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LORENZO CORLEONE
Os vidros escurecidos escondiam o homem que estava afundado no banco de trás, com o queixo apoiado na mão, olhando a paisagem passar sem ver nada de verdade.
Eu.
Estava com saudades, muita.
Já fiz reuniões como aquela centenas de vezes. Trocas. Juramentos velados. Códigos ditos pelos olhos e silêncio. Mas naquela noite... tudo parecia mais lento. Irritante. Como se o tempo tivesse esquecido de correr.
— Vai querer parar pra comer, senhor? _Gianni, meu motorista, perguntou, do jeito dele. Sempre cuidadoso._
— Não. _espondi seco._
Comer? Como, se o estômago parecia um buraco vazio e enjoado?
Não depois da conversa com a Annie. Não depois de imaginar ela sozinha naquela casa enorme, com Zeus dormindo na porta, como o cão de guarda mais preguiçoso do planeta.
Eu queria estar lá, fazendo parte disso...
Mamando em seu peito enquanto ela me dizia como foi o primeiro contato bom com Zeus...
A reunião foi num galpão abafado, como sempre. Cheiro de cigarro velho, metal enferrujado, suor.
Eu fiz o que tinha que fazer. Dei ordens, recebi malas, apertei mãos.
Mas tudo no automático. Como se fosse só uma sombra do que sou. Porque o verdadeiro Lorenzo... já tinha voltado pra casa. Num avião invisível. Num pensamento fixo.
Quando acabou, olhei pro relógio.
Três da manhã.
— Quero o jatinho pronto em trinta minutos.
— Mas, senhor, o combinado era dormir aqui, er-
— Quero sair hoje. Agora. Tem algum problema, Gianni?