Nossa Angel...
CAMILA
Nos últimos meses, nossa casa virou um parque de diversões com trilha sonora de risadinhas, brinquedos barulhentos e gritinhos agudos que faziam até os cachorros latirem. Acordar às 6h da manhã virou rotina, e café agora vinha com uma dose dupla de olheiras e manchas de papinha no pijama. Mas, no meio do caos, havia uma paz tão absurda que às vezes eu me pegava rindo sozinha enquanto guardava os brinquedos que ela usava na hora do banho.
Angel tinha tomado posse de nossos corações, da sala, da cama — principalmente do lado do Shawn — e da cozinha, onde agora era rainha, sentada em sua cadeira apropriada. E, apesar de toda a bagunça, nós estávamos bem. Completos. Como se ela tivesse aparecido para reorganizar nossas prioridades com o dedinho cheio de purê. Nossa menina é tudo o que queríamos e não sabíamos que precisávamos.
Naquela manhã, Angel estava mais agitada que o normal, com um babador cheio de estrelinhas e uma tiarinha frouxa que ela mesma tinha puxado até parecer uma faixa, o cabelinho que antes estava arrumado, agora é uma bagunça perfeita de fios castanhos. A colher de papinha estava mais decorativa que funcional, ela usava como microfone para seus gritos desconexos. Mesmo sem compreender aqueles "as", eu amava cada som.
— Vamos lá, amorzinho — eu dizia, tentando convencer uma pequena ditadora a comer banana amassada. — Só mais uma colherzinha. Só uma...
Ela me olhou como quem ponderava se eu merecia aquela colher. E depois decidiu que não. E jogou no chão. Essa garota não tem nem tamanho e já é temperamental desse jeito e não sei quem a puxou.
— Obrigada. Era o que faltava para completar a decoração da mamãe — suspirei. — Você já tem uma carreira promissora.
Foi aí que a porta abriu e Shawn entrou suado da corrida matinal, com a camiseta grudada no peito e aquele sorriso de homem que parece ter saído de um comercial de margarina. Um comercial muito sexy de margarina.
— Bom dia, minhas princesas lindas! — disse, todo animado.
Angel se virou com os olhos brilhando e, do nada, como se fosse a coisa mais simples do mundo, apontou para ele com a colher babada e disse:
— Papai!
O tempo desacelerou, tudo congelou e eu quase larguei a papinha no chão. Shawn travou na porta, piscou lentamente, processando a informação com a boca aberta em choque completo.
— Ela falou...? — ele murmurou. — Falou. Falou. Papai?
— Fa-falou — sussurro completamente estagnada. — Não acredito que gerei essa garota por nove meses para a primeira palavra dela ser: papai.
Finjo indignação.
— Não estrague meu momento — suas mãos tremem e eu fico em silêncio.
Angel, já empolgada com a reação, bateu palminhas e gritou de novo:
— Papaaaaiii!
Shawn se ajoelhou no chão da cozinha de frente para ela, a expressão entre o riso e o choro.
— Eu... eu sou o papai! Ela sabe quem eu sou! EU VOU FAZER UMA TATUAGEM! — Sua voz embargada me faz querer ir e chorar junto com ele.
— Amor, pelo amor de Deus...
— Eu vou mudar meu nome legalmente para “Papai da Angel”! Alguém registra isso. Onde está meu celular?
— Na sua mão, seu bobão.
Ele apontou o celular para ela com lágrimas nos olhos.
— Hoje são doze de maio e minha pequena falou "papai" pela primeira vez... e... e... — ela fungou e eu sorri. — Eu vou tatuar essa data! Olha para a câmera, filha.
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Romance.
RomanceSinopse. "Eu não queria um Romance. Eu queria sexo, uma foda quente, beijos quentes, calcinhas molhadas - algumas, se possível, até rasgadas -, chupões, puxões de cabelo e tapas na bunda. Eu queria ser fodida, queria tudo que há de mais promíscuo. M...
