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Os próximos dias passam em uma névoa sem foco. Buck ainda está de folga do trabalho e Chris está fora da escola, então eles passam a maior parte do tempo juntos em casa, às vezes com outras pessoas se elas aparecem, ou sozinhos. 

O funeral acontece, e Buck veste seu uniforme cuidadosamente, com o coração na garganta, enquanto tenta não desmoronar antes mesmo de irem embora, ajudando Chris, com o rosto impassível, a vestir o mesmo terno que usou no funeral de sua mãe, e isso é outro chute nos dentes. 

É um caixão fechado, e ele não consegue decidir se isso é melhor ou pior. Ele acha que gostaria de ver Eddie uma última vez. Talvez vê-lo assim, sendo forçado com a prova inegável de que ele está morto, tornaria mais fácil para eles aceitarem isso. 

Por outro lado, ver seu melhor amigo que era tão cheio de vida, ousadia e cordialidade, deitado frio e morto em um caixão parece um tipo diferente de tortura. 

No final das contas, não depende dele. O caixão fechado era a preferência de Eddie, aparentemente, então Buck fica ombro a ombro com Hen e Chimney de um lado, e Pepa e Abuela do outro, suas mãos apoiadas nos pequenos ombros de Christopher. 

Ele encontra as irmãs de Eddie novamente, duas mulheres que parecem tão perdidas quanto ele se sente, mesmo quando pintam sorrisos pelo bem de Chris. Helena e Ramon não dizem nada a ele no funeral ou no almoço depois, mas ele descobre que não se importa. Isabel disse a ele que ela e Pepa tentariam convencê-los a não lutar pela custódia, mas ele não iria prender a respiração. Se eles ouvissem, ótimo. Se não, ele faria o que fosse preciso para ficar com Chris. De qualquer forma, ele estava determinado a fazer o que Eddie lhe pediu. 

Bobby e Atena se ofereceram para hospedar a recepção após o funeral em sua casa, algo pelo qual Buck estava mais do que grato na época. Ele não conseguia imaginar tentar montar tudo na casa dos Diaz, e ele nunca seria capaz de deixar a organização ou limpeza para Pepa se eles fizessem na casa dela também. Dessa forma, ele poderia evitar um pouco da culpa que parecia ser uma companheira constante de sua tristeza ultimamente. 

Culpa por não ter salvado Eddie em primeiro lugar. Culpa por ter se desfeito contando a Chris. Culpa por não ser o tipo de pessoa que os pais de Eddie aceitaram criar seu neto. Culpa pelo desdém que sentia por eles e por Ana por sua presença na casa Grant-Nash, ouvindo histórias e roubando pedaços da vida de Eddie que não pertenciam a eles. 

Ver os três na casa do capitão, na casa do homem que ele considerava um pai, contando histórias sobre o filho com arestas afiadas e tons de desaprovação (Ramon e Helena) ou compartilhando anedotas que não se parecem em nada com o homem que todos eles conhecem, o-conheceram e amaram(sua mente, tão prestativamente, fornece o tempo correto), o faz querer gritar. Os 118 o amavam. Pepa, Isabel e Carla conheciam Eddie e o amavam, e ele tem certeza de que vai desgastar os dentes até virarem pontas de tanto que os range para manter a boca fechada e não causar uma cena. 

Eventualmente, Chris se cansa, indo sentar com Buck no sofá onde ele está distraído de uma conversa com Karen e Maddie, sua cabeça descansando pesadamente contra o lado de Buck. "Podemos ir para casa?" Ele pergunta, a voz baixa e tímida. 

Ansioso demais para escapar de si mesmo, ele agarra a desculpa com as duas mãos. "É, claro, amigo. Vamos sair daqui." Ele concorda instantaneamente, levantando o garoto só para sentir seu peso em seus braços, acomodando-se facilmente em seu quadril, as muletas balançando levemente contra suas costas a cada passo.

Para sempre - (BUDDIE)Onde histórias criam vida. Descubra agora