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ANNIE CORLEONE
A Ani correu.
Correu mesmo com as pernas trêmulas e o coração doendo.
Correu subindo as escadas como se o chão estivesse pegando fogo, como se se ficasse lá embaixo por mais um segundo, ia derreter por dentro.
Entrei no quarto e girei a chave da porta com pressa. Trancado.
Só então deixei o corpo escorregar pela porta, até sentar no chão, abraçando os joelhos.
O quarto estava silencioso. Calmo. Mas dentro de mim não tinha silêncio nenhum. Tinha um redemoinho. Tinha cacos.
Como ele pôde?
Como o Lulu... o Lorenzo, que dizia me amar tanto, que beijava eu, que deitava a cabeça no meu colo como se ali fosse o único lugar seguro do mundo... como ele conseguiu machucar o coraçãozinho da Ani desse jeito?
Com aquelas palavras... com aquela frase horrível.
“Fode a sua buceta com os olhos.”
Só de lembrar, meu estômago embrulhava.
Era como se alguém tivesse jogado tinta suja em cima de mim. Eu me sentia suja. Desrespeitada.
Como se qualquer homem pudesse olhar pra mim assim, e tudo que eu fosse... fosse isso. Um corpo, uma parte, um pedaço de comida que qualquer pessoa pode comer
Será que é isso que ele vê em mim?
Será que quando ele olha pra Ani, ele só vê uma mulher que agora tá grávida, que sorri... mas que no fim é só mais uma coisa que ele tem?
Ani não é uma coisa.
Ani é uma pessoa.
É uma menina que ama.
Que acredita.
Passei a mão na barriga, como sempre faço quando me sinto perdida. É tão pequena ainda. Mas tá lá. E ele ouviu. O bebê ouviu. Mesmo que não entenda as palavras... ele sentiu o jeito. A raiva...