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POV's AKAGAMI

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POV's AKAGAMI

A mansão cheirava a tempo. A madeira rangia sob meus pés, como se reclamasse de cada passo dado. As cortinas se moviam mesmo sem vento, e eu senti minha pele arrepiar como se os fantasmas daquele lugar sussurrassem segredos que ninguém deveria ouvir.

Brook caminhava à frente com o andar nervoso de quem se força a ser valente. Nami se agarrava ao meu braço, e Sanji mantinha a frente, olhos atentos. Mas eu... eu estava tentando manter minha mente focada, e era quase impossível.

Desde o dia que causei um vexame, venho tentando manter minha cabeça no lugar — sem pensar demais em Zoro, sem mergulhar na dor do passado, sem desviar da razão. Mas aquele lugar parecia sugar tudo o que eu queria manter sob controle.

Meus poderes estavam inquietos, minha energia pulsava como se algo muito antigo me chamasse das paredes, como se a dor dos mortos ecoasse em mim.

— Está tudo bem, Miwa? — Nami sussurrou. Balancei a cabeça em silêncio. Não. Não estava. Mas como explicar que eu sentia o peso de cada alma que passou ali? Que os sussurros estavam ficando altos demais?

— Esse lugar... é feito de dor. — murmurei. — E ele está viva.

Sanji se virou para mim com preocupação no olhar, mas antes que pudesse dizer qualquer coisa, ouvimos uma risada. Aguda. Fantasmagórica. E logo depois, portas se abriram sozinhas num estrondo.

Brook parou. — É aqui.

Eu respirei fundo. Por ele, eu manteria o controle. Ele precisava de ajuda para enfrentar a si mesmo, para recuperar o que foi tirado. E eu precisava provar para mim mesma que ainda podia ser útil — mesmo com o coração e a mente uma bagunça.

A dor pode esperar. O medo pode esperar. Primeiro, eu vou ajudá-lo a recuperar sua sombra. Depois... depois eu encaro os meus próprios fantasmas.

Seguimos Brook por corredores longos demais para um navio. Tudo ali parecia distorcido. Como se aquele lugar existisse entre o mundo real e algo mais sombrio.

O silêncio foi quebrado por uma pancada surda. O chão vibrou levemente. Brook parou, a mão segurando firme o cabo da espada.

— Ele está aqui. — O ossudo praguejou.

Entramos em uma espécie de salão aberto, com vitrais quebrados e tapeçarias podres. No centro, uma figura colossal surgiu entre sombras. Um zumbi, mas com a mesma postura, o mesmo estilo de luta e até o mesmo a risada única de Brook. Eu senti um choque correr pela espinha.

— Aquilo... é você. — sussurrei, os olhos fixos na criatura.

Brook apenas assentiu, os punhos trêmulos. — É minha sombra. E agora preciso recuperá-la.

Todos se prepararam para a batalha. Eu respirei fundo e deixei minha energia fluir. Naquele momento, não era sobre mim. Era sobre ele. E eu estava ali para garantir que Brook não perdesse a si mesmo de novo.

Eu sentia como se minha pele estivesse gelada. Aquele zumbi com a sombra de Brook não era apenas um inimigo — era uma distorção cruel daquilo que ele foi um dia. E sentir Brook temer, mesmo por trás daquele sorriso eterno, me doía de um jeito que eu não sabia nomear.

Não era medo do monstro. Era medo do que aquilo representava: a dor de perder a própria alma.

Me mantive firme, mas por dentro, tudo em mim lutava para não mergulhar no mesmo abismo que sentia em Brook. A tristeza dele me atravessava. E pior: começava a me lembrar da minha própria.

Meus pensamentos foram cortados por um grito de Nami, e quando olhei de volta, Brook já corria em direção ao zumbi com sua espada desembainhada. Aquilo não era apenas uma luta física — era uma tentativa desesperada de recuperar quem ele era.

E eu não podia deixá-lo enfrentar isso sozinho.

Me aproximei, usando minha habilidade para detectar a instabilidade emocional ao redor. A sombra de Brook. Estava viva, e ao mesmo tempo, vazia. Uma marionete com os restos daquilo que já foi um homem inteiro. A sensação era horrível. E quanto mais me conectava com aquilo, mais sentia que o navio inteiro estava repleto de presenças como aquela.

— Isso aqui é um cemitério em alto-mar... — murmurei, tentando não deixar a angústia transbordar.

Mas era inevitável. Aquilo era só o começo.

(...)

A confusão do combate foi o estopim. Um tremor no chão, talvez causado por outra daquelas aberrações, fez com que parte do piso cedesse. Não tive tempo de reagir — caí.

Tudo ficou escuro por um momento, e quando me levantei, tossindo poeira, percebi que estava sozinha.

O cheiro de mofo era mais forte ali. O lugar era úmido, estreito, com luzes fracas e poças d'água que refletiam rostos... ou o que sobrou deles.

— Onde eu estou? — Bati as mãos em minha roupa para espantar um pouco daquela poeira que foi acumulada com o tempo.

Pelas paredes, gavetas abertas e ferramentas cirúrgicas antigas me diziam que aquele era o laboratório do médico.

O criador. O manipulador das sombras e corpos. Senti um arrepio na espinha.

Foi quando escutei os primeiros sussurros.

Não vinham de bocas. Não de verdade. Eles estavam em todos os cantos — e ao mesmo tempo, dentro de mim.

Meus poderes se ativaram involuntariamente. Cada corpo reanimado naquele lugar tinha um pedaço de alma. Um resto de emoção. Medo. Raiva. Dor.

Eu me vi cercada por zumbis, mas nenhum atacava. Eles apenas sentiam. E eu sentia com eles.

Um começou a chorar sem lágrimas. Outro gritava sem som. As emoções deles se enroscaram nas minhas veias como raízes.

— Eles.. ainda estão aqui. — Falei ao sentir toda aquela angústia do que um dia foram pessoas, vidas.

Meus olhos se encheram d'água. Nunca tinha experimentado algo tão pesado. Não era o medo da morte — era o desespero de viver sem propósito, de existir pela metade.

Me aproximei de um deles, de aparência grotesca e retalhada, mas com olhos fundos que brilhavam com uma tristeza antiga. Segurei sua mão fria, e pela primeira vez ele parou de tremer.

— Eu te sinto.. e prometo que você não será esquecido. — Falei com toda gentileza e empatia que eu tinha por aqueles seres incompletos.

Eles não tinham culpa do que eram, ou o que são. Foram roubados de suas vidas, famílias, amigos e propósitos.

Eu vou acabar com quem havia feito isso.

Eu espero que entendam as mudanças que irei fazer fugindo um pouco do anime

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Eu espero que entendam as mudanças que irei fazer fugindo um pouco do anime.

Essa fic realmente é voltada para história da Miwa e a descoberta dela de quem ela é, quem vai se tornar. Então não estranhem se eu mudar drasticamente algum ocorrido do anime.

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⏰ Última atualização: May 02, 2025 ⏰

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