Em tempos felizes, escrevo. Nos tristes, cunho testemunhos. Uso palavras mais tristes do que o normal. Adjetivos mais duros e dolorosos, que não combinam com um dia feliz.
Digito no computador. Se ele parar de funcionar, escrevo no celular. Se ele me for roubado, escrevo no caderno. Se me tirarem esse caderno, uso qualquer papel. Se não tiver papel e caneta, rabisco as paredes com meu sangue.
Há um filme brasileiro chamado: "Nise, o coração da loucura". Sobre a grande médica Nise da Silveira. Foi ela que revolucionou o cenário do tratamento de doentes psiquiátricos. Nesse filme, há um paciente que usa suas fezes para desenhar nas paredes. Muitos não entendem, mas um apaixonado não consegue permanecer sem se expressar.
Me compadeço por ele. Tenho condições que, se fosse nesse tempo, fariam com que eu compartilhasse seu destino. O mundo, especialmente o Brasil, não possui piedade com quem não é "normal".
Preciso desenhar os significados do que sinto em qualquer lugar. Traçar as angústias e tentar apagar o desespero. Necessito disso para viver e foi assim que cheguei até aqui. Desconheço outra forma de viver que não essa.
Claro que a escrita não apaga as dificuldades e soluciona os problemas. Só que, aquela leve e efêmera sensação de alívio ja vale por tudo.
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Uns textos tristes
DiversosSó leia caso estiver triste. Isso é uma coletânea de palavras tristes. Você não está sozinho, não tenha vergonha de procurar ajuda. Busque sempre o auxílio psicológico ou ligue para o Centro de Valorização da vida- 188
