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Ele acorda lentamente, o sono grudado nele como melaço pegajoso, mais quente do que ele já esteve em anos, talvez nunca. 

Seu cérebro já está tão ocupado imaginando que horas são e se é tarde demais para pegar Chris que demora um segundo para perceber que há outra pessoa na cama com ele. É grande demais para ser Chris, e ele não consegue pensar em mais ninguém com uma chave que rastejaria para a cama com ele.

Ele hesita em abrir os olhos, vasculhando a mente para ver quando teria tempo de pegar alguém, porque essa é a única opção que faz sentido. A última coisa de que se lembra é de chegar em casa do trabalho, absolutamente exausto. Ele não se sente de ressaca, o que significa que provavelmente não foi ao bar e trouxe alguém para dormir, mas não consegue imaginar como outra pessoa teria entrado nessa cama. Parece um homem, o que é loucura, dado que sua libido praticamente morreu com Eddie, e ele mal conseguiu flertar com uma mulher, muito menos levar um homem para casa para fazer qualquer coisa com ele. 

Percebendo que não entenderia o que aconteceu até que realmente olhasse, ele abre os olhos rapidamente... 

E imediatamente sai da cama, com os membros tão desajeitados que acaba arrancando os lençóis e caindo no chão em frente ao criado-mudo, com os olhos arregalados enquanto o outro ocupante acorda assustado com o movimento repentino, sentando-se rapidamente e olhando ao redor até que seus olhos, aqueles lindos e calorosos olhos castanhos que Buck sentiu falta durante o último ano, finalmente pousam nele.

“Jesus Buck, o que você está fazendo no chão?” Ele resmunga, esfregando os olhos com os nós dos dedos e caindo de costas novamente. 

"Eddie?!" Ele grita, piscando furiosamente até que percebe, e se joga de volta na cama, montando nos quadris de Eddie e puxando a gola de sua camisa para baixo, procurando por provas de que isso é real. 

E lá está, a cicatriz de um segundo ferimento de bala em seu ombro, o mesmo lado que Buck cobriu com gaze para estancar o sangramento no caminho para o hospital. Uma que espelha um ferimento semelhante no outro lado. 

Ele se joga para trás, acabando no chão novamente enquanto sua respiração fica mais rápida, o pânico se infiltrando na borda de sua visão. Ele está alucinando? Ele bateu a cabeça em seu último turno e não percebeu? Com ​​base na dor que ele pode sentir irradiando de sua bunda por seu encontro abrupto com a madeira, ele tem quase 80% de certeza de que não está dormindo, mas nada mais faz sentido. 

Eddie está morto. 

Ele sabe disso. Ele foi ao funeral, lidou com o testamento e os Diaz e Ana e a dor de um jovem rapaz perder o pai. Ele se lembra vividamente de ir trabalhar todos os dias sem ele, e de assumir um trabalho extra para sobreviver. Eddie. Está. Morto. 

E ainda assim…

"Buck, Buck, ei, baby, você precisa respirar. Eu sei que é muita coisa para assimilar e sinto muito, mas não posso te dizer o que está acontecendo se você desmaiar." Ele agarra uma das mãos de Buck de onde ele estava puxando seus cachos e a coloca contra seu peito. 

Buck consegue sentir o calor, o subir e descer a cada respiração, consegue sentir o coração batendo firmemente sob sua palma e afasta o pensamento de que isso não deveria ser possível para controlar seu pânico. 

Ele escuta a respiração de Eddie, sente o calor do seu corpo mantendo o frio do quarto longe da pele de Buck, onde ele não se vestia desde que Eddie o despiu do seu jeans deixando apenas de cueca.

Para sempre - (BUDDIE)Onde histórias criam vida. Descubra agora