O Peso de Existir

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O olhar não era apenas um olhar.

Era uma fixação de eixo.

Tudo na sala — magia, matéria, intenção — começou a se organizar em torno daquele ponto: Izzy.

— Não deixem ele completar isso. — Freya Mikaelson disse, já alterando os selos no chão com movimentos rápidos, quase agressivos. — Se ela estabilizar como foco, acabou. Não tem mais contenção.

— "Ela"? — Damon Salvatore soltou, nervoso. — Adorei o tom possessivo da entidade cósmica.

A Projeção vibrou como resposta.

Izzy arqueou o corpo, um som preso na garganta — não de dor comum, mas de sobrecarga.

— Ele não está me machucando... — ela conseguiu dizer. — Ele está... me usando como referência de existência.

— Isso é pior. — murmurou Stefan Salvatore.

No andar de cima, Hope Mikaelson apareceu no topo da escada. Descalça. Os olhos completamente acesos.

— Não é só ela. — Hope disse, com uma calma que não era infantil. — Ele precisa de duas âncoras pra formar simetria.

Todos olharam para cima.

— Hope, volte pro quarto. — Klaus Mikaelson ordenou, imediato.

Ela não se moveu.

— Você sempre acha que pode mandar na estrutura das coisas. — Hope inclinou a cabeça. — Mas isso aqui já não é mais sobre você.

Klaus travou o maxilar. A Projeção reagiu à fala dela — expandindo levemente na direção da escada.

Vincent arregalou os olhos.

— Ele está alinhando polos. — Vincent Griffith disse, horrorizado. — Izzy e Hope... duas assinaturas híbridas, duas leituras diferentes da mesma ruptura...

— Traduz. — Damon exigiu.

— Ele vai nascer entre elas.

Silêncio.Pesado.Irreversível.

Elijah avançou um passo, firme.

— Então interrompemos o eixo.

— Como? — Stefan perguntou.

Elijah olhou direto para Izzy.

— Removendo uma das âncoras.

Klaus virou na hora.

— Nem pense nisso.

— Niklaus—

— Eu disse não.

A tensão entre os dois cortou o ar mais fundo do que a própria entidade.

Mas Izzy...Izzy começou a rir. Fraco no começo. Depois mais claro.

— Vocês ainda estão pensando em termos humanos... — ela disse, erguendo o olhar. — Ele já passou disso.

A Projeção pulsou em concordância. As linhas do selo começaram a se inverter. O que era contenção virou condução. Freya percebeu na mesma hora.

— Não, não, não! Ele está usando o feitiço como molde!

Ela tentou desfazer — mas os símbolos não obedeciam mais completamente.

— Ele está escrevendo por cima! — Vincent gritou.

Hope desceu mais um degrau.

— Ele não está escrevendo... — ela corrigiu, suave. — Ele está lembrando.

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