Kelly Blackburn Jaha passou toda a adolescência isolada, como uma intrusa em uma estação espacial, obrigada a desaparecer do mundo apenas para sobreviver. Seu sobrenome era um erro, um peso que a condenava a não existir, invisível até para aqueles q...
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❝Porque é tão bonito? Porque há coisas que, mesmo carregando o poder de destruir, dançam diante dos nossos olhos como se fossem poesia, lembrando que nem toda beleza é sinônimo de segurança.❞
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O ambiente não era a cela insalubre nos fundos de uma masmorra com pedras pontiagudas que estava esperando, tampouco era convidativa.
A sala é grande demais para quem não é livre. As paredes claras não trazem alívio; apenas devolvem uma luz fraca, quase clínica, que expõe tudo e aquece o nada. Quadros antigos, presos em molduras douradas, observam em silêncio — relíquias de um poder passado, agora reduzidas a testemunhas imóveis da queda.
Não há grades, mas o espaço inteiro aprisiona. A ordem excessiva, a simetria rígida, a ausência de qualquer sinal de vida tornam o ambiente sufocante. É uma prisão vestida de dignidade, feita para conter um homem que já governou o mundo e agora existe apenas como uma lembrança incômoda.
Ali, o ex-presidente é mantido entre os ecos do próprio legado, enquanto o poder que lhe foi roubado floresce nas mãos do filho. A sala guarda esse crime sem sangue; um trono tomado, um pai silenciado, e paredes que sabem demais para esquecer.
O velho homem não parecia estar disposto a oferecer ajuda alguma, seu semblante cético deixava explícito a falta de vontade em contribuir.
O mesmo apenas balbuciou afirmativas de que seu povo se tornará insignificante para a gente, sua postura rígida e determinada não estava a fim de discussão. Era até intrigante, o fato dele não desistir das pessoas que o privaram de uma vida digna o trancafiando naquele quarto ofuscante, o desprezando.
Dados por vencidos, tivemos que seguir outra vertente: Monty. O mesmo daria um jeito de nos colocar dentro da sala de controle.
— Vamos lá, vai ajudar a gente! Querendo ou não. — Bellamy diz simplista, enquanto agarra o mais velho pela gola de sua camisa, o arrastando conosco sem mais alternativas.