Criador e criatura

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As vezes sinto que preciso sair do lugar de criadora. Tenho que descer desse pedestal, tirar o jaleco e a máscara. Respirar um pouco, pegar uma bebida e sentar em algum lugar.

Todos veneram quem cria. Sua produção é sempre medida e comparada. O próprio criador se orgulha do que fez e mostra ao mundo. Seu motivo de levantar e viver todos os dias é sua paixão.

A questão disso é que tem um limite. O criador pode até ter criado uma máquina poderosa, mas ele não se tornou uma. Pode ter acelerado um processo, porém seu metabolismo é lento.

O cientista precisa descansar e se tornar criatura. Precisa que alguém analise sua saúde e bem estar. Necessita que calibrem suas funções e apertem seus parafusos frouxos.

Essa pausa essencial é o que permite que ele continue sendo inventor. Para criar algo é importante sermos humanos. Máquinas só replicam o que já fizemos.

Eu crio porque sou humana. Não sou perfeita e sou passível de erros. Choro, rio e passo isso para minha criação. Meus sentimentos são o que permitem isso. Meu passado e a vida de outros me inspira. 

Apesar desse lado bom e lindo do ser humano, não consigo criar infinitamente. Claro que isso me frustra e me enfurece. Gostaria de escrever novas histórias indefinidamente, porém tenho limitações. 

Tenho impedimentos como: cansaço físico e bloqueio emocional. Há também as coisas que acontecem na vida e nos deixam paralisados. Acontecimentos bons ou ruins. 

Nesse momento, estou saindo aos poucos do pedestal de criadora. Meio a contragosto, mas sei que é necessário. Estou me cuidando e tirando o tempo que preciso. Fico sentada na poltrona e olho minhas criaturas nos potes. Peço desculpas e digo que já voltarei. 

Uns textos tristesOnde histórias criam vida. Descubra agora