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— Eu acho que a resposta é D, mas eu marcaria a B por desencargo de consciência, embora eu esteja sinceramente desconfiada da A — Shoko leu novamente a questão e entregou a apostila a Kento — Você chutaria qual?

— Eu não chutaria, porque a resposta é realmente D — ele mostrou um trecho marcado em uma das apostilas de estudos que tinham lido alguns minutos antes — Você tem que parar de desconfiar da sua própria inteligência, você é mais inteligente do que pensa e está desperdiçando isso por causa da sua ansiedade.

— É que tudo no direito é tão cheio de "porém" e "entretanto" que no fim das contas eu não tenho certeza de nada que estou fazendo — a garota confidenciou, exausta — Vocês são bons, tem certeza das respostas o tempo todo e nunca tremem quando não sabem uma pergunta.

— É porque nós estudamos pelos seus cadernos, se você lesse suas próprias anotações, entenderia que você é a melhor de nós — Gojo esticou o caderno para a amiga, que respirou fundo e começou a reler — Se não fosse por você, ainda estaríamos todos presos em Ética, lá no primeiro período.

— Você não foi em nenhuma aula de ética e passou com nota máxima — ela comentou, e o amigo concordou com a cabeça — Não é possível que eu seja tão boa assim, esse curso é desumano, tem coisas que nem nós mesmos sabemos por que estamos estudando.

— Você geralmente sabe, e é isso que acaba ajudando a gente no final do período — os dois tentaram incentivar a garota a manter o ânimo em cima, e ela concordou.

— Mas vamos encerrar por hoje? Eu não aguento mais, a minha cabeça está girando de tanta antropologia dentro dela — a morena fechou os cadernos e encarou os amigos — Vamos beber?

— Temos prova de antropologia amanhã, e da última vez que eu saí pra beber com você... Eu só quero esquecer aquele dia tenebroso — tampou o rosto e a garota gargalhou alto — Você é o capeta!

— Eu não tive culpa de nada, tá bom? Vocês me deixaram em casa e eu fiquei lá — ela provocou o amigo, e então virou para o outro, que os olhava esquisito — Ele tá assim porque o amiguinho dele não subiu com o Geto na sexta. Desde então a culpa de tudo que dá errado na vida dele é minha.

— Cara... Seu relacionamento tá legal? — seu amigo lhe encarou com compaixão, e ele só se sentiu mais terrível ainda — Mais importante que isso, como que a Shoko sabe desse tipo de coisa da sua vida?

— Porque ele é igual uma garotinha de 13 anos, me liga para contar absolutamente tudo. Quando beijou Suguru Geto pela primeira vez me mandou um áudio de quinze minutos — ela deu uma cotovelada no amigo, que só choramingou mais ainda — Mas eu disse pra ele que é normal. O próprio Geto riu.

— Ele riu porque estava bêbado demais para ter real noção do que aconteceu ali, nem deve lembrar direito já que hoje de manhã agiu como se nada tivesse acontecido — se Satoru pudesse se enfiar no chão naquele momento, ele o faria — Eu tenho certeza que ele vai...

Antes que Gojo conseguisse choramingar mais ainda e se atirar no chão para se fazer de coitado, ouviram o barulho de chaves na porta, e se encararam nervosos para mudar de assunto.

— Oi... Vocês ainda estão estudando? Não sabia que estavam tão ferrados assim — Suguru largou a bolsa no chão e sentou ao lado do namorado — Posso ajudar de alguma forma? Desde que não seja antropologia.

— Mas foi você quem nos ferrou em antropologia, então seria justo que... — Geto tampou a boca do namorado rapidamente, negando com a cabeça — Tudo bem, já entendi. Como estavam as crianças?

— Itadori colou uma meleca no cabelo da Kugisaki, e então eles trocaram socos pela milionésima vez e tivemos que deixá-los separados a tarde toda. E Fushiguro sentiu sua falta. Eu disse a ele que você não foi porque é irresponsável, então se prepare para uma bronca no próximo fim de semana.

Deu pra passar? || SatosuguHistórias para pegar e não largar. Descubra agora