O céu começava a clarear lentamente, tingindo o horizonte com tons alaranjados e rosados. No esconderijo, o ar ainda estava impregnado com o cheiro da lenha queimada na noite anterior, um lembrete silencioso da breve calmaria antes da tempestade. Mas agora, a tranquilidade era substituída por uma tensão palpável. Era o dia da partida.
Mike despertou antes dos outros, o peso da missão tornando impossível um sono tranquilo. Ele se virou na cama improvisada e observou Will ao seu lado, os cabelos ruivos bagunçados sobre o travesseiro fino. Por um instante, pensou em acordá-lo, mas decidiu deixá-lo descansar um pouco mais. Cada momento de paz era precioso.
Levantando-se com cuidado, ele caminhou até a mesa central, onde Peter já estava debruçado sobre o mapa, rabiscando anotações e revisando o plano. O leve ranger da madeira sob seus pés fez Peter erguer o olhar.
— Dormiu bem? — perguntou, a voz baixa para não acordar os outros.
Mike apenas balançou a cabeça, puxando uma cadeira para se sentar ao lado do amigo.
— O suficiente — respondeu. — Está tudo certo para irmos?
Peter passou a mão pelos cabelos desgrenhados e soltou um suspiro.
— Sim... ou quase. Ainda temos um problema. Precisamos de um carro.
Mike franziu a testa. Sabia que encontrar um veículo funcional não seria fácil. Desde que o mundo entrou em colapso, carros haviam se tornado relíquias raras. A maioria estava sem combustível, com pneus murchos ou simplesmente inutilizáveis.
Alex, que acabava de se levantar, se aproximou com os braços cruzados.
— Isso significa que teremos que procurar um no caminho. E com sorte, um que tenha gasolina suficiente para nos levar até a Arena e de volta.
— Podemos tentar um posto de gasolina ou alguma garagem abandonada — sugeriu Will, que agora estava acordado e vinha ao lado de Thor. O cão abanava a cauda levemente, como se sentisse a tensão no ar.
Emmy, sentada no canto amarrando as botas, bufou.
— Não vai ser tão simples. A última vez que procuramos um carro que funcionasse, passamos horas e só encontramos sucata.
— Mas dessa vez não temos escolha — disse Alex. Ele pegou a faca da bainha na cintura e começou a afiá-la distraidamente. — Se formos a pé, demoraremos um dia inteiro para chegar à Arena. E precisamos chegar rápido, antes que descubram que escapamos.
— Então é isso — concluiu Peter, dobrando o mapa e o guardando na mochila. — Primeiro, encontramos um veículo. Depois, seguimos para a Arena.
A ideia de voltar para aquele lugar fazia o estômago de Mike se revirar, mas ele sabia que não havia alternativa. A Arena era um símbolo do terror instaurado por Kinga e seu grupo. Se quisessem acabar com aquele inferno, tinham que atacar a raiz do problema.
Will aproximou-se de Mike e tocou levemente seu braço.
— Tem certeza que quer fazer isso? Podemos tentar encontrar outro jeito...
Mike olhou para ele por um longo momento antes de suspirar.
— Não há outro jeito, Will. Eles não vão parar. Se não acabarmos com a Arena, mais pessoas vão ser capturadas, obrigadas a lutar e morrer.
Os olhos verdes de Will brilharam com preocupação, mas ele assentiu.
— Então eu vou com você.
— Não... — Mike começou, mas Will o interrompeu.
— Eu vou. Se acha que vou ficar aqui esperando sem fazer nada enquanto você se arrisca lá, está enganado.
Mike sentiu o coração apertar. Ele queria proteger Will, mas sabia que tentar convencê-lo a ficar para trás era inútil. Will era tão teimoso quanto ele.
Alex olhou para os dois e depois para o resto do grupo.
— Se alguém quiser desistir, essa é a hora. Porque uma vez que partirmos, não há mais volta.
Ninguém se moveu. O silêncio reinou por alguns segundos até Emmy se levantar, ajustando o coldre da arma na perna.
— Vamos acabar com essa Arena de uma vez por todas.
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The End
Ficção CientíficaUm vírus devastador varreu a humanidade, transformando cidades em túmulos e deixando apenas um punhado de sobreviventes para enfrentar o caos. Entre eles estão dois jovens, Mike e Will, que, guiados pela necessidade de resistir, lutam contra um mund...
