Há quanto tempo

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Sou uma amante da música popular brasileira. Possuo uma playlist enorme com os mais variados artistas. Pessoalmente, amo escutá-la em dias de sol. Acho que combina mais com o espírito do brasileiro.

No modo aleatório, ouvi a voz de Gal Costa cantando Baby. Se você nunca ouviu essa obra prima, peço que vá pelo menos ler a letra. Assim, entenderá o sentimento que me abateu no dia. Tirando que  a voz dela, já é uma baita de uma experiência transcendental.

Nessa canção, ela canta para alguém que não está por perto. Não se sabe se a pessoa saiu do estado ou do país. A cantora diz que seu destinatário deve saber de como as coisas estão. Depois completa dizendo: Baby, há quanto tempo!

Muitos veem essa melodia como uma de amigos ou amantes que estão separados por diversas razões. Brigas, destino ou ambições. Minha visão é diferente.

Há algum tempo, perdi uma pessoa muito querida para mim. Sua partida já era esperada, mas não diminui a dor da perda. Os dias foram passando e viraram meses.

Infelizmente ou felizmente, você vai se acostumando sem a presença física da pessoa ao seu lado. Ainda machuca, porém o costume vai tomando o lugar da dor aos poucos.

O que ninguém te conta é que a conversa faz mais falta que o toque. Como eu queria que pudéssemos mandar cartas ou mensagens para o além vida.

Esses dias vi uma série que essa pessoa iria amar. Uma loja no nosso bairro fechou e abriu uma nova. Mudei de estágio e estou lidando com outras atividades.

Como me corrói por dentro não poder contar. Só posso imaginar qual seria a reação dela para consolar meu coração. Nunca saberei quais seriam seus pensamentos.

Essa reflexão me veio a partir da música. Me sinto exatamente dessa forma. Uma ânsia de falar e ninguém para responder, pois até podem ouvir.

Baby, você precisa saber de tudo. Necessita estar aqui para rir e chorar comigo. Falar com sua voz e me acompanhar em nossos diálogos.

Não sou religiosa, embora acredite que todos nos encontramos no final. Acredito fortemente em fantasmas. Não do mal, apenas almas que estão indecisas.

Anseio pelo dia que virarei um fantasma ao teu lado. Para andarmos pelas ruas, sem sofrer com o calor e o péssimo estado das calçadas. Riremos e choraremos pelo tempo que passamos separadas.

Sentaremos no seu café favorito e olharemos os transeuntes e os clientes. Você me contará o que andou fazendo e eu falarei meus planos futuros.

Talvez, a hora da despedida chegue novamente e nossos caminhos sejam bifurcados. Passaremos um tempo sem nos ver, absortas em nossos objetivos e metas.

Pode ser também que tenhamos que começar outra vida. Se for assim, também quero estar com você. Nossas almas sempre serão entrelaçadas pelo amor que há muito forjamos.

Independente dos dias, anos, milênios e eternidades sempre te procurarei. Em todas as ocasiões te darei um abraço apertado e esquentarei sua alma. E eternamente te direi: Baby, há quanto tempo!

Em tua memória, tia!

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