Capítulo XVII

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Dylan M.

   Meia hora havia se passado dentro daquele helicóptero e a cada minuto eu ficava mais angustiado, não só por estar sendo sequestrado — pela terceira vez — mas também por causa dos meus pensamentos.

   Eu nunca havia ficado tanto tempo parado assim, sem ouvir, andar ou falar nada, e mesmo que tenha sido um curto período de tempo minha cabeça repensou em muitas coisas e em muitas decisões.

   E parando para refletir eu percebi que a única coisa eu fiz durante esse tempo com Vince foi ser maltratado, humilhado e ter o meu psicológico destruído. E sinceramente? Eu não aguento mais isso!

  Não aguento mais essa confusão de sentimentos dentro de mim, não aguento mais ser sequestrado, não aguento mais esse sentimento ruim que Vince me provoca e não aguento mais viver assim! E o pior de tudo isso é que eu sinto que se eu não mudar agora eu vou sofrer com consequências muito maiores futuramente.

   Suspiro pela sexta vez naquela meia hora, fazendo com que o "chefe" olhasse para mim.

   Ele estava no banco da frente, ao lado do piloto, e os dois mascarados estavam sentados ao meu lado, me cercando.

   –Apertem o cinto dele, nós vamos pousar.—O homem de cabelos grisalhos comentou enquanto apertava o próprio cinto e o japonês obedeceu.

   Logo senti um frio na barriga e senti que estávamos pousando. O barulho estridente das hélices soava por toda a minha volta e por um instante senti que não estava no meu corpo.

   Em poucos minutos senti o leve impacto do helicóptero tocando o chão e respirei fundo antes de olhar em volta.

   Estávamos em um aeroporto vazio, parecia que era particular. Não percebi nenhum segurança ao redor, apenas nós quatro e o piloto — que desapareceu assim que saiu do helicóptero — e então um carro veio vindo ao longe.

   –Para onde devemos levar ele, senhor?—A mulher loira, que atendia pelo nome de Moscou, questionou o chefe enquanto massageava o pulso que Vince havia machucado.

   Após me encarar por um bom tempo com olhos que pareciam se divertir com a minha desgraça ele finalmente disse algo.

   –Levem para o abatedouro...Não acho que ele vai ser muito útil.

   Arregalei meus olhos e antes que pudesse raciocinar o que ele havia dito meu corpo reagiu sozinho.

   Meu tronco se virou e meus braços foram de encontro com o rosto do japonês, o desnorteado e o fazendo cair. Antes que Moscou pudesse reagir eu comecei a correr para longe deles o mais rápido que o meu corpo conseguia.

   O que eu estou fazendo? Eu não sei, mas prefiro pensar que estou lutando pela minha sobrevivência pela primeira vez na minha vida do que assinando minha própria carta de suicídio.

   Não havia ninguém, apenas um grande espaço sem nada, e quando eu finalmente consegui ver uma saída bem ao longe senti algo bater contra as minhas costas.

   Um peso que me fez perder o equilíbrio. Era ela? Ela se jogou em cima de mim em meio a uma corrida? Eu não sei, só sei que nesse exato momento eu estou jogado de bruços no chão e ela está em cima de mim.

   Não sei se eu parecia uma coelho tentando fugir de um lobo, mas eu me debatia embaixo da mulher, grunhindo pela dor do impacto com o chão e tentando escapar.

   –Seu filho da puta...Se não quer ter uma morte lenta e dolorosa é melhor ficar quietinho!—No momento em que ela iria socar minha cabeça eu senti a sombra impotente do chefe atrás de nós dois.

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