Mike mal conseguia conter os gritos de excitação. Sentia-se como uma criança enquanto o vento batia em seu rosto. Uma sensação de liberdade invadiu-o, algo que não experimentava há muito tempo.
Peter diminuiu a velocidade ao se aproximarem da cidade.
— Estamos bem longe do esconderijo— comentou Mike.
— Estamos a mais de dois quilômetros. É perigoso ficar muito perto da cidade; o número de zumbis aumenta drasticamente nestes lugares.
Percorriam a estrada sinuosa, desviando de carros abandonados e cadáveres espalhados.
— Não tens medo de atrair muitos zumbis com a tua moto? — Mike perguntou, observando o veículo cuidadosamente.
— Fiz modificações para reduzir o ruído o máximo possível. — Peter deu um sorriso confiante. — Não é para me gabar, mas sou um excelente mecânico.
Mike sorriu de volta, impressionado.
Quando chegaram perto de um shopping, Peter estacionou a moto e desmontou.
— Estás pronto? — perguntou.
Mike puxou a faca do cinto e fez um aceno afirmativo.
Eles se aproximaram da entrada. As portas de vidro estavam completamente quebradas, os fragmentos ainda brilhando sob a luz do sol.
— Já estiveste aqui antes? — Mike perguntou, entrando com cautela e mantendo-se próximo de um dos pilares.
— Algumas vezes, com o Alex. Viemos para nos reabastecer. Mas mesmo que limpemos os zumbis daqui, eles sempre acabam voltando.
Mike sabia que tudo podia acontecer. Caso algo desse errado, ele faria o que fosse necessário para sobreviver. Mesmo que isso significasse sacrificar Peter, embora, para sua surpresa, estivesse começando a gostar dele.
Os dois caminharam lado a lado até entrarem em lojas diferentes, mantendo-se no campo de visão um do outro. Mike explorava as prateleiras quando encontrou um pacote de batatas fritas. Ele abriu, mas uma onda de cheiro podre o fez largar tudo no chão.
— Eca... — murmurou.
Virando-se para outra prateleira, ele deu um salto ao ver um zumbi cambaleando em sua direção. Num movimento rápido, Mike cravou a faca no crânio da criatura, que caiu ao chão.
Após verificar vários pacotes de comida, encheu a mochila com o máximo que podia carregar. Pensou também em levar algumas garrafas de água e, ao passar os olhos por um saco de doces, sorriu.
— Isto vai deixar o Will feliz.
Ele certificou-se de que o conteúdo ainda era comestível antes de guardá-lo. Ao sair da loja, olhou em volta e chamou:
— Peter, tu...
— Beuargh!!!
Mike congelou. Um zumbi o prensou contra a parede com tanta força que sua faca escapou de sua mão e deslizou pelo chão. A boca da criatura estava a centímetros de seu pescoço. Antes que pudesse reagir, o zumbi colapsou contra ele, morto.
Uma flecha atravessara o crânio da criatura, tão próxima que Mike sentiu o vento passar pela orelha. Ele empurrou o corpo para longe e levantou o olhar, encontrando Peter com um arco na mão.
— O que foi isso? Já não sabes te defender? — perguntou Peter com um sorriso provocador.
Mike revirou os olhos enquanto recuperava sua faca.
— Obrigado, Robin Hood.
Peter deu uma risada leve.
— Vamos.
Continuaram a busca por mantimentos e roupas. Em meio à procura, Peter jogou um pacote para Mike. Era uma camiseta que parecia do tamanho perfeito para Will.
— Ele vai gostar dessa — comentou Peter com um sorriso.
Mike guardou a peça, mas sentiu um olhar demorado de Peter nele por mais tempo do que o normal. O silêncio entre eles ficou estranho, até que Peter se aproximou de forma inesperada.
— Sabes, Mike... — Peter começou, desviando os olhos por um momento, como se buscasse coragem. — Não tens ideia de como me sinto aliviado por termos nos encontrado.
Mike franziu a testa, confuso com o tom de voz do outro.
— O que queres dizer com isso?
Peter hesitou antes de falar, mas, em vez de responder, inclinou-se lentamente em direção a Mike.
— Espera, o quê...? — Mike começou, mas sua frase foi cortada quando Peter encurtou a distância, tentando beijá-lo.
Mike virou o rosto no último momento, os olhos arregalados.
— Peter, o que estás a fazer?!
Peter deu um passo para trás, as orelhas vermelhas de vergonha.
— Desculpa... Eu só... Pensei que talvez...
— Peter, eu... — Mike hesitou, respirando fundo. — Olha, tu és ótimo, mas... eu amo o Will.
Peter abaixou o olhar, constrangido.
— Eu percebo... Desculpa mesmo. Foi um erro meu.
Mike assentiu, tentando aliviar a tensão com um sorriso amigável.
— Vamos focar no que viemos buscar, está bem?
— Certo — respondeu Peter, tentando mudar o assunto.
Uma hora e meia depois, enquanto se preparavam para sair do shopping, um som estranho chamou sua atenção.
— Cof... Cof...
Mike seguiu o barulho e encontrou um jovem encostado na parede. Ele estava gravemente ferido, a pele pálida e os olhos sem brilho.
— Ajuda-me... — murmurou o rapaz antes de desmaiar.
Continua...
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The End
Science FictionUm vírus devastador varreu a humanidade, transformando cidades em túmulos e deixando apenas um punhado de sobreviventes para enfrentar o caos. Entre eles estão dois jovens, Mike e Will, que, guiados pela necessidade de resistir, lutam contra um mund...
