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- Ele chegou. -Francis disse e vimos Gabe estacionar o carro na frente de casa-

- Rory vai ficar, ele já colocou os corpos dos caras que estavam aqui fora para a parte de dentro da casa. Ele vai ficar até os funcionários do seu pai chegar. -Francis avisa e vejo Gabe sair do carro e vir em nossa direção-

- Pode deixar comigo agora. Tome cuidado. -ele diz para Rory enquanto pegava minha irmã no colo-

- Eu sei andar. -ela diz secando as lágrimas dos olhos-

- Sei que você sabe, mas está machucada. -ele diz e ela suspira-

- Vamos. -disse indo em direção ao carro-

Entrei no mesmo e ainda segurando minha avó suspirei seu rosto já estava pálido e o sangue já tinha parado de sair. Minha roupa estava encharcada com o sangue dela, Gabe colocou Carol do meu lado enquanto ele e Francis sentaram na frente. Santiago soluçava de tanto chorar, Carol não disse uma palavra o caminho todo, o que iríamos fazer agora? Uma guerra seria declarada?
Quem mais iria se machucar?
O que eu tinha que perguntar para minha mãe? Perguntas e mais perguntas passavam pela minha mente.
Assim que o carro parou na frente do hospital eu desci, já tinha alguns enfermeiros esperando, esse hospital era financiado pelo meu pai. Então ninguém perguntaria o que realmente aconteceu, meio relutante coloquei o corpo da minha avó na maca, assim que eles tiraram ela da minha frente eu fui guiado até um quarto onde pude tomar banho e tentar aliviar a mente. A cena daquela moto passando e o homem atirando contra mim e minha avó não parava de aparecer.
Suspirei e vesti uma roupa que tinha em cima da cama. Era uma camisa cinza de algodão e uma calça moletom da mesma cor. Além do par de pantufas para ficar mais confortável. Me olhei no espelho por alguns segundos antes de alguém bater na porta.

- Filho? -a voz do meu pai preencheu o vazio do quarto-

- Pai... -disse e ele entrou no quarto-

- Sinto muito filho. -ele disse antes de me abraçar-

- Aquele tiro era para mim. -disse sentindo a culpa me corroer-

- Não filho. Eles queriam que isso acontecesse, assim eles teriam uma vantagem sobre vocês. -ele diz e eu me solto do abraço-

- Por quê? Por quê eles querem tanto que a gente vá com eles? -perguntei com ódio-

- Eu ainda não sei. Precisamos descobrir o mais rápido possível. Vocês não estão mais seguros, vão vir morar comigo até resolvermos essa questão. -ele diz e eu engulo em seco-

- Pai. -chamei e ele me olhou-

Mordi a língua, se eu falasse aquilo para ele, provavelmente ele iria me impedir. Decidi manter isso em segredo.

- Diga. -ele diz sério-

- Não é nada. -disse balançando a cabeça-

- Sua irmã está no quarto do lado, vamos até lá. -ele diz e eu concordo-

Sai do quarto e fui até o da Carol, assim que entrei vi ela com dificuldade de pentear os cabelos. Ela me olhou e vi que seu braço estava em uma tipoia em seu braço direito, ela não conseguia usar o esquerdo direito, provavelmente por causa da dor. Vejo que sua perna está enfaixada e ela usa uma regata e um shorts soltinho na cor cinza.
Fui até ela e ela me olhou com a sombrancelha arqueada, peguei a escova da sua mão e fiz ela sentar, começo a pentear o cabelo dela devagar, ela parece relutante, mas logo cede e começa a relaxar um pouco.

- Cadê o Santiago? -minha irmã pergunta e meu pai olha para ela-

- Junto com o Francis, ele já vai trazer o mesmo aqui. -ele diz se sentando em uma poltrona-

- E nossa avó? -ela pergunta e eu paro a escova no ar-

- Meire está organizando um velório adequado. -ele diz sem sentimento-

Sinto o corpo de Carol em alerta, volto a pentear seu cabelo e ela começa a tremer as vezes. O choque está sendo grande, tenho que avisar sobre o que nossa avó mandou eu fazer antes dela... Engulo em seco sentindo meu estômago embrulhado, Santiago aparece no quarto de mão dada a Francis, ele vê nosso pai e nós olha, por um momento penso que ele vai ir abraçar o nosso pai, mas ele se esconde atrás de Francis.

- Santiago vem com a maninha. -minha irmã pediu e Santiago foi até ela relutante, mas assim que ele subiu na cama e se agarrou nela sua expressão mudou, ele estava mais aliviado-

- Você está bem? -ele pergunta olhando o braço dela-

- Sim, isso não é nada, está bem? -ela disse fazendo carinho no rosto dele-

- Sim. -ele disse e olhou para o nosso pai-

- Pode vir aqui se quiser pequeno. -meu pai diz e Santiago olha para ele por um longo tempo-

- Não. -ele disse e se aconchegou no colo da Carol-

- Ele está bem? -perguntei ao Francis enquanto colocava a escova na mesinha que tinha do lado da cama-

- Está. Nem um arranhão não é campeão? -Francis pergunta olhando para meu irmão-

- Nem um. -ele sorriu fraco-

- Temos que conversar pequeno. -disse me ajeitando na cama, Carol ficou no meio das minhas pernas e se recostou no meu peito, Santiago nós olhou-

- É sobre a vovó? -ele pergunta e eu seguro em sua mãozinha enquanto minha irmã segura na outra-

- Sim pequeno. -ela diz fazendo carinho em sua mão-

- A vovó não vai voltar mais. -disse e ele me olhou com os olhinhos tristes-

- Ela está com a mamãe? -ele pergunta e eu sinto meu coração vacilar-

- Ela está. -disse e seus olhinhos se encheram de lágrimas-

- É minha culpa? -ele perguntou segurando o choro- Igual foi com a mamãe?

- O que? Claro que não! Quem te disse isso? -minha irmã perguntou séria- Nada disso é culpa sua!

- Isso é culpa de pessoas muito más campeão. Vovó está com sua mamãe agora viu? Elas estão em um lugar melhor, eu prometo para você! -disse olhando nos olhos dele-

Ele desabou em choro, minha irmã pegou ele com o braço que não estava enfaixado e o abraçou com força. Ele chorou sem parar, meu pai levantou com tudo da poltrona e olhou para ele, Santiago engoliu em seco olhando o mesmo.

- Chega de choro. Isso não vai fazer com que... -sua voz foi silenciada pelo olhar da minha irmã-

- Vai embora. -ela disse e ele se calou-

- Faça como sempre fez e vá. -disse abraçando os dois-

Meu pai nos olhou como se não entendesse o que estava acontecendo.

- Mas eu... -ele se calou quando Santiago falou-

- Vai embora papai. -ele disse chorando-

Meu pai pareceu ficar chocado com o que Santiago disse, minha irmã não deixava o mesmo olhar para o nosso pai, com relutância meu pai saiu do quarto, deixando apenas nos três e Francis. Ele se sentou na poltrona onde antes meu pai estava sentado e cruzou o braços, provavelmente iria tirar um cochilo.
Me arrumei na cama e fizemos uma conchinha de três, tivemos que trocar de lugar, afinal o braço direito e a perna direita estava enfaixada por conta do tiro de raspão. Fiquei na ponta e estendi meu braço até Santiago com cuidado para não encostar no braço da minha irmã, já que ela devia estar com bastante dor.
Em alguns minutos os dois adormeceram, Carol esperou Santiago dormir e eu fiz o mesmo com ela. Assim que ela dormiu me permiti cair no sono.

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Nota da autora - Slk depois de um tempão sem postar.

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