parte 2

602 34 69
                                        

Kayn ficou aguardando na recepção enquanto Yone foi conversar rapidamente com Ezreal e os outros, mas logo o produtor estava de volta para levar Kayn para casa. Era como se estivesse de castigo por aquele dia. Yone mal chegou em casa e já estava pendurando-se no telefone para agendar as consultas nas quais levaria o rapper para investigar as causas daqueles apagões.

O rapper seguiu para seu quarto, não se sentia bem para ficar em qualquer outro ambiente naquele momento. Na verdade, queria beber. Queria entornar uma garrafa de vodka e esquecer de tudo, mas tinha medo de voltar a ser aquele filho da puta agressivo e colocar tudo em risco.

Pegou um caderno e uma caneta para fazer anotações e se jogou na cama preguiçosamente. O quarto estava um caos, uma zona. Esperava que Yone não aparecesse ali, ou tomaria outra bronca, e não estava nem um pouco bem para aquilo.

Começou a escrever uma carta para si mesmo, mas para aquela versão estranha que aparecia quando apagava.

"Olá. Acho que seu nome é Rhaast... você é mesmo alguma espécie de demônio? Está destruindo minha vida, é melhor parar ou vou acabar destruindo a nós dois em retaliação. Não sou muito equilibrado, por favor deixe o Ezreal em paz."

Mal terminou de escrever e aquela sensação horrível de desmaio o tomou outra vez. Bosta. Tinha invocado mesmo o capeta...

Quando voltou a si o caderno estava rabiscado em seu colo. Certo, aquele cara era um doente até para os padrões baixos de Kayn. Só um grande e torto desenho de pinto em cima de seu texto e uma caligrafia completamente diferente escrito "Tá, valeu. Frouxo."

Frouxo? Aquele bosta fazia as merdas, sumia deixando para Kayn levar toda a bronca, e o frouxo era ele? O dono legítimo do corpo? Como poderia não ficar irritado com aquilo? Se pudesse, esganaria aquele tal de Rhaast até a morte sem dó. Hipócrita de merda.

Irritado, acabou por ir dormir para ver se melhorava. Acordou com batidas na porta de seu quarto. Numa olhada rápida no celular, viu que já passava das nove da noite. Tinha apagado por tanto tempo que preocupou-se ao acordar. Levantou rapidamente para abrir a porta e deu de cara com a pessoa que menos esperava ali. Ezreal fez um breve sinal de silêncio.

— Posso entrar pra conversar? — O rapaz de cabelos verdes perguntou.

— É melhor não, Ez. Yone falou que é melhor não ficarmos sozinhos. — Por mais tentador que fosse, sabia que era uma ideia péssima.

Ezreal suspirou e insistiu.

— Não tem problema, se você me beijar, estamos em casa e não corremos o risco de ninguém tentar vender a notícia pra um paparazzi. Nossa reputação é questionável, Kayn, a gente precisa evitar escândalos. Yone disse que acha que você está possuído por demônios, eu queria conversar sobre isso. Quero entender o que está acontecendo contigo ultimamente. Só que se o Sett me pega perto de você, apanharemos os dois. — Ezreal riu baixinho. — Se você quiser alguma prova de que tá tudo certo, te beijo eu mesmo.

— Heim? — Kayn ficou confuso. — Não precisa... quer dizer, não é que eu não queira, mas... você não estava tipo, chorando e tal?

— Eu não estava chorando, Kayn. Eu estava tentando absorver a situação. É por isso mesmo que a gente precisa conversar. Mesmo que eu esteja bem, não me machuquei, não estou te odiando e nem nada disso, isso não muda o fato de que você me assediou mesmo quando eu disse claramente 'pare'. Você me assustou, não parecia você mesmo, parecia outra coisa. Você é esquentado, briga por tudo, tem uma índole pra lá de questionável e metade da nossa má reputação vem só de você, sozinho, mas você jamais me faria mal. Tem posters meus colados na sua parede. Nós somos amigos desde que começamos nesse grupo... Eu quero entender o que está acontecendo, Kayn. Eu me preocupo com você. 

Placeholder (EzKayn)Histórias para pegar e não largar. Descubra agora