O sol mal havia nascido quando o cheiro de pão aquecido e café forte se espalhou pelo esconderijo. Pela primeira vez em muito tempo, havia um clima de calma no ar. Peter e Mike estavam de volta, vivos, e todos se reuniram para um café da manhã como um verdadeiro grupo. Era uma sensação quase esquecida, mas que trazia um pouco de normalidade à vida deles.
Will estava de pé ao lado do fogão improvisado, mexendo algo em uma panela pequena, enquanto Emmy organizava o que haviam conseguido reunir para aquela refeição. Thor, deitado perto da mesa, observava atento qualquer migalha que pudesse cair.
— Nunca pensei que um pequeno-almoço pudesse ser tão bom — comentou Mike, mordendo um pedaço de pão. Ele olhou para Will e sorriu. — Tens jeito para isso.
Will revirou os olhos, mas não conseguiu esconder o sorriso satisfeito. — Eu só faço o melhor para vocês não morrerem de fome.
Peter riu, balançando a cabeça. — Depois do que passamos na Arena, acho que podemos lidar com qualquer coisa, até com a comida do Will.
— Muito engraçado, Peter — Will retrucou, jogando uma fatia de pão na direção dele, que desviou por pouco.
Todos riram, mas logo o clima mudou quando Alex limpou a garganta, chamando a atenção do grupo. Ele se recostou na cadeira, cruzando os braços.
— Agora que já estão alimentados, podemos falar sobre o que realmente importa? Vocês precisam nos contar tudo sobre essa tal Arena.
O sorriso no rosto de Peter desapareceu. Ele trocou um olhar rápido com Mike antes de respirar fundo.
— A Arena não é só um lugar de lutas — começou Peter. — É um sistema. Eles capturam pessoas e fazem delas gladiadores. Sobreviventes contra contaminados. E se recusarmos... eles nos matam de qualquer jeito.
Emmy franziu a testa. — Mas... por quê? Quem faz isso?
— Kinga — respondeu Mike, o tom de voz carregado de desgosto. — Ela é a líder da Arena. Controla tudo, desde as apostas até as execuções. É um jogo doentio para entreter aqueles que ainda têm poder neste mundo.
Houve um momento de silêncio, como se todos estivessem absorvendo a crueldade do que haviam acabado de ouvir.
— Então... qual é o nosso plano? — perguntou Alex, indo direto ao ponto.
Peter apoiou os cotovelos na mesa, sua mente já trabalhando nas possibilidades.
— Precisamos destruir a Arena. Acabar com aquele lugar. Libertar qualquer pessoa que ainda esteja lá.
Will, que havia ficado em silêncio até então, apertou os punhos. — Eu concordo. Mas se vamos fazer isso, temos que ser inteligentes. Não podemos simplesmente aparecer lá e esperar sair vivos outra vez.
— Certo. Primeiro, precisamos saber o máximo possível sobre as defesas deles — disse Mike. — Quantos guardas? Como funcionam as lutas? Quem são os aliados de Kinga?
— E como podemos sabotar o sistema por dentro? — Emmy acrescentou.
— Se pudermos libertar os prisioneiros, teremos uma vantagem numérica — comentou Alex. — Mas como vamos conseguir acesso a eles?
Todos ficaram em silêncio por alguns instantes, até Peter soltar um suspiro e olhar diretamente para Mike.
— Precisamos de alguém infiltrado.
Mike ergueu uma sobrancelha. — Estás a sugerir que a gente volte lá?
— Não há outra maneira — respondeu Peter. — Precisamos de alguém lá dentro para abrir as celas, causar o caos no momento certo.
Will imediatamente se levantou. — Não. Isso é suicídio.
Peter e Mike se entreolharam, percebendo o tom firme de Will.
— Will... — Mike começou, mas foi interrompido.
— Tu quase morreste, Mike. Vocês dois quase não saíram de lá. E agora estás a dizer que vais voltar? Isso não é um plano, é um bilhete só de ida para a morte!
Thor, sentindo a tensão de Will, se levantou e roçou o focinho na perna dele, como se tentasse acalmá-lo.
Alex interveio, tentando manter a calma no grupo. — Eu entendo a preocupação do Will, mas precisamos ser racionais. Não temos muitos aliados lá fora. Se quisermos destruir a Arena, precisamos estar dentro dela.
— Então eu vou — disse Peter de repente.
Todos o olharam surpresos.
— O quê? — Mike perguntou.
— Eu volto para a Arena — Peter afirmou.
— Nem pensar — Mike retrucou, balançando a cabeça. — Eu não vou deixar que faças isso sozinho.
Will bufou, se afastando e cruzando os braços. — Claro que não, vais querer ir junto também. É sempre assim.
Mike ficou em silêncio por um momento. Ele entendia que Will só queria protegê-lo, mas também sabia que não poderiam simplesmente ignorar a ameaça que a Arena representava.
— Will, eu sei que é arriscado — disse Mike, tentando acalmá-lo. — Mas não podemos continuar fugindo. Se não fizermos algo agora, eles vão continuar crescendo.
Will abaixou o olhar, respirando fundo. Emmy colocou uma mão em seu ombro.
— Se fizermos isso direito, podemos sair vivos e acabar com a Arena de uma vez por todas — Emmy disse.
— E para isso, precisamos de um plano sólido — acrescentou Alex.
Mike e Peter se entreolharam, sabendo que a decisão já havia sido tomada.
— Então, vamos começar a planejar — disse Peter.
Will ainda parecia relutante, mas, no fundo, sabia que não conseguiria impedir Mike de ir.
— Se vamos fazer isso... então eu também quero ajudar. — Ele olhou diretamente para Alex. — Quero saber o que posso fazer daqui para garantir que eles tenham uma chance.
Alex assentiu. — Ótimo. Vamos traçar todas as possibilidades.
Continua...
VOCÊ ESTÁ LENDO
The End
Science-FictionUm vírus devastador varreu a humanidade, transformando cidades em túmulos e deixando apenas um punhado de sobreviventes para enfrentar o caos. Entre eles estão dois jovens, Mike e Will, que, guiados pela necessidade de resistir, lutam contra um mund...
