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Encarava o meu prato de porcelana francesa desanimada, não tinha fome, minha prisão sofisticada não era nem um pouco divertida. Muito diferente da minha família, minha mãe e meu pai riam de alguma coisa que ele disse, minha irmã mais nova se divertia bastante em seu próprio mundo. E eu aqui, olhando o pêndulo do relógio ir para um lado e para o outro. A vida era injusta demais.
De repente o chefe de segurança da mansão entrou na sala de jantar, e disse algo no ouvido do meu pai, não deu para escutar o que era, fiz questão de sentar bem longe dele, no outro canto da mesa. Meu pai bufou com o quer que fosse e me encarou como se fosse minha culpa. Pela Deusa, o que é que eu tinha feito agora?
— Querida, pegue as crianças e leve-as para o escritório. — Minha mãe o olhou com um olhar questionador, ela estava assustada. — Está tudo bem, só quero garantir que não vamos passar por nenhum estresse.
Minha mãe pareceu entender o que meu pai quis dizer, assim como eu. Não era possível que esse menino gostasse tanto assim de mim. Minha mãe pegou minha irmãzinha, e me encarou para que eu a acompanhasse.
No caminho para o escritório minha mãe já estava totalmente tranquila brincando com minha irmã, tanto que ficou distraída, ou fingiu que estava.
Ela não era como meu pai, tentava não tirar a autoridade dele, mas também não queria me ver infeliz, então me dava essas brechas. Assim que vi sua intenção eu fugi, saí correndo pelos corredores. Só tinha um lugar dessa mansão que ele poderia estar, no meu quarto.
Quando passei pela porta branca, ele estava deitado na minha cama com a pelúcia de coração na cor preta que ele havia me dado nas mãos, não combinava muito com a estética em tom rosa do meu quarto, mas era meu objeto favorito. Girei a chave, trancando a porta, não queria passar por mais um susto.
— Pela Deusa, Damian, o que você está fazendo aqui? — É a primeira coisa que digo quando o vejo, meu coração estava a mil.
Esse menino é maluco.
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