Chapter Seventeen - past

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"Pensei ter encontrado um caminho
Pensei ter encontrado uma saída (encontrado)
Mas você nunca se vai (nunca se vai)
Então eu acho que tenho que ficar agora

Oh, espero que algum dia eu consiga sair daqui
Mesmo que demore a noite toda ou cem anos
Preciso de um lugar para me esconder, mas não consigo encontrar nenhum por perto
Quero me sentir viva, lá fora não consigo enfrentar meu medo."

lovely - Billie Eilish

1 ano e 7 meses atrás - meses após o acontecimento

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1 ano e 7 meses atrás - meses após o acontecimento.

Toronto, Canadá
09 de Abril.


Já era uma hora da madrugada. Nesse horário, eu sempre estava no estúdio, sempre no estúdio de dança, em nenhum outro lugar. Apenas dançava, dançava até um horário que assustaria qualquer pessoa que precisasse voltar para casa a pé, sozinha, envolta pela escuridão. Assustava, principalmente, mulheres que carregavam o medo constante de um sequestro ou de um possível assalto.

Não eu.

O escuro nunca me intimidou. Andar sozinha, à noite, também não. Talvez a minha versão do passado, a garota de dezesseis anos, tivesse sentido pavor. Talvez porque aquela menina ainda tinha tudo a perder e não fazia ideia do que estava por vir. Ela tinha uma irmã que a amava incondicionalmente e uma mãe que a admirava, que a cuidava como se fosse a coisa mais preciosa do mundo. Ela tinha um amor de infância complicado, imperfeito, mas que ainda assim a mantinha viva, pulsante, livre.

Ela não tinha muitas pessoas ao seu redor, mas aquelas poucas eram suficientes. Suficientes para fazê-la voltar inteira para casa. Suficientes para fazê-la temer perder a própria vida.

Agora?

Agora, aquela garota estava morta.

No lugar dela, restava apenas alguém que não sentia mais medo. Eu caminhava pelas ruas de madrugada, retornando para uma casa que nem sequer podia ser chamada de lar, apenas um espaço vazio, frágil, prestes a desmoronar como tudo o que um dia já me pertenceu.

Todas as noites, depois de sair do estúdio, eu mergulhava na escuridão e seguia meu caminho de volta. Se alguém me visse, provavelmente me encararia como uma louca fugindo de um hospício. Até mesmo os moradores de rua me observavam com estranhamento, como se não compreendessem o motivo de alguém escolher vagar naquele horário.

Mas eu não me sentia em perigo.

Pelo contrário.

Ali, naquele risco silencioso, eu me sentia melhor. Não completamente bem, isso seria impossível, mas menos morta. Mais próxima de algo que lembrava estar viva.

Dark NightOnde histórias criam vida. Descubra agora