Prisioneiro de guerra

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Trabalhei e estudei a semana inteira. O corpo e a mente estão em frangalhos. As pernas não se aguentam em pé e fazem câimbras para me alertar disso. As costas queimam e o pescoço se contrai, como se tivesse um peso enorme em cima. 

Os olhos ilustram para o cérebro, porém ele não entende. É um prisioneiro de guerra, amarrado em uma cadeira e sendo forçado a encarar telas brilhantes por horas sem descanso. Ele implora por piedade, mas seus algozes riem de seu desespero. 

Tento não deixar as sensações descritas me abaterem, porém está cada dia mais difícil. Tomo energético para estudar e sair com meus amigos. Sim, a situação chegou no ponto de não ter nem energia para o lazer. 

Meu cérebro, o prisioneiro de guerra, está sendo fritado numa cadeira elétrica. Eu e minha ansiedade somos seus algozes. Quando ele caí no sono, jogo água em sua cara e café em sua goela para acordá-lo.  Se está meditando, para escapar da tortura, minha ansiedade grita cenários trágico em seu ouvido com um megafone para atrapalhá-lo. 

Eu, sua algoz principal, tenho pena as vezes. No momento em que não tenho aulas, sinto misericórdia. Distraio a ansiedade para ele dormir e o solto da cadeira para que possa se mover. Ele agradece, mesmo sabendo que é temporário. Mesmo sabendo que, daqui a umas semanas, a tortura recomeçará. 

Olho seu trágico destino. Esse detento preso injustamente que clama por seus direitos diariamente. Vejo minhas mãos, manchadas com meu próprio sangue. 

Sou minha própria carrasca e estou me matando aos poucos. 

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