A floresta estava quente, o ar pesado com o cheiro de terra e folhas secas. Depois das palavras atrapalhadas que escaparam minutos antes, Inosuke ficou parado, encarando S/N como se ela fosse um animal raro — e perigoso. Algo nele pulsava de forma estranha, como se seu corpo estivesse pronto para lutar... mas não era luta que ele queria. De repente, ele avançou, encurralando-a contra o tronco de uma árvore. Seu olhar faiscava de dúvida. — "Meu corpo tá... quente. É pra brigar?" — perguntou sério, franzindo o cenho. S/N riu baixinho, segurando a mão dele e colocando-a sobre sua cintura. — "Não. É outra coisa." Ele pareceu processar a resposta por um segundo, mas então, como se fosse puro instinto, inclinou-se e encostou os lábios nos dela. Foi desajeitado, meio rápido no começo, como um golpe mal calculado, mas logo o beijo ficou mais lento, intenso, quase curioso. Suas mãos grandes e ásperas exploravam sem direção, como quem testa a textura de algo novo. Quando os dedos roçaram a pele quente sob o quimono, ele congelou. — "posso continuar"— perguntou, genuinamente confuso. Ela sorriu. Ela soltou um "sim.."- logo aproximou mais o rosto, encostando o nariz no dela, como se tentasse memorizar o cheiro. — "Você cheira estranho... mas bom. Muito bom."
Eles estavam tão próximos que o mundo parecia sumir — até que uma voz ecoou não muito longe: — "S/N? Você tá por aqui?!" Era Tanjiro. Inosuke arregalou os olhos e, no reflexo, agarrou S/N pela mão, puxando-a para trás de um arbusto. — "Shhh! É um inimigo?" — cochichou, já se preparando para saltar. — "Não! É o Tanjiro!" — ela respondeu, tentando segurar o riso. Tanjiro se aproximava, chamando de novo. Inosuke, sem entender a gravidade da situação, colocou-se agachado ao lado dela, olhando entre as folhas com olhos de caçador. — "Se ele perguntar, a gente fala que tava caçando esquilos." S/N teve que morder o lábio para não rir. Tanjiro passou tão perto que ela conseguiu ver o suor na testa dele. Ele parou, olhou em volta e suspirou. — "Estranho... achei que tinha ouvido vocês." Quando ele se afastou, Inosuke soltou um "HA!" vitorioso. — "Missão concluída.
S/N respirou fundo, ajeitou o quimono e tentou se recompor, mesmo com o coração ainda acelerado. — "Eu vou... com ele. Antes que ele volte e encontre a gente aqui." Inosuke fez uma careta, mas apenas cruzou os braços. — "Tá. Mas volta. Ainda quero... entender isso." Ela sorriu e saiu andando, encontrando Tanjiro alguns metros adiante. — "Ah! Aí está você!" — disse ele, aliviado. — "Achei que tinha se perdido." — "Só... olhando a floresta." — respondeu, tentando soar natural. S/N ainda sentia o gosto do beijo — o gosto da pressa, da curiosidade e da confusão que era Inosuke. O ar da floresta parecia mais denso agora, como se o mundo tivesse ouvido o que acabara de acontecer. Ela respirou fundo, tentando acalmar o próprio corpo enquanto se afastava com Tanjiro.
— Você tá estranha — comentou ele, franzindo o cenho. — Seu cheiro mudou.
S/N hesitou.
— Mudou?
— Tá meio... quente. Tipo quando o Inosuke volta de uma luta, só que com menos raiva.
— ...ótimo. — ela murmurou, desviando o olhar. — Exatamente o que eu queria ouvir.
Tanjiro deu um sorriso simpático, sem entender nada.
Antes que o silêncio se tornasse mais constrangedor, um grito ecoou ao longe:
— "AÍ ESTÃO VOCÊS, SEUS LENTOS!"
Inosuke surgiu pulando de um galho, aterrissando como se estivesse pronto pra brigar com o chão. Atrás dele, Zenitsu vinha tropeçando, gritando por piedade dos deuses.
— Tanjiro! Eu juro que esse maluco me fez correr atrás de um esquilo por vinte minutos!
— NÃO ERA UM ESQUILO QUALQUER! — rugiu Inosuke. — Tinha olhar de guerreiro!
Tanjiro suspirou. — Vocês dois não conseguem passar um dia sem caos, né?
S/N tentou não encarar Inosuke, mas ele já a olhava. Não com raiva — com foco. O tipo de olhar que fazia o ar entre eles mudar.
Zenitsu percebeu na hora.
— Espera... por que ele tá te olhando assim? — perguntou, apertando os olhos. — Tipo um animal prestes a atacar, só que... calado.
— Ele sempre olha assim — respondeu ela rápido demais.
Inosuke inclinou a cabeça, estudando-a.
— Tá rindo de mim?
— Tô tentando não rir de você. Difícil diferença.
Zenitsu arregalou os olhos. — Meu Deus, vocês flertam brigando!
S/N tossiu. Tanjiro apenas sorriu, meio confuso.
— É bom ver vocês se entendendo — comentou ele.
— Ninguém tá se entendendo aqui — respondeu ela.
— Eu tô. — disse Inosuke, firme. — Eu só não entendo por que tô entendendo.
Zenitsu gemeu. — Eu odeio quando ele fala e parece que tá filosofando sem querer.
S/N desviou o olhar, tentando ignorar o calor que subia pelas bochechas.
Inosuke, impaciente, cruzou os braços. — Quando acabar essa missão, quero treinar contigo.
— Treinar? — ela perguntou, arqueando uma sobrancelha.
— É. — Ele deu um meio sorriso, raro. — Preciso entender umas coisas novas que meu corpo faz quando você tá por perto.
Tanjiro olhou pra ele, confuso. — Tipo reflexos?
— Tipo isso — respondeu S/N, antes que Inosuke dissesse mais.
Zenitsu balançava a cabeça em desespero. — Isso não é treino. Isso é flerte com espada envolvida!
Ela riu, meio sem querer. E quando o riso escapou, Inosuke também sorriu — um sorriso torto, breve, mas real.
Quando começaram a seguir caminho, S/N olhou de relance pra ele.
Havia algo novo em Inosuke.
Um silêncio estranho, concentrado. Como se, por uma vez, ele não estivesse tentando provar força — e sim entender o que era sentir.
E isso, ela percebeu, era bem mais perigoso que qualquer luta.
*Quebra de tempo, tiveram um treino entre todos e depois foram jantar*
Por volta das 21:00
O refeitório da Casa Borboleta cheirava a caldo e ervas frescas. As janelas abertas deixavam entrar a brisa morna da noite, misturando o som dos grilos com o barulho dos talheres.
Tanjiro comia em silêncio, atento como sempre. Zenitsu reclamava de algo — provavelmente de dor, ou da vida — e Aoi servia as tigelas com a precisão de quem já se acostumou ao caos.
— "Segurem as mãos, não os hashis como se fossem espadas," — ela advertiu, quando Inosuke quase derrubou metade do arroz na mesa.
— "É o mesmo movimento," — respondeu ele, sério.
— "Se fosse, o arroz já tinha fugido," — murmurou S/N, sem levantar os olhos.
Tanjiro conteve o riso, e até Aoi desviou o olhar para esconder um pequeno sorriso. Inosuke olhou para S/N, confuso, como se tentasse decidir se aquilo era uma provocação ou elogio.
Por um momento, ficou em silêncio — raro pra ele. Depois, voltou a comer, mais devagar dessa vez.
Zenitsu olhou de um para o outro, franzindo o cenho.
— "Vocês tão estranhamente quietos hoje..."
— "Treino cansa," — respondeu S/N, sem hesitar.
— "Aham..." — murmurou ele, desconfiado, mas Aoi lançou-lhe um olhar rápido que bastou para o calar.
A conversa se espalhou de novo, sem rumo: Tanjiro comentava o progresso de todos, Zenitsu dramatizava sobre bolhas nos pés. Só Inosuke parecia alheio, mexendo a comida com os hashis, distraído.
S/N percebeu.
Sem dizer nada, empurrou discretamente a própria tigela um pouco na direção dele.
— "Você ainda tá com fome."
Ele ergueu os olhos, surpreso.
— "Não quero."
Mas alguns segundos depois, comeu o resto.
Aoi observava a cena do balcão, fingindo arrumar as travessas. Quando percebeu que S/N desviava o olhar toda vez que Inosuke se mexia perto, a curandeira apenas suspirou de leve, um sorriso quase imperceptível nos lábios.
— "Depois do jantar," — disse ela, quebrando o silêncio — "preciso de dois voluntários pra ajudar na cozinha."
Ninguém respondeu.
— "Dois." — repetiu, mais firme.
Tanjiro levantou a mão, mas Aoi o cortou com um gesto tranquilo.
— "Não, Tanjiro. Tu já ajudou ontem."
O olhar dela passou devagar pela mesa e parou em S/N.
— "Tu e o Inosuke. Pode ser?"
S/N ergueu os olhos, um pouco surpresa. Inosuke só deu de ombros, com a boca ainda cheia.
— "Tanto faz," — disse ele.
Zenitsu bufou. — "Ela sempre escapa de lavar prato, e agora vai com companhia..."
— "Porque ao contrário de ti, ela não derrama metade da pia," — respondeu Aoi, seca.
Tanjiro riu. O resto da mesa também, e o momento seguiu leve — mas por baixo da conversa, o ar entre S/N e Inosuke carregava algo mais silencioso.
Quando todos terminaram, Aoi recolheu as tigelas e saiu.
S/N levantou-se para ajudar, e ao passar por Inosuke, o cotovelo dela roçou de leve no braço dele.
Foi rápido, quase nada.
Mas ele ficou imóvel por um segundo, como se o toque tivesse sido mais forte do que era.
Aoi notou, é claro.
Mas não disse nada. Apenas observou, discreta, e murmurou para si:
— "Alguns demônios são mais fáceis de caçar do que outros."
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IMAGINE !Inosuke Hashibira!
RomanceS/n é uma órfã que perdeu seu irmão com apenas 12 anos, ela se torna caçadora e vive 2 anos treinando sozinha, no decorrer da história encontra 3 caçadores de Onís que iram mudar a vida dela principalmente o excêntrico Inosuke Hashibira O seu triste...
