Esses dias estava revendo um filme de minha atriz favorita: Audrey Hepburn. O nome é: Minha bela dama. É um filme velho, então tem falas bem datadas. Apesar disso, um diálogo me chamou muita atenção.
Nele, um pai alcoólatra vende sua filha para um homem que tem interesse em melhorar sua fala, um fonoaudiólogo. Esse homem fica assustado pela proposta e pergunta se o pai não tem valores ou moral. O genitor diz que são muitos caras e que não pode pagar por elas.
Essa cena me fez refletir sobre muitas coisas e pessoas que conheci. Antes, minha situação financeira era melhor e meu entendimento sobre muitas coisas era preto no branco. Por exemplo, achava um absurdo que alguém não pagasse a passagem de trem e desse calote. Hoje, não considero isso um grande crime.
Sei que não é correto ou recomendável. Eu mesma não faria algo assim. Só que o valor das coisas básicas está tão caro que não julgo quem faz. Antes, achava que vinte reais podiam ser gastos em qualquer coisa, atualmente os seguro ao máximo. Me agarro a eles fervorosamente até o fim do mês.
Se todos nós tivéssemos condições básicas, o mundo seria diferente. Pagaríamos nossas passagens e devolveríamos o troco a mais. Olharíamos ao próximo com mais caridade e empatia. Em nossa realidade, somos incapazes de dar o ouvido à um morador de rua. Só pensamos em chegar no trabalho e em como vamos pagar as contas. Somos formigas eternamente preocupadas com o dia de amanhã.
Dinheiro, dinheiro e dinheiro. Ele resolveria todos os nossos problemas. Uma reforma na casa, um plano de saúde, novos eletrodomésticos etc. Não posso dar cinco reais ao desabrigado. Essa quantia é do salgado para meu almoço. O que me separa dele é sorte.
Um passo em falso ou uma crueldade do destino e posso acabar assim. Sem ninguém para me ouvir, além de meus semelhantes. Só quem sofre o mesmo mal é capaz de parar para ouvir. Só quem já passou muita fome é capaz de se compadecer.
Porque isso não muda? Cadê a revolta do povo brasileiro?
A revolta está nos corroendo por dentro. Queimando nossos corações de raiva e os transformando em pedra. Como faremos greve se isso acarretar nossa demissão? O que darei de comer à minha família? De onde tirarei forças para ir numa passeata de fim de semana se passo mais de doze horas fora de casa por dia trabalhado? Meu corpo está moído e espremido.
É assim que deixam a população "mansa". Sugam cada gota de energia e nos ameaçam com a fome. Nos fazem temer pelos nossos entes queridos. Os poderosos fazem essa chantagem e ficamos reféns.
Ainda acredito na mudança. Chegará o dia em que nossos estômagos serão corroídos e não sentiremos mais fome. Nosso cérebro não sentirá mais medo de nada. Aí será pior, pois estarão enfrentando máquinas, recipientes vazios de amor e cheios de ódio. Seres humanos maltratados e rancorosos. Boa sorte a eles. Espero que tenham onde se refugiar.
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Uns textos tristes
LosoweSó leia caso estiver triste. Isso é uma coletânea de palavras tristes. Você não está sozinho, não tenha vergonha de procurar ajuda. Busque sempre o auxílio psicológico ou ligue para o Centro de Valorização da vida- 188
