𝗢𝗡𝗗𝗘 Arthur Fernandes é quebrado emocionalmente. Isso foi causado pela morte do seu melhor amigo, parte da culpa é dele, mas não se conforma com isso. As vezes, por não saber oque fazer e nem que rumo tomar para sua vida ele se fecha completamen...
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Meu inferno nunca deixou de ser prata e ter gosto de maça verde.
Já nem consigo mais contar quantas tragadas eu já dei no ignite.Cada puxada é um segundo a mais de silêncio, uma forma de tentar amenizar a dor que estou sentindo.
Fecho os olhos e solto a fumaça devagar, sentindo um pequeno alívio. O quarto está totalmente consumido por a fumaça , está iluminado apenas pelo brilho fraco do LED verde do ignite entre meus dedos.
Me pergunto se essa foi a melhor forma que encontrei para esquecer de tudo oque está acontecendo na minha vida agora. Se tudo o que eu sou agora se resume a esse ciclo de fumaça, doses de alcool e pensamentos que insistem em não me deixar em paz.
O que me dói mais não é o vício em si, mas o fato de que eu já tinha deixado isso para trás há muito tempo. Achei que estava livre, que nunca mais precisaria disso. Mas aqui estou eu de novo, preso no mesmo ciclo que tanto lutei para me manter longe.
Agora vejo o mesmo Arthur de um tempo atrás. O Arthur que vivia em festas bebendo tudo oque via, viciado em todo tipo de cigarro. O Arthur viciado na maldita nicotina.
Olho em volta. Várias latinhas de cerveja no chão, algumas garrafas de gin em cima da mesa, roupas espalhadas pelo chão.
Meu quarto ta uma verdadeira zona. Na verdade minha vida ta uma zona.
Hoje, eu deveria ter ido pra escola. Os representantes fariam uma reunião com a turma para decidir o rumo da festa de formatura.
Mas, em vez disso, estou aqui, afundado no colchão, fumando essa merda como se ele fosse tirar toda minha dor. Meu celular vibrou algumas vezes, provavelmente mensagens no grupo da sala, gente discutindo sobre temas, os valores, quem vai organizar o quê. Mas nada disso me importa.
Rolei a tela e minha lista de contatos com tédio. Sem querer entrei nas mensagens da Maya.
Suspirei.
"Poxa, Thur, me responde, to com saudades"
Apenas vizualizei a mensagem. Nem tive o trabalho de responder.
Mas de verdade? Tudo o que eu queria era um abraço. Um colo que eu pudesse desabar sem precisar explicar nada. Alguém que entendesse essa dor sem que eu precisasse falar nada.
E, pra ser mais específico, eu queria o colo dela.
— Eu preciso parar com essa merda. — Joguei minha cabeça para trás, tampando meu rosto com as mãos. Tentando afastar os pensamentos.
Oque ficava trancado na minha gaveta para nunca mais ser usado agora esta ali, nas minhas mãos.
Ainda é estranho pra mim fumar depois de tanto tempo sem colocar nada na boca. Mas ao mesmo tempo parece que eu faço isso todos os dias.
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