Feel Like I'm Drowning

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" Está me matando aos poucos, sinto que estou me afogando"




Já fazem duas semanas desde o jantar, e tudo parece estar indo bem. Não tive muito tempo para ver Hannibal, por que Sherlock teve lapsos de deduções sobre os assassinatos do Estripador de Chesapeake e isso fez Jack nos afundar em trabalho sem descanso, e somando isso com a quantidade de aulas que eu dou para os estagiários e agentes em treinamento do FBI, bem, posso dizer que eu mal tive tempo para dormir.

De certa forma é bom, por que os pesadelos parecem ter me dado uma folga, embora eu ainda acorde andando pela neve algumas noites, ou ainda possa ouvir o trote do cervo todo vez que estou sozinho em algum lugar.

Conviver com Sherlock também têm sido divertido, me lembra a época de faculdade, a gente meio que se adaptou novamente um ao outro. Pela correria, também não tive tempo para sair com Abigail, mas pude conversar com ela via chamada de vídeo, ela parece estar se adaptando bem.

Como Jack desconhece a palavra "descanso", agora estamos todos reunidos em Grafton, na Virginia Ocidental. Sherlock e Jhon já se tornaram parte da equipe, e assim que chegamos Bev já recrutou Jhon para analisar os corpos enquanto Sherlock fazia sua varredura em busca de evidências.

É um maldito totem humano, com cadáveres velhos e novos, alguns quase totalmente decompostos, outros parecem ter menos de um mês. Não preciso de muito para ficar enjoado.

- A cabeça de cima parece ser a única vítima recente - Jack começa, seu olhar dançando entre mim e Sherlock - Os outros são de anos, até de décadas atrás...E sabemos que sete dos corpos foram enterrados aqui.

- Quem cavou sabia exatamente onde estavam enterrados.

Murmurei, a cena era quase doentia, soava como auto glorificação.

- Acho que pra ele não bastou mata-las, ele teve que voltar e humilhar as vítimas.

Sherlock estala a língua com a fala de Jack.

- Uh, não. Estas covas não foram violadas, elas foram expostas.

Concordo silenciosamente enquanto Jack pede para a perícia se retirar do local, me dando liberdade para fazer a minha parte

Fecho os olhos, o pêndulo dourado balançando em minha mente, minha respiração estabilizando.

" Eu planejei este momento, este monumento, com precisão. Juntei toda as matérias primas com antecedência, posiciono os corpos com cuidado - Estou juntando as partes dos corpos ao mastro, a carne putrefada fede ao meu nariz - Ponho cada um no seu devido lugar, encaixo de peças desmontadas - E então eu o vejo, a última vítima, eu o encaro enquanto termino de amarrar o tronco de uma mulher só mastro, o homem vivo está se debatendo na areia, murmurando sob a fita em sua boca - Minha última vítima, deixo por último, quero que ele me veja trabalhar, eu quero que ele conheça meu método - Eu dou passos lentos, há um punhal em minha mão, eu viro o corpo do homem vivo usando meu pé, eu o desprezo. Abro sua jaqueta, deixando exposta sua blusa de flanela fina, não há remorso quando eu posiciono o punhal, forçando a lâmina dentro dele, cortando músculo e ossos,  é certeiro em seu coração, eu posso ver a vida deixando os olhos dele, pouco a pouco.
Eu me levanto, terminando minha obra prima, observo satisfeito minha criação. - Este é meu resumo, este é meu conjunto de obras.

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