Hades & Ava
The Haunting Boys
Ninguém os conhecia.
Ninguém ousava sequer pronunciar seus nomes em voz alta.
E, ainda assim, todos sentiam o peso da sua presença.
Eles eram sombras que se arrastavam pela noite de Toronto, um segredo sussurrado entre...
"você fala da dor como se estivesse tudo bem Mas eu sei que você sente como se um pedaço de você estivesse morto por dentro."
"Matilda" – Harry Styles
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Empurro a porta do banheiro feminino com tanta força que, ao colidir contra a parede, ela ecoa um estrondo seco pelo ambiente. Por sorte, não há ninguém ali. A porta retorna lentamente ao lugar, rangendo baixo, e eu deixo escapar um suspiro longo, quase dolorido, aproveitando aquele breve instante de solidão.
Caminho até a pia e apoio as mãos frias sobre o mármore polido, fitando meu próprio reflexo. Meus lábios estão secos e machucados de tanto que os mordi enquanto tentava conter o nervosismo. Meus cabelos ruivos estão levemente desalinhados; passo os dedos por eles numa tentativa inútil de arrumá-los.
O uniforme da Royal LeBlanc também está desalinhado. Arranco o blazer azul-marinho dos ombros, sentindo um calor estranho e sufocante percorrer meu corpo.
Depois do que Hades sussurrou no meu ouvido durante a aula de francês, contei cada segundo para que a aula terminasse e eu pudesse me afastar dele. Só agora, ao entrar aqui, percebo o quanto estava prendendo a respiração.
Agora estou aqui, quase implorando de joelhos ao universo para nunca mais dividir uma sala com aquele canalha.
Ele não tem o direito de me dizer o que fazer.
Babaca.
Estendo a mão sob a torneira automática, e a água começa a correr com um som suave. Sim, essa escola é chique demais para o meu gosto. Sempre achei tudo aqui um exagero pretensioso.
Faço uma concha com as mãos e, quando elas se enchem de água, levo-as ao rosto. A água fria escorre pela minha pele, como se tentasse lavar a inquietação que pulsa dentro de mim.
Preciso me acalmar.
Mas, quando ergo novamente o rosto e encaro o espelho… vejo Sylvie me observando.
Ótimo.
Meu pequeno momento de paz acaba de morrer.
E, claro, de todas as pessoas possíveis, tinha que ser justamente ela.
Ao seu lado direito está sua inseparável amiga Scarlett, uma garota de estatura mediana, cabelos cor de caramelo e olhos castanhos. Ela é bonita, disso não há dúvida. Já foi até gentil comigo um dia.
O problema é que, desde que passou a andar com Sylvie, começou a se transformar exatamente no tipo de pessoa que antes fingia desprezar.
Uma cópia malfeita.
Na maioria das vezes, parece que ela tenta se igualar a Sylvie, mas nunca consegue. Por isso vive atrás dela como um patinho obediente seguindo a mãe.