WANDA MAXIMOFF
Natasha enrijeceu tão fortemente ao meu lado que meu corpo se virou em sua direção por puro instinto. Sua mão apertava a minha inconscientemente e seus olhos se arregalaram na direção da mulher à nossa frente.
— Nat? -minha voz saiu preocupada e ansiosa.
— Nat? -a mulher ecoou da mesma maneira, parecendo tão assustada quanto nós.
Ela enrijeceu mais ainda, como se aquela voz causasse dor física nela. Tudo que eu queria fazer era proteger a mulher que eu amava a todo custo, mesmo sem saber do quê.
A mão da desconhecida continuava entre as portas do elevador, impedindo-as de fechar e, por mais que ela estivesse parada, eu podia ver que a sua postura também parecia ansiosa.
— Me tira daqui. -minha namorada sussurrou baixinho. — Por favor.
Sem pensar duas vezes, empurrei a mão da mulher com as minhas, e apertei o botão do andar da sala de reuniões furiosamente. Natasha respirava fundo ao meu lado, olhos fechados e uma expressão de horror no rosto.
— Nat, me deixa falar com você por um momento. -a mulher voltou a falar, mas logo as portas metálicas se fecharam entre nós.
Ouvi o suspiro quase aliviado que Natasha deu ao meu lado, mas ela ainda estava completamente nervosa.
Pensei em perguntar o que estava acontecendo, mas ela parecia tão assustada que tive medo de piorar ainda mais a situação.
Quando as portas se abriram novamente, achei que ela correria para fora, mas nada disso aconteceu. Natasha apenas continuou lá, respirando pesadamente enquanto seu corpo tremia por completo.
— Amor? O que aconteceu? -perguntei com cautela, tentando manter a calma. — Quem era aquela mulher?
Minha mão tocou nela instintivamente, mas seu corpo recuou de maneira rápida, defensiva.
Aquilo me pegou de surpresa, fazia poucos dias que o toque era presente em nossa relação, mas eu já estava completamente acostumada a ele. Foi como um soco no estômago vê-la se afastar.
Natasha não respondeu de imediato, ela continuou lá respirando profundamente, enquanto o nervosismo tomava conta de cada célula dela, eu podia dizer isso só em olhá-la.
Continuei segurando as portas do elevador, sem saber ao certo o que fazer ou como agir.
Algumas pessoas passavam por nós, muitas delas nos encaravam antes de partir para a sala de reuniões, o movimento estava maior que o normal hoje, tudo parecia mais caótico e barulhento.
— Vamos sair daqui. -pedi com a voz baixinha, dessa vez sem toca-la. — Você precisa de um lugar mais calmo.
Ela concordou minimamente com a cabeça, mas não fez menção de se mexer. Me perguntei o que aquilo significava, mas antes que minha mente pudesse processar mais alguma coisa, a mulher indesejada estava de volta à nossa frente.
— Natasha! -ela disse ofegante, vindo da direção das escadas. — Qua bom que te encontrei.
Ela parou por um momento, apoiando suas mãos nos joelhos enquanto respirava com dificuldade. Minha namorada se encolheu mais uma vez, tensionando novamente ao meu lado.
— É melhor você ir embora. -disse tomando a frente da situação. Seja lá quem essa mulher fosse, eu não deixaria que ela continuasse a afetar Natasha dessa forma.
— Eu só quero me explicar. -respondeu rapidamente, dando um passo em nossa direção. — Natasha, eu sei que faz muito tempo, mas eu preciso...
— Vai embora, Hope! -dessa vez não fui eu quem respondeu.
De repente tudo fez sentido na minha cabeça. Hope, eu lembrava desse nome. Eu sempre lembraria, porque era o nome por trás de todo o tormento que Natasha passou.
— Você a ouviu. -disse com firmeza, ficando no meio do elevador, tampando totalmente a sua visão e deixando claro que ela não deveria se aproximar.
Eu não faço ideia do que ela estava fazendo aqui ou quais eram as suas intenções, mas eu protegeria Natasha a todo custo.
— Eu só quero me explicar. -tentou mais uma vez.
— Mas ela não quer ouvir. -disse de maneira mais ríspida e isso chamou sua atenção.
— sinto muito, Nat. -ela continuou, não parecendo ligar para o que eu tinha dito. — Eu nunca quis que nada daquilo tivesse acontecido. Foi um erro.
Ouvi Natasha chorar atrás de mim e isso enviou uma onda de fúria que eu mal conseguia controlar.
Dei dois passos para frente, saindo do elevador e parando exatamente à sua frente. Ela me encarou, sua postura não vacilando nem por um segundo.
— Eu disse que ela não quer ouvir. -falei vagarosamente, deixando a raiva respingar em cada palavra. — Vai embora.
Ela me olhou por um segundo e então era como se eu não tivesse ali e logo ela estava tentando se comunicar com Natasha novamente.
— Eu não queria que nada daquilo tivesse acontecido. -sua voz saiu um pouco mais alta. — Por favor, me ouve. Eu sinto muito, Nat. Você acredita em mim?
Ela falaria mais coisas, mas minhas mãos voaram em sua direção, empurrando-a para trás, fazendo com que ela cambaleasse um pouco.
Seus olhos finalmente pousaram em mim, parecendo entender que eu não recuaria sob nenhuma circunstância.
— Se afasta. -disse alto, não me preocupando mais em ser educada.
— Você não pode responder por ela. Natasha e eu temos um assunto inacabado. -ela retrucou, voltando a se equilibrar.
Ela tentou dar alguns passos para frente, em busca de colocar a mulher ruiva novamente em seu campo de visão, mas a empurrei outra vez.
— Eu disse para se afastar.
Havia muita gente ao nosso redor agora, era inevitável. Por mais que eu quisesse proteger a Natasha de todo o falatório que viria, eu não permitiria que ela se aproximasse, não quando a presença dela a afetava dessa maneira.
— Mas o que diabos está acontecendo aqui?
De repente Yelena estava emergindo do pequeno aglomerado que nos rodeava e eu não sabia se me sentia aliviada por ter algum suporte ou preocupada pelo olhar assassino que se formou em seu rosto no momento em que ela nos encarou.
Depois daí foi tudo uma grande bagunça. Yelena gritava enquanto Hope tentava a todo custo se justificar. Kate estava entre as duas, tentando impedir que sua esposa cometesse um assassinato e uma multidão ainda maior assistia a tudo.
Natasha continuava acuada no elevador, observando aquilo como se ela fosse quebrar a qualquer momento e meu coração se apertou com a expressão de medo que ela carregava.
Me aproximei dela, sabendo que, mesmo que ela não estivesse pronta para receber o meu toque, eu não a deixaria sozinha.
— Lena, Lena! Acredite em mim, não vale a pena. -suas mãos estavam no rosto de Yelena, acalmando a mulher à sua frente.
Por um segundo, houve silêncio, como se todo mundo estivesse com muito medo de reagir ou falar qualquer coisa.
Hope finalmente tinha recuado e alguns seguranças a rodeavam.
— Se você colocar os pés nessa editora ou em qualquer lugar próximo à minha irmã novamente, eu juro que irá se arrepender. -Yelena ameaçou antes de se desvencilhar de Kate e caminhar em nossa direção.
Os seguranças escoltaram Hope para fora pelas escadas, as pessoas começaram a se dispersar e eu pude sentir minha respiração se acalmar um pouco.
Laura e Darcy me encaravam assustadas, tentando entender o que estava acontecendo, mas não se aproximaram muito.
Dei espaço pra que Yelena se aproximasse de Natasha, sabendo que nesse momento ela saberia melhor como conduzir as coisas.
As duas conversaram baixinho, Yelena também não a tocou, mesmo estando claro a sua preocupação.
A troca entre elas não demorou muito, parte de mim sabia que Natasha estava acalmando sua irmã, mesmo que ela estivesse completamente destruída por dentro.
— Vem, vamos sair daqui. -Yelena pediu e ela apenas concordou.
Caminhamos em direção à sala de reuniões, Kate, Yelena, Natasha e eu. Claramente qualquer compromisso do dia estaria cancelado, mas eu sabia que as duas mulheres ao nosso lado precisariam resolver questões burocráticas, então elas se afastaram um pouco, nos dando alguma privacidade.
— Eu sinto muito. -Natasha disse baixinho, seu rosto um pouco vermelho, mas bem menos assustado agora.
— Você não precisa se desculpar, nada disso é culpa sua. -respondi.
— Eu deveria ter resolvido essa situação, deveria ter lidado melhor com...
— Nat, essa mulher te traumatizou! -a interrompi, dando um passo para mais perto dela. — Você não tem culpa de nada.
Ela não respondeu de imediato, apenas colocou as mãos nos bolsos frontais da calça e respirou fundo, como se tentasse colocar os pensamentos em ordem.
— Eu achei que eu estava melhor, achei que tinha superado. -ela disse com pesar.
— O fato de Hope ter aparecido aqui e ter aberto algumas feridas não significa que você não está evoluindo. -contra argumentei e ela não rebateu.
Yelena voltou a se aproximar, parecendo mais calma também.
— As reuniões estão canceladas. -ela informou. — Ainda estou tentando entender como Hope veio parar aqui, mas nesse meio tempo, acho que todas nós deveríamos ir para casa.
Eu estava de acordo, continuar aqui apenas colocaria ainda mais pressão e não ajudaria em nada. Tudo que eu queria era chegar em casa e envolver Natasha em meus braços até que ela se sentisse segura novamente.
Entretanto, antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, minha namorada se aproximou, ainda parecendo retraída enquanto seus olhos me encaravam cheios de culpa.
— Você se importa se eu for sozinha? Acho que... acho que preciso disso, pelo menos por um tempo.
As palavras fugiram por um momento de mim. O que eu diria? É claro que eu não queria deixá-la sozinha, muito menos em um momento como esse, mas não queria passar por cima de nenhuma das suas decisões.
Por mais que eu tentasse, jamais conseguiria entender totalmente a forma como toda essa situação afetava a Natasha. Era algo grande, pesado e profundo.
— Tudo bem. -disse simplesmente. Respeitando o que ela queria.
— Eu prometo que isso é passageiro. -ela tratou de dizer logo em seguida. Como se quisesse me dar alguma garantia.
Apenas acenei positivamente, tentando minimizar a situação, me agarrando em suas palavras, porque era o único que eu tinha. Precisava confiar que seria realmente apenas algo passageiro.
— Volte logo para mim. -sorri para ela. — Eu te amo.
— Eu te amo também. -Foi o que ela disse antes de ir embora.
Darcy e Laura estavam em minha sala me esperando e, de certa forma, eu estava agradecida por isso.
Elas me abraçaram em conjunto e ficamos assim por um tempo.
— Você não precisa falar nada se não quiser. -foi a Darcy quem começou a falar. — A gente só quer dar um pouco de apoio e ajudar em algo, se pudermos.
— Mas também estamos aqui caso você queira conversar. -Laura completou.
Sorri mais uma vez porque eu sabia que o apoio delas era genuíno. Mais cedo, enquanto eu contava sobre tudo que tinha acontecido entre Natasha e eu nos últimos dias, era fácil perceber que elas estavam felizes.
— Sabe quando tudo está bom demais e você fica esperando que alguma coisa vai acontecer? Qualquer mínima coisa que coloque em cheque toda a felicidade que você está sentindo?
— Aquela mulher tem esse poder? -Darcy questionou depois de um tempo. — De colocar em cheque a felicidade de vocês?
— Sim. -admiti em derrota. — Talvez mais do que eu tenha imaginado.
XXX
Foi uma noite difícil, eu tenho que confessar. Rolei na cama por algumas vezes, antes de desistir completamente e me encaminhar para o sofá com um chá de camomila e um livro nas mãos.
Mais cedo, Kate tinha me mandando algumas mensagens, primeiro tentando saber como eu estava e depois me tranquilizando sobre Natasha estar bem.
Segundo ela, minha namorada tinha conversado por alguns minutos com Yelena antes do jantar, alegando estar bem apesar de querer continuar sozinha.
Me senti agradecida pela informação, mas ainda completamente incomodada de estar recebendo-as por intermédio de outra pessoa.
Era como se tivéssemos regredido cem passos em apenas algumas horas.
O dia seguinte não foi muito diferente. Quando acordei, depois de ter ido dormir apenas após o sol nascer, era como se toda a energia do meu corpo tivesse sido drenada completamente.
Natasha, é claro, não apareceu na Belova Edition, o que não era de todo uma surpresa, mas só adicionava uma camada a mais de preocupação.
Encarei meu celular na esperança de que ela tivesse entrado em contato, mas é claro que isso também não tinha acontecido.
Eu poderia tentar, é claro, mas seria como desrespeitar a sua decisão de ficar sozinha por um tempo.
Em um determinado momento do dia, Yelena e Kate bateram à minha porta. Eu sabia que elas estavam tão preocupadas quanto eu, mas também sabia que aquela era a maneira delas dizerem que também se importavam comigo, com os meus medos.
— Natasha não vai conseguir ficar muito tempo longe. -Kate brincou, dando um de seus sorrisos que acalmam qualquer pessoa.
— Estou contando com isso. -entrei na brincadeira, afinal não iria adiantar nada pesar o clima e colocar para fora tudo o que eu estava sentindo.
Yelena estava séria, muito mais calma do que no dia anterior, mas ainda assim séria. Eu entendia como ela se sentia, entendia seu jeito protetor de ser.
— Nenhuma de nós vai deixar a proximidade daquela mulher estragar as coisas. Nem com a Nat e nem com vocês. -Yelena me garantiu. — Apenas dê mais um tempo a ela.
— Eu não pretendo ir a lugar nenhum, Yelena. -afirmei, porque era verdade.
O expediente terminou sem muitas emoções, era claro que nós corredores se ouvia algum burburinho aqui e outro ali, mas eu havia ignorado todos eles. Eu havia ignorado cada coisa que não fosse Natasha, o seu olhar de pânico enquanto Hope estava em sua frente e o seu afastamento repentino.
Manobrei o carro para fora do estacionamento com facilidade, já que não havia muito movimento ali e dirigi com calma até em casa. Tudo que eu queria era um banho, uma caneca fumegante de chá e algum livro de qualidade duvidosa para me tirar de órbita e me fazer parar de pensar.
Mas todos os meus planos foram interrompidos quando os cabelos vermelhos e trançados entraram no meu campo de visão, me fazendo sorrir involuntariamente apenas para a sua presença.
— Você está aqui!
— Sim, estou. -ela sorriu timidamente, parando na minha frente.
— Eu achei que... -interrompi minha própria fala, não querendo fazer nenhuma acusação ou algo parecido.
— Que eu iria sumir por um tempo?
— Algo assim. -admiti.
Não estávamos distantes uma da outra, mas também não estávamos próximas como costumávamos estar nos últimos dias.
Parecendo perceber isso, Natasha fechou a distância, se aproximando por completo e puxando minhas mãos para as suas.
— Senti sua falta. - ela sussurrou e eu derreti naquele toque singelo.
— Eu estou bem aqui. -afirmei, deixando meu rosto roçar no seu rapidamente, sentindo seu cheiro me invadir.
Ficamos assim por um longo momento, eu sabia que estávamos no meio da rua e que, provavelmente, haveria pessoas olhando, mas tudo que conseguia registrar era a sua presença, o seu toque, a proximidade que me fazia queimar sempre.
— Sinto muito por ter me afastado.
— Você sempre pode ir, desde que volte. -garanti.
— Eu sempre vou voltar.
Ela afirmou e eu me prendi àquelas palavras, rezando silenciosamente para que aquela promessa fosse cumprida.
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Notas: eu demoro, sumo, desapareço, mas sempre volto! Logo logo tô por aqui de novo 🫡
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Untouchable
FanfictionWanda Maximoff está de mudanças. Nova cidade, novo emprego... Isso tudo ela já está mais do que acostumada. O que ela não sabia é que uma mulher linda e misteriosa viraria seu mundo de cabeça para baixo.
