Parte 15

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— Filho, eu sei que tivemos muitos desentendimentos no passado, mas eu preciso que me ouça só por um momento. Você faz tanta falta em casa, Kayn, eu sequer poderia descrever o quanto me arrependo de não ter dado mais atenção ao que você dizia, meu amor — o tom tristonho, desolado e carente da mulher poderia enganar facilmente algum desavisado, mas Kayn já havia adquirido imunidade aos venenos daquela víbora.

Leblanc, uma mulher que aparentava ser mais jovem do que realmente era, com um rosto belo e marcante, a pele branca imaculada, lábios estreitos e bem desenhados e cabelo negros e lisos como o céu noturno. Uma voz doce e gentil, carregada de uma saudade forjada que beirava o desespero, uma verdadeira atriz a delinear o papel de uma mãe atenciosa e arrependida, que só deseja mais do que tudo ter de volta seu filho no lar. Balela.

— Volte pra casa, meu filho, volte pra nós. Você e seus amigos serão muito bem recebidos lá. Eu cubro todos os custos da quebra de contrato com essa gravadora, isso não é um problema para nós, você sabe — claro, tudo era sobre dinheiro. — Nós podemos colocar vocês para fazer parcerias grandiosas, até mesmo shows colaborativos com o grupo da sua prima, Akali! — ela fazia soar como se fosse a coisa mais incrível do mundo, e, embora houvesse algum grau de realidade no quão benéfico seria para o grupo ter algo como aquilo, Kayn sabia bem que aquelas eram promessas vazias. Leblanc não gostava dele, não gostava de seu grupo, ela só queria continuar lucrando em cima dele. Certamente não tinha mais muitas opções de jovens prodígios para abusar e obter lucro em cima das composições.

"Vamos quebrar a cara dessa vadia, Kayn, a gente consegue. Thresh não vai se incomodar..." A voz de Rhaast ecoava em sua mente, tentadora, provocante. Seria delicioso afundar o punho na cara lavada dela, mas não era o ideal, não era o certo. Todo o grupo estava ali, Sett, K'Sante, Yone, Alune, Aphelios e, principalmente, Ezreal. Como ele podia soltar o pior de si e voar como um demônio em cima de uma mulher que se construía diante deles como uma pessoa inocente e doce?

— Nós já respondemos às suas propostas antes, Leblanc. Não temos interesse nas propostas da Rosa Negra. A Heartsteel continuará respondendo por meio do selo Thresh Records conforme os contratos estipulados — ele respondeu com seriedade e responsabilidade, e a surpresa nos rostos dos colegas de banda era visível.

— Não precisa falar de um jeito tão formal com a sua mãe, Kayn. Não vim até aqui em nome da Rosa Negra, vim como sua mãe — ela reforçou naquele mesmo tom de água com açúcar. — Eu vim te oferecer impulso comercial, parcerias e promoções com grupos grandes e famosos, garantia de um bom palco nos maiores festivais de música do planeta, propagandas, séries de tv e novelas. O que mais vocês poderiam querer? Uma parte maior dos lucros dos álbuns? Eu posso conseguir isso pra você, porque antes de ser diretora daquela empresa, Kayn, eu sou sua mãe e eu quero a sua felicidade em primeiro lugar, meu amor.

Kayn suspirou, contendo o desejo de arregaçar com a cara falsa da mulher ali mesmo, estragar de uma vez por todas aquela máscara de falsidade que ela vestia como se alguém ali fosse acreditar nela. Suas mãos tremiam de raiva quando Ezreal segurou uma delas entre as dele, lhe dando um sorriso gentil quando o rapper o olhou.

— Certo. Ouça, "mãe", eu tive meus motivos para cortar relações com a Rosa Negra, e inclusive também com você. Todos os meus amigos sabem o quanto eu sofri por sua causa e por causa daquela empresa maldita que você lidera. Não há sequer uma única pessoa aqui que vai acreditar nesse seu papinho mole de mãe arrependida, pois todos sabem que você na verdade é uma megera que só se importa com os lucros. Até o Thresh aqui, que admite por suas próprias palavras que ele é um merda, se importa mais com a gente como pessoa do que você e sua diretoria maluca formada pelos próprios cavaleiros do apocalipse. Eu disse educadamente que não temos interesse nas suas ofertas. O Sett e o K'Sante já disseram o mesmo, inclusive. Continuamos com o mesmo pensamento e não temos interesse algum em nenhum tipo de colaboração, parceria ou contrato com a sua empresa. E, honestamente, eu ficaria feliz se você nunca mais aparecesse na minha frente.

Placeholder (EzKayn)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora