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(Cinco meses depois)

— Por que seus livros de química foram parar junto com meus livros de Direito Penal? — Satoru perguntou atrapalhando enquanto corria para fora do quarto.

— Porque é isso que acontece quando você deixa minha mãe cuidar da nossa mudança. Eu falei que deveríamos ter dito não, mas você concordou e agora vai ter que passar o resto dos dias organizando eles, porque eu não vou mover um dedo pra isso — Suguru passou a sua frente com um sorrisinho, roubando um beijo rápido do namorado — Como foi a entrevista?

Antes que conseguisse sair para terminar de organizar suas coisas, seu namorado o segurou, lhe dando um abraço forte e enfiando o rosto na curva de seu pescoço.

— Acho que o velhote gostou de mim. Talvez eu esteja enganado, mas eu fiz ele rir a manhã inteira — sua voz saia abafada pela posição, mas nenhum dos dois queria desfazer aquele carinho agora — E depois disse que eu iria servir.

— Significa que você é o novo assistente dele, e vai dar aulas de antropologia para as turmas de Direito, Administração e Jornalismo — beijou os fios claros do namorado, orgulhoso, e riu quando seu namorado o apertou com mais força — Vai ser um professor muito melhor que eu.

— Você era muito bom — ele não tinha medo e nem motivos para esconder o receio em assumir o mesmo trabalho que seu namorado um dia tinha executado — Eu não sei se consigo ser assim, minhas notas subiram depois que eu passei a prestar atenção nas suas aulas e...

— Suas notas subiram tanto porque eu sou seu namorado — revirou os olhos, como se aquilo fosse algo óbvio — Ou você acha que a gente estudava aleatoriamente em casa? E óbvio que eu te ensinava só o conteúdo das avaliações.

Completamente chocado e desestruturado com a informação, seu namorado de olhos brilhantes desabafou, triste — E eu pensando que esforço e trabalho duro davam resultado.

— E devem dar, mas eu também não sou grande fã de antropologia, então era melhor poupar nós dois de um trabalho infernal — bocejou levemente — Cuida, você vai se atrasar pra aula, e eu preciso passar no laboratório.

Eles se soltaram, a contragosto de ambos os lados, mas infelizmente as responsabilidades do dia falavam mais alto.

— Vou sentir saudades de ver você na hora do almoço e voltar juntos pra casa — Satoru reclamou enquanto procurava as chaves do carro.

— Eu não morri, sabia? Ainda faço pesquisa na mesma universidade que você estuda — Suguru observou seu namorado andando como um maluco pela casa novamente, como ele tinha adquirido (forçado) o hábito de fazer nos últimos dias — O que você está procurando?

— Às chaves do meu carro, parece que eu nunca encontro nada nessa casa. Se fosse no antigo apartamento eu saberia exatamente onde elas estavam, porque você sempre deixa elas na mesa da sala — o moreno riu enquanto ouvia o parceiro reclamar pela casa toda — Por que precisamos nos mudar mesmo? Odeio isso.

— Porque você precisava ficar mais próximo da faculdade esse ano, por causa dos seus estudos e do estágio, lembra? — ele se aproximou, cutucando o namorado enquanto pegava as chaves em cima de uma das caixas que estavam espalhadas pelo apartamento — Amo você.

— Amo você, mesmo que tenha me obrigado a me mudar — pegou a chave das mãos de Suguru e aproveitou para arrastar o outro para fora.

— Eu mimei você demais — o moreno reclamou enquanto entravam no elevador.

A decisão de mudarem não foi inicialmente tomada pelas duas partes, e durante os quatro meses que estiveram viajando juntos, Suguru precisou convencer o namorado todos os dias do quão importante seria aquela mudança para os dois.

Deu pra passar? || SatosuguHistórias para pegar e não largar. Descubra agora