Nota: Quase nunca coloco músicas, mas me disseram que era uma boa ideia! Por que eu sempre te escuto mesmo?
● Be the one - Dua Lipa
● Cry me a river - Justin Timberlake
— Mas que porra... — os olhos dourados se arregalaram em choque, tinha os pulsos presos em algemas, mas não eram algemas comuns, daquelas que se leva para casa em uma sacolinha bem decorada de uma sex shop, estava presa em grossas pulseiras de metal com grandes correntes, passadas por trás do cano metálico de gás, preso na parede, se sentia em perigo real — Akali !!!
Era uma maneira inusitada de acordar.
— Por que tanto desespero, meu amor? Eu só quero dançar pra você!
Dançar? E qual o motivo das algemas?
Evelynn tentou acalmar a respiração, por mais que se sentisse estranha, acorrentada. Seguiu a rapper com o olhar, quando ficou em pé na cama, prendendo o cabelo em um coque, com exceção da franja.
Tinha visto Akali dançar incontáveis vezes, era cada vez mais sexy, mas com certeza não era algo que a mataria. Por que se preocupar? Mas não era do feitio da diva estar pesa daquela maneira. Ela era a caçadora, a parte dominante, nunca a caça, ou alguém a se submeter.
Be the one, foi essa a música a começar a tocar do aparelho, a desculpa de não ter sinal de internet naquele lugar, limitando as opções de faixas baixadas.
De frente para a namorada, agora noiva, a garota puxava a ponta do obi, algo que era um mistério para Eve até a noite passada, não tinha achado um jeito de tirar aquela coisa apertada. As bochechas queimaram, mas tentava ignorar a vergonha da sua tentativa de uma dança provocante. As mãos tremiam e suavam frio, por isso apertou os dedos em volta do tecido com o punho fechado.
Podia notar as orbes douradas varrerem cada movimento de cada centímetro de seu corpo, talvez não parecesse tão terrível, pela maneira que via a fome de Evelynn crescer, conforme movia o quadril num ritmo lento, mas não totalmente alheio ao do som.
As duas camadas de tecido estavam agora parcialmente abertas, mas não mostravam muito do corpo debaixo delas. Embora nervosa, Akali sabia o que estava fazendo, ao virar de costas e deixar seu haori deslizar parcialmente pelas costas tatuadas. Encarou por cima do ombro a mulher, que deslizava na cama, afundando mais nos travesseiros, parecia sequer piscar, expulsando o ar pela boca de maneira visível.
O haori vermelho caiu, o simples movimento fazendo a boca da platinada secar, as costas da garota não pareciam tão musculosas em uma posição natural, mas quando tensionadas, o desenho de dragão ganhava mais linhas em seu corpo.
Aquela exibição, somada com a letra, que fazia as palavras também dançarem na mente de Eve, a deixava atordoada. É claro que era proposital. Tinha alguma quantidade de músicas baixadas, ainda que não fosse a maioria das que costumava ouvir.
Tinha sobrado no corpo o tecido claro, que sob a luz do sol entrando pela enorme janela, ficava transparente. Também era visível a calcinha preta, não passava de tiras finas pressionadas na pele, um "acessório" que não cobria nada, mas fazia a mente da mulher mais velha viajar em pensamentos, todos impuros.
Deslizou a língua lentamente pelas presas, molhando levemente o lábio superior devagar num movimento involuntário, o desejo nítido no olhar, desfrutando daquelas curvas, ainda intocadas. Aquilo parecia um sonho!
Viu Akali virar de lado, seu rebolado lento deixando cada contorno evidente na luz, as unhas pintadas de preto deslizando pela pele dourada, como garras, afundando na superfície macia, conduzindo sua imaginação de maneira suave, como se fosse um feitiço, o encanto hipnótico de uma serpente, logo antes de seu ataque letal, combinado com o sorriso travesso.
Aquela garota seria o seu fim!
A faixa mudou para Cry me a River, como um teatro ensaiado, o tesão foi substituído pela adrenalina de um susto ao ver na mão da rapper um chicote de couro preto. Reconheceu o objeto de imediato, era seu.
— Você não foi a única a preparar surpresas pra essa viagem.
Akali se virou para ela, passando a ponta do objeto em seu rosto, como uma carícia.
Aquilo estava em uma mala com muitos outros acessórios comprometedores, era só o que rondava os pensamentos de Evelynn agora.
— Encontrei umas coisas bem interessantes com isso aqui, sabe?
O rancor era notável no tom da mais nova, a raiva crescendo. Fez com que Evelynn precisasse respirar fundo e fechar os olhos por um momento.
— Olha pra mim — disse entre dentes, usando o objeto para um golpe estalado no rosto da diva.
O chicote obviamente era projetado para causar dor, a fez travar o maxilar, uma marca avermelhada surgiu no lugar. Sendo invadida por uma breve sensação de satisfação, a japonesa recebeu um olhar furioso da mulher abaixo.
Agora todas as intenções da jovem ao colocá-la em algemas eram claras.
— Todas aquelas coleiras com outros nomes mulheres e você nem consegue me tocar! É por que eu não sou o seu animalzinho de estimação?
Não adiantaria explicar, o que Evelynn sentia era confuso até para ela mesma, mas a falta de uma resposta irritou a rapper. Virou o corpo da diva de costas, sem o menor cuidado, os braços agora cruzados, já que estavam fixos no lugar pelas algemas.
— O que você tá... Que merda você tá fazendo?
Evelynn rosnou, sentindo a calcinha ser arrancada do corpo. Instintivamente fechou as pernas, mas ainda estava exatamente como Akali pretendia que ela estivesse.
A primeira chicotada veio sem dó, o barulho preencheu o quarto. A platinada se recusou a deixar o gemido estragulado na garganta escapar, mordeu o travesseiro, afundando o rosto no tecido macio abaixo, as unhas cravando dentro das mãos.
— Eu tô tentando descobrir porque gosta tanto disso... E porque eu não sirvo pra você!
Poderia ser suficiente para a morena aquela visão da bela bunda farta desnuda, isso já a deixaria inquieta de excitação, mas então surgiu na pele clara a marca avermelhada de sua pancada, o som do gemido abafado no travesseiro ainda ecoando na mente.
Fechou os olhos, tinha que parar com aquilo, não parecia certo, mas não conseguiu. Uma segunda pancada veio, ainda mais forte, fazia o corpo de Evelynn se mover involuntariamente em um pequeno salto, mais um gemido, mas dessa vez parecia mais manhoso com algum resquício de prazer. O sangue brotava por baixo da derme no exato formato da peça em um hematoma avermelhado.
Droga!
Definitivamente não era pra aquilo acontecer, não daquele jeito. Era o que a diva pensava. Aqueles atos eram previamente combinados, mantendo a segurança da prática. Então... Por que seu corpo se incendiava? Nunca estivera naquela posição, jamais a haviam tocado daquela maneira, a algemado, machucado e insultado.
Qualquer uma das suas garotas teria um bom castigo doloroso por muito menos do que isso. No entanto, estava molhada. Podia sentir o fluído pegajoso entre as coxas no menor movimento.
— Você quer... Saber por quê?
Akali pressionou mais os digitos contra a haste fina, não sabia se queria aquela resposta, mas ouvir a platinada sussurrar totalmente sem fôlego, era um estímulo. Deixou que ela continuasse.
— Eu não sou capaz de dominar você. Não poderia te prender sem que escapasse, ou te agarrar de um jeito que te machucasse... Você é muito forte pra isso, muito melhor do que elas, mais talentosa, inteligente, indomável! Me sinto ridícula, só de pensar! Você é a droga de uma ninja treinada, caralho!
Odiava admitir, mas as palavras de Evelynn faziam sentido. A rapper deixou o corpo cair no colchão macio de joelhos, seus olhos presos em uma reflexão.
O peito de Eve ardia em um aperto mais doloroso do que a ardência provocada pelo acessório de couro, ainda bastante presente.
Virou devagar, os ferimentos leves eram superficiais, por baixo da pele, mas ardiam como o inferno em contato com o lençol, era uma sensação diferente, mas a fazia ter clara ideia de como ficavam as suas vítimas. Pressionou os dentes e sentou no colchão, se inclinando na direção de Akali, mesmo ainda algemada.
— Isso não quer dizer que você não serve, quer dizer que o meu passado ficou para trás, mas... — os lábios roçaram o lóbulo da orelha da morena, que capturou com a lingua em uma sugada breve, seguida de um sussurro propositalmente rouco — Quero saber o que você sentiu quando me machucou... O que sentiu, quando viu meu corpo marcado, quando me ouviu urrar com o que fez!
Como haviam chegado naquilo? Era o que a rapper se perguntava, mas a culpa era toda dela. Se deixou levar pelo ciúme, fez toda aquela cena e para quê? Evelynn ainda sussurrava para ela, como o próprio demônio. É claro que a dominava, completamente, só não sabia disso.
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Liquid Heart - Akalynn
FanfictionAkali conheceu Evelynn aos dezesseis anos, ao receber uma proposta para fazer parte do grupo musical K/DA. Imediatamente se viu sem saída diante do jeito sedutor da estrela pop, mas recebeu apenas uma dolorosa sequência de foras. Anos mais tarde e...
