(cap.72)

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LORENZO CORLEONE

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LORENZO CORLEONE

Os vidros escurecidos escondiam o homem que estava afundado no banco de trás, com o queixo apoiado na mão, olhando a paisagem passar sem ver nada de verdade.

Eu.

Estava com saudades, muita.

Já fiz reuniões como aquela centenas de vezes. Trocas. Juramentos velados. Códigos ditos pelos olhos e silêncio. Mas naquela noite... tudo parecia mais lento. Irritante. Como se o tempo tivesse esquecido de correr.

— Vai querer parar pra comer, senhor? _Gianni, meu motorista, perguntou, do jeito dele. Sempre cuidadoso._

— Não. _espondi seco._

Comer? Como, se o estômago parecia um buraco vazio e enjoado?

Não depois da conversa com a Annie. Não depois de imaginar ela sozinha naquela casa enorme, com Zeus dormindo na porta, como o cão de guarda mais preguiçoso do planeta.

Eu queria estar lá, fazendo parte disso...

Mamando em seu peito enquanto ela me dizia como foi o primeiro contato bom com Zeus...

A reunião foi num galpão abafado, como sempre. Cheiro de cigarro velho, metal enferrujado, suor.

Eu fiz o que tinha que fazer.
Dei ordens, recebi malas, apertei mãos.

Mas tudo no automático. Como se fosse só uma sombra do que sou. Porque o verdadeiro Lorenzo... já tinha voltado pra casa. Num avião invisível. Num pensamento fixo.

Quando acabou, olhei pro relógio.

Três da manhã.

— Quero o jatinho pronto em trinta minutos.

— Mas, senhor, o combinado era dormir aqui, er-

— Quero sair hoje. Agora. Tem algum problema, Gianni?

 𝑳𝑨 𝑴𝑰𝑨 𝑵𝑶𝑽𝑰𝑪𝑨 - 𝒜𝓇𝓂ℯ𝒹 𝒟ℯ𝓋𝒾𝓁𝓈 Onde histórias criam vida. Descubra agora