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O silêncio em casa estava insuportável

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O silêncio em casa estava insuportável.

Eu estava deitado na minha cama, trancado no meu quarto, olhando pro teto. Não dormi, não comi, não chorei.

Faz quase 6 dias que o Tony morreu, mas parece que tudo aconteceu a minutos atrás.

Derramei todas as minhas lágrimas quando vi ele palido naquele caixão com os olhinhos fechados e a boca semi aberta.

Foi a pior visão da minha vida inteira.

O Tony foi embora.

Era oque eu repetia desde o velório, tentando processar tudo.

Meu peito doía, mas não era uma dor física. Era algo profundo, sufocante. Um peso invisível que apertava minha garganta.

Eu virei o rosto e vi os bonecos da marvel que Tony brincava e deixava guardadinhos na mesa do meu quarto. Tony guardou na última vez em que brincou e nunca mais tocou.

Nunca mais.

Fechei os olhos com força. Eu não queria lembrar, não queria que aquilo vinhesse pra me atormentar ainda mais.

Eu não fui mais a escola, não fui mais a praia para esquecer dos problemas, não fui mais na casa da Maya. Nem toquei no celular desde o dia em que atendi aquela ligação do Bak.

Não tenho vontade de fazer nada.

Meu celular vibrou mais uma vez ao meu lado. Nem me dei ao trabalho de olhar. Já sabia o que era. Mais uma mensagem de conforto, mais uma tentativa inútil de fazer essa dor passar.

Mas essa dor não vai passar. Nunca.

Fechei os olhos, tentando afastar o peso esmagador dentro de mim. O quarto estava escuro, apenas a luz fraca do meu PC iluminava.

Então, ouvi passos.

A porta rangeu levemente, e dois rostos apareceram. Bak e Coringa.

Eles não disseram nada de imediato. Apenas ficaram ali, na entrada, me observando como se estivessem tentando medir o estrago. Como se esperassem que eu os expulsasse.

— Trouxemos comida — Bak disse, erguendo um saco de papel.

— Na real, ele trouxe. Eu só vim porque achei que você ia ficar maluco se ficasse mais tempo trancado nesse quarto.

Dei um sorriso sem vontade, quase imperceptível.

Bak puxou a minha cadeira gamer e se sentou. Coringa apenas se jogou na pequena poltrona no canto do quarto.

— Não precisa falar nada — Bak disse. — A gente só vai ficar aqui.

Eu não respondi, mas também não pedi para eles saírem.

Talvez, por um momento, eu não quisesse mesmo ficar sozinho.

Então eles ficaram. Não disseram nada, mas estavam. Por um momento, aquele silêncio se tornou bem menos insuportável.

𝘵𝘦𝘦𝘯𝘢𝘨𝘦 𝘤𝘳𝘶𝘴𝘩  - 𝗮𝗿𝘁𝗵𝘂𝗿 𝗳𝗲𝗿𝗻𝗮𝗻𝗱𝗲𝘀.Onde histórias criam vida. Descubra agora