22. Controle

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NATASHA ROMANOFF

O tempo longe de todo o caos que havia se instalado em minha vida foi um bom sossego para a mente. Wanda deveria estar preocupada, é claro e eu sabia que Yelena provavelmente estaria surtando e tentando fazer com que Kate arrancasse alguma informação de mim sem parecer invasiva.

Mas tentei deixar tudo isso de lado, me concentrar em mim como Jean sempre me orientava a fazer durante nossos encontros na terapia. Tentava entender como diabos Hope tinha vindo parar tão perto, como ela tinha simplesmente aparecido.

Durante os últimos quase seis anos eu tentei bloquear tudo que ela tinha me causado e me enclausurei numa prisão de distanciamento e solidão.

Foi horrível e eu parecia me afundar mais a cada dia, entretanto, vê-la tão perto me fez perceber que aquela tinha sido a parte "fácil", difícil era encara-la novamente. Naquele momento senti como se eu fosse a Natasha do passado, ferida, acuada e com o coração partido.

– Vai ver a Wanda? -Minha irmã perguntou ao me ver no corredor, quase como se estivesse ali à espreita.

Encarei-a por um momento, a vontade de dizer que não era da sua conta quase falando mais alto, mas freei a língua no último segundo.

– Sim. -Respondi simplesmente. – Você precisa de algo?

– Você está bem? -ela respondeu com outra pergunta. É claro que eu não me livraria assim tão fácil.

Sorri involuntariamente, apesar de tudo, eu sabia que tinha pessoas maravilhosas ao meu lado, mesmo que isso significasse que eu teria sempre alguém no meu pé.

– Não, mas estou tentando ficar. Não é fácil, Lena. Mesmo que alguns dias haja esse senso de normalidade ao meu redor, eu ainda sou fodida. Por completo. -respondi com sinceridade.

Yelena absorveu minha resposta por um momento, procurando as melhores palavras.

– Sinto muito. -ela se desculpou. – Eu deveria ter checado melhor quem seriam os parceiros que a editora de Ohio mandaria. Ou, quem sabe, deveria tê-la matado quando tive a oportunidade.

– Você não tem culpa. -Assegurei. – Te amo, Lena. Nos vemos depois.

Eu sabia que ela ainda tinha mais coisas para dizer, mas não queria colocar minha irmã mais uma vez em uma posição de protetora, onde ela tinha que parar toda sua vida para cuidar da minha.

E, além disso, eu estava com muita saudade da minha namorada.

– –

Wanda parecia genuinamente feliz em me ver, como se um grande peso tivesse sido tirado de seus ombros no momento que nossos olhares se cruzaram.

Estávamos em sua casa e eu encarava sua estante de livros com um sorriso, lembrando da primeira vez que havia estado aqui.

Logo seus braços estavam ao meu redor e seu queixo se apoiou e meu ombro esquerdo. Mesmo sem vê-la, eu podia dizer que ela estava sorrindo.

– Você tem mesmo uma vasta coleção de livros eróticos ou estava querendo apenas me provocar? -Questionei, lembrando do início de tudo.

Quando provocações faziam parte da nossa rotina e aquilo era tudo o que tínhamos.

– Posso saber o porquê da curiosidade, Romanoff? -Ela depositou um beijinho em meu rosto. – Algo em mente?

A coisa que eu mais amava em Wanda, mesmo quando sequer queria admitir para mim mesma, é que apesar de respeitar muito a minha condição e me dedicar todo o suporte do mundo em momentos difíceis, ela me via além. Não me tratava como se eu fosse quebrável ou frágil.

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