23. Caminhos

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NATASHA ROMANOFF

Acordei com uma dor deliciosa atingindo cada centímetro do meu corpo, me fazendo relembrar tudo o que fizemos juntas na noite passada. Era ainda uma situação nova, diferente do que eu estava acostumada, mas completamente excitante.

Wanda se espreguiçou ao meu lado, sorrindo daquele jeito que fazia meu interior tremer, mas nada disso. Nenhuma palavra era necessário, na verdade, nossos sentimentos já falavam por si só.

Ela se aconchegou em mim, deixando beijos leves pelo meu ombro e pescoço, me fazendo suspirar.

– Sei que parece bobo, mas é tão bom poder fazer isso. -Beijou outra vez para dar ênfase às suas palavras. – É bom estar com você.

Para um casal comum poderia realmente ser bobo, acordar abraçadas e trocar beijinhos de bom dia ou ter uma noite intensa de amor onde uma descobria a outra de incontáveis maneiras, mas para nós não. Para nós tudo era significativo, cada pequeno passo era uma grande vitória.

– Obrigada por ter ficado e esperado pelo meu tempo. -Confessei baixinho.

– Obrigada por ter me permitido ficar. Eu te amo. -Wanda respondeu sorrindo mais uma vez.

– Eu te amo também.

Tomamos nosso café da manhã juntas, em meio a beijos e carícias que ora se intensificaram, oram se tornavam delicadas. Era como uma montanha russa, mas o frio na barriga não era assustador ou temeroso.

Ele me fazia rir, me fazia ansiar por mais, por tudo.

Ao lado dela todos os dias tinham a calma de uma manhã comum e a expectativa de uma noite especial. Wanda unia os dois lados de uma mesma moeda em um equilíbrio perfeito que curava pouco a pouco cada parte quebrada de mim.

– –

A rotina que se seguiu após isso foi tranquila. Eu dividia meu tempo entre trabalho, Wanda e minha irmã. Semanalmente eu me encontrava com Jean e embora muitas vezes eu saísse mentalmente abalada, não era de uma forma ruim. Era como se eu tivesse enfrentando meus demônios, mas de uma forma preparada agora. Como se eu realmente pudesse lutar com eles de igual para igual.

Até mesmo Yelena era capaz de perceber a mudança. Ela estava muito menos controladora e preocupada. E, por mais que eu amasse o seu cuidado, era bom finalmente poder ter uma relação sem tanto peso.

– Almoçando sozinha? -Kate perguntou quando passou por mim no corredor.

– Vocês mandaram minha namorada para uma reunião do outro lado da cidade. Não me restaram muitas opções. -Respondi.

– Menos drama, Natasha. -Ela implicou. – Era isso ou correr o risco de jogar nossa melhor história em potencial nas mãos de uma pessoa qualquer.

– Sim, eu sei que ela é a melhor.

Segui meu caminho, eu tinha um dia tranquilo e, já que Wanda não estaria aqui pelo resto do dia, eu iria embora mais cedo para esperá-la em casa.

Meu almoço seria algo simples, qualquer coisa rápida que eu pudesse encontrar em algum dos muitos restaurantes no entorno da Belova Edition.

– Nat?

Meus pés frearam bruscamente quando aquela voz soou aos meus ouvidos e, por mais que a sensação não fosse tão sufocante quanto da outra vez, ainda era assustador.

Ela não falou por um momento e eu também não me mexi, era como se qualquer movimento fosse fazer meu mundo desabar, então me mantive quieta.

– Será que nós podemos conversar por um momento? -Ela pediu com cautela. – Por favor.

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