Capítulo 11

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Wanviva dormiu comigo.

Nos últimos dias, eu me sentia estranha em relação a ela. Não conseguia explicar exatamente como eu me sentia mas, digamos que era algo parecido com o que a revista descreveu. Eu estava excitada. Estivemos juntas a vida inteira, mas, este ano comecei a sentir algo diferente. Tudo começou com ela gemendo no banho e isso continuou até agora.

Acordei para ir ao banheiro, mas, ao voltar, não consegui dormir. Senti o cheiro do talco em sua pele, misturado com o amaciante do lençol. Queria segurá-la como se fosse um bebê mas, ela já tinha 17 anos. Seria muito estranho fazer isso. Será que foi uma má ideia deixá-la dormir aqui? Virei-me para olhar para ela, que agora parecia estar em sono profundo. Ela mantinha a respiração suave. Não consegui resistir e me inclinei, tocando levemente meus lábios em sua bochecha. Foi a segunda vez que fiz isso. Olhei para ela, tomada por uma culpa enorme. Odiava-me por sentir isso em relação a ela.

- Se você soubesse, Wan... eu poderia te perder.

•••

- 3, por favor.

Entreguei os sutiãs para a atendente da loja e esperei. Minha mãe me olhou surpresa, pois eu não havia pedido dinheiro a ela.

- Por que você está pagando?

- Não são para mim. São para a Wan. - Peguei a sacola com os sutiãs e saí da loja com a minha mãe. Ela ainda me olhava surpresa. - Eu vi ela usando meus sutiãs velhos. Quero que ela tenha novos.

- De onde você tirou dinheiro?

- Do prêmio do concurso de música. Ainda não gastei com nada.

- Uau! E você gastou tudo isso com a Wan? Que boa amiga você é. Nunca vi esse seu lado antes. - Fiz bico quando minha mãe brincou. Ela adorava me provocar.

•••

Chegando em casa, ficamos surpresas ao ver o carro do tio Pu estacionado

- O tio Pu tem vindo aqui com muita frequência.

- Há alguns problemas nos negócios. - Minha mãe disse com um ar preocupado mas, disfarçou ao notar minha expressão. - Não se preocupe, vai ficar tudo bem. Não é nada sério.

- O que está acontecendo? Parece sim ser algo sério. - Tentei pressioná-la para saber mais, mas ela não me respondeu, apenas estacionou o carro e saiu.

Esqueci completamente do assunto ao ver Frank rindo com Wanviva. Eu simplesmente me esqueci de que tio Pu estava lá e claro, se tio Pu estava, Frank também estava. E ele estava lá para ver Wanviva.

- Estão se divertindo?

Wanviva se levantou imediatamente e sorriu radiante para mim.

- Você chegou, Pleng! O que você comprou? Por que está tão quieta? - Eu segurei as mãos atrás das costas, já sem ânimo para lhe dar o presente.

Frank me olhou e me cumprimentou com aquela pose de cara descolado.

- Olá, senhorita. Onde você estava? Por que deixou a Wan sozinha em casa?

- Fui ao shopping. E você? Por que está aqui com tanta frequência? Não tem uma casa para morar?

- Que saudação é essa? - Ele parecia ofendido. - Estou aqui com meu pai. Vi a Wan tentando andar de bicicleta, então a ajudei.

- Agora eu sei andar de bicicleta. Já consigo me equilibrar!

- Sério?

- Vou ser sua Meg Ryan. - Wanviva abriu os braços e sorriu alegremente. Eu não consegui resistir à sua alegria. - Você está sorrindo agora.

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