provocação na qual James não poderia se importar menos.
Ele sentia que a qualquer momento Lily o questionaria sobre sua postura nervosa, como a boa amiga preocupada que ela é, e então ele deixaria escapar seu grande segredo sem um final feliz e, não só perderia Lily, a sua (im)possível namorada, mas Lily a sua amiga.

Claro, desilusões e rejeições são terríveis. James odeia levar um pé na bunda. Mas ele odiava perder amizades muito mais.

E por mais que Lily não parecesse perceber o modo incomum como ele se comportava, James se sentia como um livro aberto, com fontes grandes e descrições detalhadas.

92 DAYS. jegulusOnde histórias criam vida. Descubra agora