XIX

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- Descansar.

A voz de Daemon, embora suave e melodiosa, era alta o suficiente para ser ouvida pelos guardas que guardavam a entrada de Castle Landing; Assim, sucessivamente, os soldados transmitiram a ordem aos que estavam mais distantes e todos eles, em grupos, descansaram as armas quando ele desceu de Caraxes, voltando o dragão a levantar voo quando o Alfa começou a andar. Ele sentiu as rajadas de vento causadas pelas asas de Vermax um pouco mais atrás, mas não diminuiu o ritmo.

Pelo canto do olho, ele viu a sombra que Vhagar projetava no pôr do sol, imponente e sinistra. Ele então sentiu a vibração no chão quando o enorme dragão pousou nas proximidades do palácio.

-Daemon! Espere!

Sem dar qualquer sinal de ter ouvido Jacaerys, Daemon começou a subir os degraus da ponte em direção à entrada; O jovem alcançou-o quando passou pelo primeiro grupo de soldados e Daemon não pôde evitar soltar um bufo.

-Você realmente vai permitir isso? .- Jacaerys parecia realmente angustiado e por um momento, Daemon quase baixou a guarda. Porém, de repente ele se lembrou da interrupção e daquela pequena cena com Aemond que ele não iria abandonar tão facilmente.

-Claro que é, e você não vai intervir.

Ele havia falado num silvo baixo, quase um sussurro enquanto levantava o dedo indicador na direção dela; Jacaerys franziu a testa ao ver a mão levantada e não acrescentou mais nada. Então Daemon colocou a mesma mão no ombro dela, pressionando suavemente.

- Não estrague tudo. Agora não, Jace.

Novamente, através de seu campo de visão periférico, ele viu a silhueta de Aemond aproximando-se deles por um dos lados do castelo. Daemon levantou-se e num ato reflexo, posicionou-se entre Jacaerys e Aemond para evitar um possível confronto com golpes. As coisas já estavam quentes demais para permitir uma explosão de tal magnitude que pudesse jogar fora o pouco que conseguiram realizar naquela tarde.



-Espere aqui. Dou-lhe a minha palavra de que voltaremos com a criança.



Aemond parou sua jornada a cerca de dez metros de distância; Ele parecia tão desconfiado quanto estava prestes a se aproximar. Daemon viu-o deitar fora a capa de viagem e pousar a mão no punho da espada, num acto instintivo de defesa. Não passou despercebido que seu olhar vagou pela esplanada do palácio e depois procurou Jacaerys atrás dele. Ele queria revirar os olhos e bufar novamente, mas se conteve.



- Vou esperar aqui.

- Bom . E você - virando-se, agarrou Jacaerys pelos ombros, obrigando-o a recuar. - Você virá comigo. Agora .

Jacaerys não acrescentou nada, mas a expressão em seu rosto falava por si. Seus olhos não se desviaram de Aemond, mesmo enquanto caminhavam em direção ao pátio interno do palácio, com a mandíbula cerrada, assim como os punhos.

- Saiam, pessoal. Agora!

Erguendo a voz, Daemon fez desaparecer o grupo de soldados que guardavam o primeiro portão do castelo. Ouviu os passos abafados enquanto se dispersavam, redistribuindo-se entre o exterior e os corredores internos do térreo, deixando o primeiro pátio externo deserto.


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